sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pintura, a mais antiga das artes 4

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A mais antiga das artes IV


Há uns 600 mil anos, o gelo cobria todo o norte da Europa. Ao sul, da França Urais, estendia-se a Grande Tundra onde galopavam renas e bisontes, pastavam ma­mutes e rinocerontes lanudos. Atrás das imen­sas manadas andavam os homens; tribos nóma­des de caçadores que deviam levar uma vida se­melhante à dos índios americanos da pradaria. Os animais forneciam tudo: peles para vestir e deitar, ossos para instrumentos e adornos, carne para comer, gordura para as lâmpadas. A idade áurea da caça e da pesca na Europa. Os caçadores magdalenienses (esse é o no­me dado modernamente à sua cultura) faziam coisas quase inexplicáveis para um homem mo­derno. Metiam-se em profundas cavernas, ainda hoje dificilmente exploráveis com nos­sos recursos, carregando lenha, armas, e potes de tinta preta e tinta vermelha — fabricadas misturando gordura com carvão e terra verme­lha. Às vezes, para atingir o ponto desejado — amplos salões subterrâneos — era preciso vadear rios perigosos, descer por escarpas ín­gremes, onde, certamente, muitos morreram. Aparentemente, a regra era: quanto mais ocul­to, melhor. Atingidas as vastas galerias e sa­lões que tanto esforço custara descobrir, acen­diam-se fogueiras e os feiticeiros pintavam nas paredes (com os dedos ou pincéis primitivos os animais que viviam lá fora na tundra. Mas só os animais de caça. Nada que não fosse útil era representado. Em seguida dançava-se e as figuras eram golpeadas com lanças e flechas — ritos propiciatórios da caça. Para o caçador, de alguma maneira obscura, o destino do animal a ser caçado era selado de antemão naquela caverna.
O descuido dos pintores com sua obra era total. Uma vez usada, a figura era desprezada: raspava-se ou pintava-se por cima, como se não existisse.
Mas o eixo do planeta continuou a deslo­car-se em sua lenta progressão milenária. Na nova inclinação os gelos recuaram sob a luz do sol, a tundra desapareceu, os ricos campos de caça sumiram. Privadas de sua fonte de vida, as tribos definharam, dispersaram-se acompanharam as pequenas manadas restantes, cada vez mais para o norte. As cavernas foram fechadas pela terra, desmoronaram, ou foram levadas pelos rios. Quinze mil anos depois um garoto que brincava no mato, nos Pireneus, enfiou-se por um buraco no chão, viu alguns desenhos nas paredes e foi correndo chamar o pai. Assim ocorreu a descoberta da arte pré-histórica. Os desconhecidos autores dos dese­nhos das cavernas muito estranhariam o in­teresse por sua obra — eles que tão pouca im­portância lhe davam. Não sabiam, mas ha­viam produzido a primeira grande arte de nos­sa espécie. São desenhos de uma habilidade fabulosa. Poucos traços e os animais surgiam vivos das paredes, galopando, pastando, mor­rendo, lutando. Tal poder de síntese só seria conseguido muito mais tarde, na pintura chi­nesa e na japonesa,
A idade áurea da caça e do desenho fene­cera sem deixar herança, como uma flor sem raízes. A vida cultural e, portanto, a tradição artística dependiam da existência das mana­das. Acabadas estas, desfez-se a cultura magda­leniense, sem deixar herdeiros. Esses caçadores não foram os únicos a pintar em cavernas e lajes. Na Rodésia, no Saara, na Noruega, mes­mo no Brasil, há pinturas rupestres de primi­tivos. Mas nada se compara à extraordinária e efémera floração da arte magdaleniense. Só com o aparecimento da agricultura tornaria a surgir pintura comparável à das cavernas de Lascaux (França) e Altamíra (Espanha).


A arte dos impérios camponeses

Entre seis e cinco mil anos atrás, nos fér­teis vales do Indo, Nilo e Tigre-Eufrates, surgiram as primeiras cidades. A agricultura recém-descoberta permitiu aos homens abando­nar a vida nómade e fixar-se num território. Nas cidades a divisão do trabalho e da posse fêz aparecerem as classes sociais, entre elas a dos artesãos, gente especializada em esculpir, pintar, moldar, fundir. Ricos mercadores enco- mendavam objetos de luxo — o que fez surgi­rem as artes suntuárias e, certamente, a pin­tura de tecidos para roupa.
Mas a grande pintura, ainda dessa vez, de­senvolveu-se ligada à magia. Se antes era pre­ciso propiciar os espíritos da caça, agora tra­tava-se de cair nas boas graças dos espíritos da chuva, do vento, do granizo, da seca. Os sacer­dotes tinham por nova função assegurar a fecundidade da terra e a benignidade do céu. Mesmo antes que nas primitivas cidades sur­gissem os palácios principescos, os primeiros edifícios foram templos e neles devem ter-se produzido os primeiros afrescos — nova técni­ca de pintura que surgiu com a arquitetura. Entretanto, o mais antigo fragmento conhecido dessa técnica pertenceu ao palácio real de Mari, na Mesopotâmia — uma cena de sacrifí­cios animais. Sua preservação é um verdadei­ro milagre realizado pelas areias desérticas que o recobriram. O afresco é um método de pin­tura com resultados delicadíssimos. Os pig­mentos são empastados com ovos e aplicados diretamente no estuque fresco — daí o nome.
Ao contrário do vigoroso naturalismo que fora a arte dos magdaleníenses, a pintura mu­ral do Egito e da Mesopotâmia é hierática e solene. Não retrata o mundo, mas cosmogonias — tentativas de explicação da origem do Universo — e aventuras dos deuses. A vida diária nunca é representada. Apenas um pou­co da vida da corte transparece aqui e ali, num pequeno trecho de parede, no coração das pi­râmides que os faraós erigiam para preservar eternamente seus corpos. Uma ou outra cena de caça, pesca e dança, em que um povo mo­reno, de grandes olhos rasgados, pintado em cores chapadas e sempre de perfil, reverencia o príncipe-deus.
Na Mesopotâmia, a pintura — como o baixo-relêvo — reflete as condições da região: a guerra permanente da Idade do Bronze. Mas­sacres e mais massacres são reproduzidos mo­notonamente para imortalizar a fama dos prín­cipes guerreiros. Duas vezes maior que as ou­tras figuras, Sar o príncipe temível, pisa os vencidos ou diverte-se caçando leões. Mas pouco, muito pouco, nos restou da pintura mesopotâmica.
Na mesma época, no coração do Mediterrâ­neo, em Creta — importante centro comercial —, surge a pintura mais elegante e hedonista da antiguidade. No palácio real de Cnossos, metrópole dos mercadores, elegantíssimos tou­ros e figuras de jovens atletas e cortesãos vivem alegres cenas de jogos e procissões. Graças ao comércio, a arte dos cretenses se dissemina pe­las ilhas do Egeu e sul da Grécia.
Até que um dia guerreiros loiros — os dóricos —, descendo as montanhas da Tessália, varreram a influência cretense da península grega. Eles criaram a maior das civilizações da antiguidade — a helénica.
Paradoxalmente, nada nos resta de sua gran­de pintura nas paredes e pranchas de madeira, apenas descrições escritas que falam de uma arte realista. E as belas cerâmicas, onde os deuses são tratados com certa ironia. Contudo, através da influência grega na Itália, soube-se algo de sua arte mural.
A pintura romana também estava destinada à destruição total, não tivesse o Vesúvio soter­rado Pompéia e Herculano sob lavas e cin­zas. Mas não se pode afirmar que os afres­cos destas cidades representassem a grande pintura da época. Pelo contrário, trata-se, pro­vavelmente, de obra de segunda categoria. Ain­da assim, pode-se ver, através dela, um domínio moderno da perspectiva e da noção de volume, que será perdido nas épocas sucessivas — a Românica e a Bizantina — para reaparecer na Europa Renascentista.


A Idade Média

O grande império mediterrâneo dos roma­nos veio abaixo no século V, devorado interna­mente pelo sistema escravocrata e externamen­te pelos bárbaros. No caos geral formaram-se Bizâncio e o Império do Ocidente. Em ambos, as artes são pálida sombra do que foram na Grécia.
Os dois impérios são cristãos. Em Bizâncio a arte volta a ser monumental e hierática co­mo no velho Egito. O afresco é quase completamente substituído pelo mosaico representan­do os imperadores semidivinos confabulando pessoalmente com Jesus Cristo ou com a Virgem, é uma arte que tem por função mos­trar ao povo a origem divina do poder impe­rial.
A pintura torna-se quase que só pintura de ícones — tábuas de madeira onde são repre­sentados os feitos dos santos —, executados pe­los monges. Ao contrário dos egípcios, que só representavam de perfil, os bizantinos só de­senham os rostos de frente. Os pigmentos das tintas eram dissolvidos em cola animal para aderirem à madeira. Ou então, misturados a resinas derretidas que penetravam a madei­ra, formando, quando secas, uma superfície brilhante.
No Império do Ocidente, aparece a arte Românica, que é de inicio a arte romana de generada _ e submetida a influências asiáticas Mas logo ela se torna uma pintura extrema­mente ingénua e popularesca, em que a ten­tativa de representar a natureza é substituída por uma figuração convencional estereotipada. Ainda assim, às vêzcs surgem delicadas figu­ras de santos, feitas por alguns mestres ingé­nuos. O Românico se extinguira com o flores­cer do Gótico (século XIII), período que cor­responde a um progressivo enriquecimento das cidades e refinamento das artes. Mas a rígida escola bizantina sobreviverá mesmo à queda de Bizâncio, continuando a existir na Grécia, na Rússia e nos Balcãs. A arte dos ícones apenas recentemente deixou de existir. Antes de de­saparecer fêz surgir de seu seio um grande mestre — Domenicos Theotocopulos, El Greco — que quando jovem estudou pintura com os monges gregos.

enc. conhecer abril

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A luta pela sobrevivencia


Laboriosas formigas correm de um lado para outro, transportam gigantescas fo­lhas, grãos de terra e migalhas, constróem sua casa e alimentam sua rainha. "Parecem gente!" Ê o primeiro comentário de quem se detém a observá-las. Mas entre a ativídade da formiga e a do homem há uma distância incomensurável. As formigas de hoje executam exatamente as mesmas tarefas c da mesma for­ma que sempre. As que viviam na

antiga Grécia desempenhavam funções iguais às das que trabalham num laboratório moderno, dentro de estufas criadas para observar seu "curioso" comportamento.
Uma das diferenças essenciais entre o honiem e os outros animais encontra-se no método de trabalho para transformar cada vez mais pro­fundamente â natureza que os rodeia. Servin­do-se de sua capacidade, êle se distancia dos companheiros do reino animal: êle progride, aperfeiçoa seus recursos. Assim, o homem de hoje executa as tarefas vitais, como seus an­cestrais dos tempos clássicos, porém com maior facilidade e menor esforço. Êle aperfeiçoou os instrumentos e meios de trabalho, inventou novos caminhos e descobriu novos recursos. O progresso marca a civilização humana atra­vés dos tempos.

Instrumentos, meios e fins

Sem a modificação e adaptação dos objetos da natureza para atender a suas necessidades, a vida humana não se teria desenrolado como mostra a realidade. As pedras, dispersas pela superfície da Terra, sempre estiveram à dispo­sição de qualquer animal, mas só o homem descobriu que podia amontoá-las, construir uma casa; para êle, deixam de ser simples pedras para transformarem-se em objeto de trabalho. E para possibilitar a transformação de tantos objetos que a natureza lhe oferece, são necessários instrumentos: paus e pedras passam a desempenhar o papel de ferramentas, logo completadas pelos metais, pelo fogo e pela agua. Os toscos instrumentos do homem primitiv: caminham para a grandiosidade das complica­das máquinas de hoje.
A análise e o estudo dos recursos que c homem descobriu para explorar a natureza permitem marcar bem as épocas de evolução das sociedades. Tanto que os grandes períodos da História são divididos de acordo com c instrumentos de trabalho: Idade da Pedra Las­cada, da Pedra Polida, do Bronze c assim por diante. O objeto final que se consegue por meio do trabalho não estabelece tanta diferença como os meios utilizados para chegar a esse fim. Tanto proporciona profeção a rústica ha­bitação de pau-a-pique quanto um modeme edifício de concreto armado. O que estabelece a diferença é justamente o material utilizado e a forma de aproveitamento dos recursos naturais. E esses materiais, extraídos da natu­reza para em seguida serem transformados, recebem, o nome de matéria-prima: é a pri­meira forma em que aparecem os elementos que serão transformados pelo trabalho do ho­mem. O petróleo extraído das profundezas da terra, ou a pedra que servirá para a ponta d& lança são igualmente matérias-primas.



Plantar para colher

Inicialmente, os alimentos estão à volta do homem, à sua disposição: para obtê-los, basta lutar e conseguir recolhê-los. Para superar os concorrentes — outros animais, outros homens — precisa de armas. Para apanhar os frutos, às vezes são curtos os próprios braços: o bastão surge como um prolongamento da mão, a pedra aparece como o melhor complemento para o punho fechado. Mas, para vencer grandes animais carnívoros, dois homens podem lutar melhor do que um sozinho. O instinto gregário manifesta-se desde o início. Os homens se associam para lutar, para construir habitações e, como nenhum outro animal, assimilam e aperfeiçoam as conquistas dos companheiros. Formam-se os primeiros agrupamentos, os bandos primitivos.
Mas também essa primeira fase evolui. O homem aprende a tirar da terra mais do que ela oferece espontaneamente: aprende que plantando dá. E para plantar, a organização é essencial. Ura só indivíduo não consegue cultivar uma boa porção de terreno c ao mesmo tempo cuidar das demais tarefas de luta com o meio: a caça, a pesca, a moradia. Como um início de divisão do trabalho, as mulheres dedicam-se a plantar, colher, cuidar da habitação c do vestuário. Os homens conti­nuam a ocupar-sc do restante. Mas as condições de domínio da natureza já são melhores: se não houver boa caça, sempre haverá algum produto da colheita.
O animal carnívoro que é o homem descobre também que, embora não cace, pode garantir seu alimento, guardando para si animais menos ferozes: aprende a pastorear.
Coleta, agricultura e pastoreio sâo as fontes básicas de recursos do homem primitivo. E a economia de base primária.


A força do trabalho

Com o passar do tempo, os instrumentos se diversificam e se aperfei­çoam, cada grupo começa a produzir mais do que o essencial para sua subsistência. Surge o excedente de produção. Nem todo alimento é consumido, mas em outros grupos, onde ocorre o mesmo, existem pro­dutos que o primeiro grupo não possui: nasce o comércio, a troca de bens excedentes. O homem descobre que pode mobilizar para a produção também a força animal e ampliar assim as trocas. Os mais bem suce­didos tendem a submeter os menos. Os grupos começam a lutar entre si, pela posse de territórios, pelo direito de explorar determinadas áreas.
Inicialmente, os prisioneiros de guerra são mortos, mas logo a seguir se percebe que é possível aproveitá-los, como mão-de-obra, transfor-mando-os em escravos. Com a escravidão, evolui um novo sistema de trabalho. A concentração de um grande contingente de força de tra­balho disponível possibilita os empreendimentos gigantescos das civi­lizações da Antiguidade. A partir daí, podem ser erguidas as pirâmi­des do Egito, os palácios da índia, as construções colossais da Assíria o da Babilónia, da Grécia e de Roma.
Com grande massa de mão-de-obra disponível, os senhores da terra evidentemente não precisam dedicar-se ao seu cuidado, ao pastoreio, à construção das casas e dos caminhos. Do trabalhador braçal, separa-se o dirigente. Isolado das atividades concretas de produção, o adminis­trador, o planejador e o estudioso vão dedicar-se a analisar, entender e procurar melhores fórmulas de aproveitar os recursos da natureza. Com o desenvolvimento das civilizações, surgem as atividades secundárias, que consistem na transformação das matérias-primas oferecidas pela natureza e elaboração de novas matérias-primas a partir dos recursos iniciais.
Com o evoluir da técnica, aprende-se a obter também a contribuição das forças da na­tureza: a água move engenhos, o fogo trans­forma metais. E de tantos complementos para a força de trabalho, nasce naturalmente a su­perprodução: o excedente de produtos. O co­mércio evolui c, com èlc, a prestação de ser­viços. Alguns homens dedicam-se apenas às tarefas de troca, sem ocupar-se de nenhuma atividade primária. Outros dedicam-se apenas às funções administrativas, às de planejamento, advogados, professores surgem e se especia­lizam de construções, às de atendimento das pessoas. Curandeiros, construtores, médicos, engenhei­ros.


Estrutura-se e desenvolve-se a sociedade, fundamentada em três tipos básicos de atividade: as primárias, da terra; as secundárias, da indús­tria, e as terciárias, do comércio e serviços.
Unidos pelo trabalho
No entanto, desde as primeiras fases de divisão da propriedade da terra, nem todo trabalhador é escravo. Há também os que alugam seus serviços, em troca do direito de ter sua terra, sua casa: são os servos. À medida que evolui o comércio, a divisão do trabalho, entre livres e servos ou escravos, sofre grandes modificações. Para que a produção aumente e com isso favoreça a troca dos bens, os senhores começam a recompensar o trabalhador pelo resultado obtido. Surgem os salários e, a partir daí, desenvolve-se uma nova espécie de grupo social: o dos traba­lhadores assalariados.
Livres da escravidão ou da servidão, os trabalhadores começam a agrupar-se, a unir-se para juntos defenderem sua posição. Desde a mais remota antiguidade, existiram associações de trabalhadores livres. Na Roma antiga, havia as de tocadores de flauta, de fundidores de ouro, ferreiros, sapateiros, curtidores, trabalhadores em bronze, oleiros. Or, artesãos, cm geral pobres e desprezados numa sociedade que ainda se servia, em grande escala, da mão-de-obra escrava, reuniam-se para realizar assembleias e celebrar sacrifícios' aos deuses. A partir dessas assembleias, regulamentaram-se os padrões de salários. É aproximada­mente o mesmo
tipo de associação que, na Idade Média, vai desenvolver-se sob o nome de corporação e
que, nos tempos modernos, recebe as carac­terísticas de sindicato: associação de
trabalhadores livres em determinada . profissão, que se dispõem a lutar juntos para
conquistar e defender direitos e prerrogativas.
Em 1258, foi publicado na França o "Livro dos Ofícios" de Paris, de autoria de Etienne Boileau. Pela primeira vez na história*, os ofícios — evidentemente os que eram desempenhados em Paris, naquela época —. são regulamentados e as leis que os regem são escritas e ordenadas. É feita inclusive a regulamentação do trabalho feminino, discriminando os ofícios exercidos exclusivamente por mulheres: ofíuios cuia matéria-prima é a seda ou o fio de ouro, por exemplo.
De certa forma, as corporações do século XIII cumprem o objetivo de oferecer proteção aos trabalhadores, garantir segurança às classes, e zelar pela honradez profissional de seus membros.



A máquina derruba o velho esquema

A era da chamada revolução industrial foi verdadeiramente revolu­cionária em toclos os sentidos. Em particular na especialização do traba­lho. Em muitos setores, a mão-dc-obra é complementada pela atuação de máquinas. O produto acabado, que antes requeria a ação de vinte trabalhadores, pode ser fabricado por apenas um. Com isso, a mão-de-obra supérflua se dispersa, migra, cria amplo mercado de oferta. E à medida que as antigas corporações entram em decadência, a técnica de produção, aprimorada com os novos recursos, permite a obtenção de melhor qualidade com menor volume de trabalhadores.
Aperfeiçoam-se os métodos de trabalho, começam a surgir as grandes indústrias, que requisitam considerável soma de capitais. Para isso, desenvolvem-se complexos sistemas de crédito e financiamento, e evolui mais uma forma de trabalho: a do burocrata. O aumento da produção traz novo impulso ao comércio. Parcialmente em função dele, desenvol­vem-se os sistemas de comunicação. Os trabalhadores de todas as par­tes do mundo distanciam-se cada vez mais do bando primitivo.
Surgem o vapor, o petróleo, o átomo. O homem utiliza cada vez me­nos sua própria energia. À medida que a máquina se impõe, torna-se menos nítida a divisão entre trabalho braçal e trabalho intelectual. Para manejar as máquinas, é essencial o uso da inteligência e da habilidade adquirida através do aprendizado, pois qualquer máquina depende do homem. A distribuição das tarefas e o cumprimento das funções exigem qualificações cada vez mais específicas. Com tudo isso, renova-se a antiga estrutura da divisão do trabalho c da organização das corporações medievais.
Para reivindicar melhores condições, os trabalhadores se congregam, mas de uma forma nova: basta que parem todos, para que pare a má­quina. Nasce a greve, como principal arma de conquista das reivindi­cações operárias. Por quase toda parte, organizam-se sindicatos.
As modernas agremiações de trabalhadores distanciam-se muito dás primeiras corporações de ofícios. A preocupação das corporações era assegurar o exercício da profissão aos que pagavam seus direitos; e, além disso, estipular os níveis do preço dos produtos. As condições de trabalho e remuneração ficavam a cargo de cada mestre.
Mas nos sindicatos de hoje o objetivo é, desde o início, lutar por melhores condições, como menor jornada de trabalho, garantia do em­prego, direito de associação, organização do trabalho e melhor remu­neração. Na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos, e por todos os países onde a indústria está em desenvolvimento cada vez mais inten­so, formam-se uniões de trabalhadores.



Organização do trabalho no Brasil

Como nas outras partes do mundo, também no Brasil se revelou a necessidade de regulamentar o trabalho, num corpo de leis. Embora já houvesse legislações anteriores, é em 3943 que são todas reunidas, pela primeira vez, na Consolidação das Leis do Trabalho. Entre outras coisas foram regulamentados o funcionamento dos sindicatos, as condiçõe trabalho fabril e de proteção ao trabalhador, e as relações entre empregados e empregadores; duração de trabalho, períodos de descanso, mão-de-obra feminina, trabalho noturno, férias, condições de higiene; iluminaçao e segurança são alguns dos pontos considerados. De acordo com a profissão, são estabelecidos os requisitos e os direitos dos trabalhadores, organizados dentro de agremiações de classe, que são os sin­dicatos.
Embora de 1943 para cá tenham sido introduzidas algumas modifi­cações na Consolidação, esta permanece em essência a mesma e ; regulamentação aborda aproximadamente os mesmos pontos. E es di­reitos e deveres de empregados e empregadores são julgados pela Jus­tiça do Trabalho.


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A Fé


Numa pacífica tribo de índios, prepa­ram-se os homens para a grande ce­rimonia. Cada um melhor que o outro, esmeram-se todos em pintar as faces, vestir trajes coloridos, pendurar pelo corpo objetos considerados mágicos. Vai realizar-se a "dança da chuva": os instrumentos espa­lham sons misteriosos, e o feiticeiro, mascara­do, toma o centro da roda que começa a se agitar. Batem palmas, pulam, contorcem-se ao ritmo da música; invocam o deus da chuva, há tanto tempo ausente de suas plantações.
Toca o sino da igreja matriz, numa cidadezinha do Nordeste brasileiro castigada pe­la seca. No interior do templo, soam os can­tos em louvor a Deus. Envergando os para­mentos bordados, o padre celebra o ritual da missa. Na igreja, repleta, os fiéis oram e pedem as bênçãos divinas e o alívio da longa seca.
Entre ambas as cerimónias, existe uma ba­se comum: a firme crença numa força so­brenatural, que tem o poder de alterar a vida sobre a Terra, regendo o destino das coisas e dos homens. Tanto para o homem primitivo que dança em torno do feiticeiro, quanto para os católicos durante a missa, o ritual sagrado cumpre uma função:liga o homem aos poderes sobrenaturais.
O sentido de vínculo está contido na pró­pria palavra religião, de origem latina (do verbo religare, isto é, atar, unir).
Muitas tribos vivem ainda hoje regidas por uma organização social bastante sim­ples, E desde os tempos mais longínquos sempre houve homens que viveram assim. São os grupos chamados "primitivos". Entre eles, as relações económicas, sociais e polí­ticas têm características muito especiais. E a religião é marcada por tudo isso. Ao estu­dar os costumes desses povos, os antropólo­gos constatam que sua religião nasce do sentimento de impotência diante das forças da natureza: a chuva, que ajuda as planta­ções, também pode precipitar-se e originar catástrofes; o rio que sobe em sua cheia, o Sol que ilumina o dia, a Lua com suas mu­danças; o pé de milho que explode da semente e cresce e se ergue e se multiplica — tudo na natureza envolve mistérios.
Pouco a pouco vão sendo elaboradas ex­plicações para esses fenómenos, que rece­bem nomes, transformam-se em seres bené­ficos ou benfazejos. Essas forças abstraias recebem forma: são peixes, são aves, são outros animais ou são pessoas. O incom­preensível desaparecimento dos mortos, so­bretudo dos que desfrutaram posições po­derosas, como os reis, chefes tribais ou feiti­ceiros, origina o culto aos antepassados.
As religiões tribais ainda hoje existem. É o caso dos papuas da Nova Guiné; dos melanésios do arquipélago de Bismarck; dos bosquímanos no sul da África, e de muitos outros povos "primitivos". E em geral é evi­dente o objetivo intrínseco da manifestação religiosa de tornar os seres divinos propícios, favoráveis aos desejos de quem os invoca por meio de cerimonias, orações e sacrifícios. E se a adoração não chega a conquistar as entidades sagradas, que ao menos as con­cilie com os homens.
O totemismo é uma forma de crença bas­tante comum a esses povos, e aparece bem determinado entre as tribos australianas. O clã, isto é, um grupo de pessoas ligadas por laços de parentesco, considera-se subordina­do a coisas sagradas: aos totens, que se apre­sentam sob a forma de animais (canguru, búfalo, águia), de vegetais (árvores, plan­tas), ou ainda elementos naturais (a chuva, os astros.). Ao mesmo tempo que é venera­do, o totem é um símbolo que identifica os clãs; a águia pertence a um, o carvalho a outro, etc.
Além do totem, outras forças sao funda­mentais nessas crenças das sociedades mais simples. O mana, por exemplo.
"O mana é uma força, uma influência de ordem imaterial e, em certo sentido, sobre­natural; mas é pela força física que êle se revela, ou então por toda espécie de poder e superioridade que o homem possui, po­dendo existir em qualquer espécie de coi­sa", assim o definiu Codrington, missioná­rio inglês que estudou as crenças australia­nas. A mesma ideia de mana aparece entre os índios norte-americanos, com o nome de wakan, orenda ou manitu.
Entre as sociedades primitivas é também comum a ideia de tabu. Esta palavra, de origem polinésía, indica proibição e tem por fim isolar o sagrado do profano, vetar ao homem o acesso às coisas e seres divini­zados. Como instituição social, o tabu é en­contrado praticamente em todo o agrupa­mento humano. Aquele que viola os prin­cípios estabelecidos é banido ou castigado pelo resto da comunidade. Assim, as crenças comuns são conservadas e preservadas de qualquer deturpação.
Também são comuns, entre povos menos evoluídos, as crenças animistas, que atribuem espírito à natureza e seus elementos, fenó­menos geográficos, animais ou plantas. O animismo envolve também a ideia de que os mortos surgem sob a forma de espírito no mundo dos vivos; e, nessas condições, podem protegê-los ou fazer-lhes mal. Exis­tem ainda hoje na Indonésia crenças ani­mistas que conferem alma ao arroz, que não pode ser ofendido com palavras ou atitudes

Outra forma de veneração às forças sobrenaturais é o fetichismo (do latim factitius, Esto é, coisa feita), pelo qual certos objetos. frequentemente talhados em madeira, ) tidos como dotados de poder, acreditan­do-se que sirvam de morada aos espíritos.

Os deuses à imagem do homem
De modo geral, pode-se dizer que todos os povos evoluíram a patir de princípios bastante semelhantes. Assim, a crença nas forças da natureza e a transformação destas em divindades aparecem em todas as antigas religiões. Egípcios, assírios, gregos e roma­nos tiveram seu deus do Sol ou da Lua, das florestas ou dos rios, conglomerados em verdadeiras "comunidades" divinas. Cada deus, como os homens, tinha seus traços fí­sicos definidos, seu caráter próprio com qua­lidades e defeitos, sua história particular. E chegava mesmo a comportar-se como ho­mem, manifestando sentimentos como rai­va, desejo de vingança, etc.
Partindo de bases semelhantes, as reli­giões foram-se diferenciando e aperfeiçoan­do à medida que se consolidava a estrutura diferente de cada grupo humano. De início, um ponto comum a todas elas foi o politeís­mo (do grego foly, muito; theos, deus), fé em muitos deuses, correspondentes às inú­meras forças desconhecidas, ou aos espíritos de homens considerados especialmente sá­bios.
O caminho da unidade
A partir do politeísmo, grande parte das religiões que já se tinham delineado evoluí­ram no sentido de realizar uma síntese: a união de todas as divindades.
Foi uma evolução lenta e progressiva. De início, um deus do múltiplo panteão pas­sou a desfrutar posição privilegiada entre os demais. Foi o caso de Amon, no antigo Egito, e de Zeus, no Olimpo grego. Em segui­da, o deus que mais se destacava tornou-se o centro de adoração, embora se admitisse a existência de muitos deuses: é a monolatria, que precede o monoteísmo.
Foi a partir desse ponto — o monoteísmo — que se originaram o cristianismo, domi­nante em quase todo o mundo ocidental, e o islamismo, comum ao mundo árabe. Ho­je, estas duas religiões e o judaísmo consti­tuem as três principais religiões monoteístas, que giram em torno de uma ideia bási­ca: a existência de um Deus único.


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Suplementaçao vitaminica-mineral

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SUPLEMENTAÇÃO
VITAMÍNICA E MINERAL NOVOS CONCEITOS EM MEDICINA.


DR.EFRAIN OLSZEWER.
Presidente de honra da AMBO(Assoc. Med. Brasileira de Oxidologia) Consultor Científico do Instituto Americano de Medicina Preventiva e da The Rheumatoid Foundation






VITAMINA

Denominação dada por Casimir Funk em 1912 indicando que seriam princípios ativos que deveriam estar deficientes nas doenças carenciais como o beribéri e o escorbuto.
As vitaminas devem ser com­preendidas como princípios nutritivos essenciais à manutenção das funções metabólicas. Não sendo contudo, sin­tetizados pelo organismo, precisam ser fornecidas por fontes exógenas quer na forma pré-formada ou como seus precursores químicos.
Devem ser classificadas como princípios de grande atividade, uma vez que agem em quantidades diminu­tas e porque participam obrigatoria­mente em numerosos processos orgânicos. Pelas suas indicações clás­sicas utilizaríamos as vitaminas nas carências primárias e secundárias:
As primárias evidentemente seri­am consequentes a uma carência vita-mínica fatal como a xeroftalmia(vita­mina A), o beribéri (tiamina), a pelagra (ácido nicotínico) e o escorbuto (vitamina C).
As formas secundárias são consti­tuídas por carências que surgem como circunstâncias diversas:
1. Alterações da absorção decorrentesde afecções hepáticas e gastrointes­tinais diversas;
2. Transtornos de utilização por faltade transformação da pró-vitaminaem vitamina ou desta nos seus pro­dutos de metaboli/ação, indispen­sáveis ao exercício do seu papelfisiológico, como pode ocorrer nacirrose hepática, nas hepatites, nohipotireoidismo e nas lesões destru­tivas do intestino;

Multivitaminicos

A característica mais importante de um multivitamínico, éde possuir todos os elementos necessários para o organismo,nas doses adequadas para poder atingir seus objetivos, sem neutralizar o efeito entre eles quando administrados fora das doses normalmente protocoladas. Se o objetivo é fazer uma suplementação nutricional ou uma complemêntação alimentar, ou finalmente atingir um efeito antioxidante é necessário utilizar as formas ativas de cada vitamina, assim como as ligações toleráveis para o organis­mo dos sais minerais, Controlando a interação entre eles, para poder atingir o sucesso terapêutico.



ACIDO FOLICO

É uma vitamina essencial para todas as células, colabora na síntese dos ácidos nucleicos, colina e em todas as enzimas necessárias para a multi­plicação celular.Regula o desenvolvi­mento das células neu­rológicas do feto e sua administração tem demonstrado reduzir a incidência de lesões no tubo neural.Essencial para a matu­ração do glóbulo verme­lho associado a vitamina B12, assim como na cons­trução dos aminoãcidos.



BIOTINA

Participa no metabolis­mo dos ácidos graxos, assim como na síntese de proteínas e carboidratos, ajuda na manutenção do metabolismo destesnutrientes.
Age como coenzima he­pática em diferentes processos metabólicos. Ajuda a preservar o fun-
cionamento de glândulas sudoríparas, glândulas sexuais masculinas, teci­do neurológico e medu­la óssea.



Calcio

É o quinto mineral mais abundante no corpo humano; representa entre 1000 a 1200 gramas do peso corporal. O cálcio mantém a inte­gridade do sistema esquelético, que usa 99% do cálcio corporal.
Participa na coagulação do sangue, na geração e transmissão de impulsos nervosos, na contração das fibras musculares, e na ativação de sistemas enzimáticos assim como na liberação de alguns hormônios.
E necessária a presença da vitamina D para potencializar a absorção do cálcio


cobre

E um nutriente essencial para o organismo huma­no, cuja deficiência ocorre somente em casos de má nutrição proteica, no Sprue e outras raras doenças que provocam perda de cobre pela urina.
O cobre é necessário para agir junto com o ferro para formar os glóbulos vermelhos, e representa um componente impor­tante na mielina que recobre os nervos.
Participa no metabolis­mo do colágeno que é a proteína estrutural mais abundante no organismo, assim como participa na formação dos pigmentos da pele.
O consumo excessivo de álcool e de alimentos ricos em frutose deter­mina estados de defi­ciência de cobre, e a administração de molibdênio pode precipitar uma maior perda de cobre pela urina.
O zinco em sua forma iônica é competidor nos receptores celulares do cobre, de onde a admi­nistração de cobre é de uma parte por cada 20 partes de zinco em média.
O cobre forma parte da enzima superóxido dismutase citoplasmática que precisa do cobre e do zinco para inibir os pro­dutos oxidativos prove­nientes do metabolismo de oxigénio.





Cromo

Encarregado de regular os níveis de glicose plasmática, trabalha junto com insulina para permi­tir a entrada da glicose no interior dos tecidos.
É um mineral muito importante por regular a tolerância ao açúcar.
Os níveis de cromo diminuem na criança, em pacientes com diabetes, e nas doenças coronari-anas (associadas a patolo­gia aterosclerótica).
É importante destacar que o cromo trivalente é a única forma terapêuti­ca tolerada pelo organismo; a forma hexavalente é tóxica.
Pacientes que têm alto consumo de açúcar pre­cisam de um aporte maior de cromo, porque estes pacientes apresen­tam uma perda maior deste mineral pela urina.


Estanho

Considerado como necessario para o desenvolvimento adequado das celulas

Ferro

É necessário para pro­duzir hemoglobina, que é o pigmento encarrega­do de transportar oxigénio pelos glóbulos vermelhos, assim como da mioglobina que é um pigmento similar deposi­tado nos músculos.


Fosforo

Junto com o cálcio me­lhora a resistência óssea e dos dentes, ambos con­tém 85% do fósforo que existe no organismo. O resto do fósforo é uti­lizado em uma série de reações químicas principalmente para formação de energia, via o meta­bolismo dos: carboidratos, gorduras e formação de proteínas.
O metabolismo normal do fósforo precisa de uma boa quantidade de vitamina D; assim, quan­do caem os níveis de fós­foro, maior quantidade de vitamina D é produzida para melhorar a reab­sorção do fósforo.



Iodo

É melhor conhecido pela sua deficiência, pro­duzindo alterações bociogênicas a nível da glândula tireóide. Tem se associado o uso de iodo na proteção contra os efeitos tóxicos de mate­riais radioativos, fato comprovado em Chernobil. Participa diretamente no metabolismo dos hormônios tireoideanos. Diminui as dores etensão nas mulheres com doença fibrocistica da mama e principalmente na fase pré-menstrual. É um mineral ricamente distribuído nos oceanos.

Magnesio
Aproximadamente mais da metade das 25 gramas de magnésio que o orga­nismo do adulto contém, encontra-se localizada em 1% dos fluídos cor­porais, e o resto nos mús­culos, tecidos moles e ossos.
O magnésio é pobre­mente absorvido no trato gastrointestinal de modo que 60-70% do mesmo é excretado pelas fezes, porém, em dietas baixas em magnésio o organis­mo absorve até 75% do que é administrado. magnésio é um impor­tante cofator ou coenzima de mais de 300 reações enzimáticas, par­ticipa na produção de energia, no metabolismo da glicose, na oxidação dos ácidos graxos e na ativação dos aminoácidos. Participa na síntese e na transmissão do códi­go genético do DNA e RNA, e na formação do AMP cíclico.
Tem importante ação vasodilatadora, anti-arritmogênica, relaxante muscular e ação seda­tiva. Quando o ácido fólico é administrado no organis­mo, é necessário admi­nistrar uma dose maior de magnésio, porém uma dieta rica em gorduras reduz a absorção de mag­nésio porque as gorduras c o magnésio se juntam para formar compostos tipo espuma que o trato gastrointestinal não con­segue absorver. A defi­ciência de vitamina E pode provocar uma defi­ciência de magnésio tecidual. O consumo ele­vado de açucares aumen­ta a necessidade de mag­nésio no organismo.


Manganês

É necessário para metabolizar adequadamente as gorduras ingeridas, participa no metabolismo ósseo e dos tecidos conectivos para produzir energia, assim como par­ticipa no processo de multiplicação celular per­mitindo uma melhor dis­posição do colesterol dos ácidos nucleicos. Os pacientes deficientes cm ferro terão uma maior absorção de manganês que pode determinar problemas tóxicos, tipo Síndrome de Parkinson-like, porém, quando existe muito ferro, dimi­nui a absorção de man­ganês, de onde se con­clui, que o manganês tem efeito antioxidante por regular as concentrações plasmáticas livres de ferro.
Forma parte da atividade da enzima superóxido dismutase mitocondrial, principal fonte de pro­dução de ATP e dos Radicais Livres prove­nientes do oxigénio no metabolismo aeróbico.

Molibdênio

Participa no metabolis mo do ferro no fígado, age como cofator de muitas enzimas, porém sua participação mais importante é no controle da gota, por ajudar o organismo a metabolizar
e remover o ácido úrico. Molibdênio pode aumentar a excreção de cobre.


Níquel

Em 1970 foi definido que o níquel em pequeníssi­mas quantidades é essen­cial para o organismo, participando como cofator ou coenzima nas milhares de reações que existem dentro do orga­nismo para obter a homeostase. Quanto maiores as necessidades de ferro no organismo, maiores sao as necessidades de níquel . Nos pacientes com psoríase tem se encontrado níveis baixos de níquel.

Potássio

É o maior íon que se encontra dentro das célu­las, porém se mantém em constante equilíbrio com a pequena quantidade de potássio que se encontra fora da célula, e este potássio extracelular é de uma importância crítica ao contribuir para a pas­sagem dos impulsos ner­vosos através do corpo, controlando as contrações musculares, inclusive do músculo cardíaco, e ajudando a manter os níveis pressóricos. Os rins controlam a eli­minação do potássio, porém, o mesmo se eli­mina em pequenas quan­tidades pelo suor e pelo trato gastrointestinal.

Selenio


A importância deste oligoelemento para hu­manos é conhecida desde 1979, porque cientistas da China descobriram que podiam tratar uma miocardiopatia (Doença de Keshan) que afetava principalmente homens jovens e crianças, com a administração de selênio. A partir desse momento foi determinado seu alto potencial antioxidante, por formar parte da porção ativa da enzima glutationa peroxidase, que é a enzima endóge­na que inibe os peróxidos lipídicos.
O selênio potencializa a vitamina E, sendo esta, uma segunda via alterna­tiva para inibir a peroxidação dos lipídios. Tanto a vitamina E, como a vitamina C, melhoram o poder de absorção de selênio dentro do orga­nismo, e a deficiência destas vitaminas deter­mina uma absorção defi­ciente de selênio, con­comitante com a perda de seu poder antioxidante.


Silício

É muito parecido com o elemento carbono, porém sua participação dentro do organismo parece ser muito importante, porque liga as subunidades fibrosas da elastina e do colágeno dando sua força e resistência. Participa no metabolismo ósseo, e alguns dados sugerem que ajuda a clarificação óssea após traumas.
O uso de altas doses de fibras, molibdênio, magnésio e flúor alteram sua absorção, podendo provocar deficiências, sem caraterísticas clíni­cas conhecidas (pode determinar deficiência na formação óssea, e tecidos fibrosos fracos).


Vanádio

Somente em 1974 foi estabelecido que o vanádio seria necessário para manter um equilíbrio no estado de saúde, partici­pando dos diferentes processos metabólicos necessários para for­mação de energia, agin­do como cofator ou aju­dando a acelerar as reaçòes no metabolismo dos carboidratos e gor­duras, assim como fortalecendo os ossos e dentes.
Para sua absorção utiliza os mesmos meios de transporte que o ferro.




Vitamina B12

(COBALAMINA, CIANOCOBALAMINA)


Age como coenzima em todas as células e na sín­tese de ácidos nucleicos. Ajuda na síntese de pro­teínas e gorduras. Essencial para manu­tenção da saúde das célu­las neurológicas e os teci­dos membranosos, além de ser importante e fun­damental para a matu­ração dos glóbulos ver­melhos. Age como coenzima para o metabolismo do fíga­do, rim, coração, nervos, ossos e pele.
A deficiência da vitamina B12 provoca a anemia perniciosa.




Vitamina K

Pertence ao grupo das filoquinonas nas plantas e da menaquinonas nos animais, e é uma vitami­na lipossolúvel. A
defi­ciência em humanos praticamente é desconhecida porque a vitami­na K é sintetizada através das bactérias existentes no trato gastrointestinal. Quando existem situações que diminuem a absorção de gorduras pelo intestino, pode haver deficiência de vitamina K. Esta situação também pode acontecer, quando são administrados antibióticos em alta con­centração e por períodos prolongados de tempo.
A função mais importante da vitamina K é manter os sistemas de coagulação em perfeito funcionamento, e partici­pa ainda no processo nor­mal de calcificação óssea agindo como cofator de enzimas de carboxilação.
Possui algumas pro­priedades antioxidantes.



Vitamina B1

(CLORIDRATO DE TIAMINA)

Vitamina hidrossolúvel, que deve ser administrada diaria­mente; mantém o fun­cionamento energéti­co normal do organis­mo e participa da descarboxilação dos alfa cetoácidos e da atividade da transcetolasa no ciclo da pentosa fosfato.
Os níveis de tiamina podem ser medidos pela estimulação da tiamina pirofosfato transcetolasa do eritrócito, e os níveis aceitáveis encontram-se abaixo de 10% .
Vamos ter uma grande riqueza de vitamina B 1no levedo, no ovo, no amendoim, no girassol e principalmente no germe de trigo.


Vitamina B2

(RIBOFLAVINA)
Colabora no metabolis­mo dos ácidos graxos, age junto com a vitami­na A na preservação das membranas mucosas, ajudando a preservar a saúde da pele, olhos e sis­tema nervoso central. Age como coenzima celular ajudando a trans­formação de proteínas em energia, e colabora também no metabolismo dos carboidratos.
Participa na formação de hormônio de crescimento, insulina e tiroxina. Ajuda no crescimento e desenvolvimento fetal, interagindo com a vita­mina E. As fontes princi­pais se encontram nas carnes (fígado), amên­doas e levedo


Vitamina B3

(NIACINA, ACIDONICOTÍNICO, NICOTINAMIDA)

A nicotinamida é a amida do acido nicotínico; agem como coenzima no metabolismo de proteí­nas, gorduras e carboidratos. Participa diretamente na formação de sais biliares ajudando a digestão dos ácidos graxos que permitem uma melhor absorção das vi­taminas lipossolúveis.
Igual a ribofíavina (B2), colabora na formação do hormônio de crescimen­to, insulina e da tiroxina. A administração da vitamína B3 produz uma diminuição dos níveis de colesterol e triglicerídios circulantes, e no estudo realizado pelo grupo Coronary Drug Project, consegue melhorar a sobrevida dos pacientes (que utilizam a vitamina B3) comparado com outros hipocolesterolemiantes.




Vitamina B5

(ACIDO PANTOTÊNICO OU SOB A FORMA DE PANTOTENATO DE CÁLCIO)

Participa na formação da acetil CoA, e dos grupos acil. A sua deficiência está associada a câimbras, fadiga, insónia e parestesias.
Pesquisas realizadas têm relacionado a vitamina B5com aumento na quali­dade de vida na fase do envelhecimento, partici­pa como antioxidante contra os peróxidos lipídicos e também con­tra os oxidantes produzi­dos pelos poluentes ambientais.
Junto com outras vitami­nas do complexo, A, C. E, zinco e selênio, dimi­nui a formação de lipofucsina que é um metabólito final da peroxidação lipídica, e ajuda a converter a lecitina e colina em acetilcolina.
Diminui a auto-oxidação da L-dopa como acetil­colina. Participa inibindo os radicais livres no sis­tema nervoso central durante os processos de isquemia e hipóxia cere­bral



Vitamina B 6

(PIRIDOXALFOSFATO,PIRIDOXINA,PIRIDOXAMINAFOSFATO)

Participa no metabolis­mo das proteínas, facili­tando a conversão de metionina em cisteína. Esta última, forma parte da enzima glutationa peroxidase (que inibe a formação de peróxidos lipídicos). Na deficiência de vitamina B6 se forma cistina que pode agir como agente de lesão química endotelial, favorecendo a evolução de aterosclerose.
É utilizada na profilaxia da Síndrome do Túnel Carpiano (Doença de Dupuytren), e na Síndrome de tensão pré-menstrual. Mais de 60 enzimas dentro do orga­nismo dependem da pre­sença da vitamina B6 para poder funcionar ade­quadamente.



Vitamina C


É uma coenzima essen­cial na produção do colágeno, hormônios esteróides, pigmentos e certos componentes das células e dos tecidos membranosos. Protege a vitamina A e a vitamina E dos processos oxidativos e age como varredor dos radicais hidroxila.
Regula o metabolismo dos aminoácidos, e me­lhora a capacidade elás­tica das artérias, princi­palmente as de pequeno calibre. A sua deficiência esta associada a fragili­dade capilar, uma das caraterísticas do escorbuto.
Pelas suas propriedades antioxidantes protege as membranas celulares de processos lesivos, como os poluentes, venenos e outras substâncias.
Aumenta a absorção de ferro, acelera os proces­sos de cicatrização e ajuda a proteger as célu­las contra o processo de stress.
Melhora o potencial imunológico, aumentan­do a capacidade fagocitária dos leucócitos, por aumentar o ascorbato leucocitário. Inibe a formação de nitritos em nitrosaminas (estas últi­mas substâncias são co­nhecidas em promover mutações genéticas nos tecidos).
A vitamina C ajuda na produção de hormônios adrenais e do sistema reprodutivo.
Participa no metabolis­mo das gorduras, poden­do ter efeito protetor sobre os fenómenos oxidativos do colesterol, fenómeno este, que ace­lera a arteriosclerose.
A vitamina C não é sin­tetizada no organismo.




Vitamina D

(ERGOCALCIFEROL)

Vitamina lipossolúvel, onde o sol participa através dos raios ultravio­letas para sintetizá-la no organismo humano.
Estimula a absorção intestinal de cálcio, porém, como cálcio e ferro competem entre eles para sua absorção, altas doses de vitamina D, podem determinar uma deficiência de ferro.
A vitamina D, aumenta a absorção intestinal de magnésio que é um dos "sócios" do cálcio para a manutenção do sistema ósseo.
Age ao nível renal per­mitindo uma reabsorção de fosfatos, outro ele­mento que age como "sócio" do cálcio na manutenção do tecido ósseo. A função mais importante é agir princi­palmente mantendo a integridade óssea e aumentando a absorção de minerais requeridos para manter a estrutura do esqueleto.


Vitamina E

(ACETATO DE dl-ALFA TOCOFEROL)

Poderoso antioxidante que inibe a formação dos peróxidos lipídicos (estes são auto-sustentáveis pelo metabolismo das prostaglandinas).
Ajuda a regenerar outras vitaminas lipossolúveis e a vitamina C quando são utilizados na luta contra os processos oxidativos.
A vitamina E é essencial para o funcionamento da maior parte dos sistemas do organismo, porque ajuda a manter a integri­dade das membranas celulares.
Tem efeito protetor para o organismo, contra agentes tóxicos que podem ser criados pelo metabolismo e degra­dação dos elementos do organismo. Ajuda no crescimento norma) dos tecidos em geral e tam­bém no desenvolvimento dos tecidos musculares do organismo, assim como o protege frente aos processos nocivos resultantes do stress. E urn agente desintoxicante e previne os processos oxidativos; inibe o acú­mulo de metabólitos da peroxidação lipídica (como a lipofucsina) e do material ceróide. A vita­mina E, agindo dessa maneira, pode ser uti­lizada na profilaxia do envelhecimento.



VITAMINA A

É essencial para a visão, pele e membranas mu­cosas, crescimento celu­lar, reprodução e a manutenção do sistema imunológico.
A Vitamina A c atual-mente usada como descrição mais genérica dos compostos que apre­sentam as propriedades biológicas do retinol. O retinol é então denomi­nado dessa forma por sua relação com a retina do olho, é lipossolúvel, e é a vitamina essencial para manter a visão noturna. As melhores fontes ali­mentares de vitamina A estão no fígado e nos peixes. O caroteno (pró-vitamina A) é fonte notavel­mente potente de vitami­na A, sendo o beta-caroteno o mais ativo carotenóide encontrado principalmente na cenoura, espinafre, abó­bora, brócoli, etc. Existem mais de 500 va­riedades de beta-caroteno, sendo a maior parte não assimilável pelo organismo humano.
Sabe-se que cada 6 mcg de betacaroteno vão se converter em 1 mcg de retinol e o betacaroteno tem poderoso efeito antioxidante varrendo o oxigénio singlet ('Oi), espécie tóxica de oxigénio, entre outros. O betacaroteno deve ser considerado como um componente aporte, já que o mesmo não é tóxi­co para o organismo, fato que o diferencia da vita­mina A, que pode acu­mular-se principalmente a nível hepático quando administrada em doses maiores que 20.000 U.T. por períodos prolongados de tempo.
Os níveis plasmáticos aceitáveis de beta­caroteno giram em torno de 40 mcg/dl, entretanto os de vitamina A giram em torno de 20 mcg/dl.



Zinco
Neste último caso geral­mente é associado a vita­mina A, porque participa na produção de proteínas e ajuda a copiar o códi­go genético que passa de célula a célula. Participa como colaborador em mais de uma dúzia de Sua participação é necessária para o cresci­mento adequado da pele, cabelo, unhas, e no processo de cicatrização. reações enzimáticas, sendo uma delas a enzi­ma gustin que participa na manutenção do senti­do do gosto.
Age como desintoxicante, principalmente na eliminação do álcool, e removendo o excesso de dióxido de carbono.
Participa do núcleo ativo da enzima superoxido dismutase (SOD), sendo sua presença de extrema importância para que a enzima SOD possa realizar suas atividades antioxidantes nos produ­tos do metabolismo oxidativo do oxigénio.
Tem uma interação com uma série de minerais; o mais importante é o cobre, já que o aumento de zinco diminui o cobre e vice-versa, e já que ambos passam pelo mes­mo canal iônico celular.


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“Prodome”

Revoluçao, busca de novos caminhos

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Revoluçao
A busca de novos caminhos


Ao longo do processo de evolução da sociedade humana, presenciamos uma luta contínua pelo controle do poder. Em todas as épocas, manifestaram-se movimentos que levam ao poder — ou afas­tam dele. — faraós, reis e imperadores. Na maioria não constituem, propriamente, o que chamamos hoje de revolução — são consi­derados apenas rebeliões ou insurreições.
A revolução, segundo o conceito atual, é um movimento que provoca mudanças bruscas, às vezes violentas, na estrutura po­lítica, económica e social de um Estado. Só na Idade Moderna surge com essas carac­terísticas bem definidas. O movimento con­siderado como padrão desse conceito é o pro­cesso revolucionário francês, que se mani­festou entre 1787 e 1794, e atingiu seu pon­to máximo em 1789. Por isso é também cha­mada "Revolução de 1789". Sua importân­cia como marco está no fato de ter tido re­percussão mundial, por sua violência e por suas causas, comuns a praticamente todos os outros movimentos que irromperam no fim do século XVIII. Os modelos de ação e ideo logia, lançados por ela, orientam os movi­mentos posteriores, que ocorrem por toda a Europa em 1830 e 1848. É nesse período que se formam as diferentes correntes po­líticas que serão responsáveis pelas revolu­ções modernas e contemporâneas.

Correntes da politica
Após a queda de Napoleão, o Congresso de Viena (1815) restabelece os regimes absolutistas. E logo se formam os grupos de oposição a eles. As tendências da oposição são justamente as que. marcaram as três grandes fases da Revolução Francesa: moderada-liberal, constituída pela aristocracia liberal e a alta classe média; radical-democrata, representada pela pequena burguesia e intelectuais; e a socialista, constituída pela recém-formada classe de operários in­dustriais.
A primeira tendência inspirava-se nos ideais da fase de 1789-1791, em favor da monarquia constitucional parlamentar e do voto censitário, isto é, de acordo com a ren­da dos eleitores. Suas reivindicações estão contidas na Declaração dos Direitos do Ho­mem e do Cidadão, de 1789, que é um mainfesto contra o poder da nobreza e da mo­narquia absoluta. Nele se defende, contudo, a propriedade privada, que é considerada "um direito natural, sagrado, inalienável e inviolável" e aceita-se a existência da dis­tinção de classes.
A segunda tendência origina-se no regi­me de 1792-1793, tendo como objetivo po­lítico uma república democrática. Seus prin­cípios baseiam-se na Constituição Jacobina, que previa o sufrágio universal, o direito de insurreição e estabelecia os fundamentos de uma assistência social às camadas mise­ráveis da população, cabendo ao governo fornecerlhes trabalho e auxílio direto. Es­tabelecia, ainda, a instrução pública para todos. Foi a primeira constituição realmen­te democrática promulgada por um Estado moderno.
A terceira tendência surge das rebeliões posteriores ao período termidoriano da Re­volução, principalmente da "Conspiração dos Iguais", liderada por Babeuf em 1794. Considerava a igualdade política insepará­vel da igualdade social e acreditava na pos­sibilidade de um domínio direto do povo sobre os órgãos do Estado. Preconizava uma economia controlada e a reorganização sis­temática da vida social, por meio da pro­priedade coletiva e do ensino público obri­gatório, para a transformação da mentali­dade das massas. Representa o início de uma linha socialista de pensamento..
Apesar das diferenças nas linhas políti­cas, todas essas tendências uniam-se diante do inimigo comum, a monarquia absolutis­ta. Embora se guiassem por princípios esta­belecidos na Revolução de 1789, as revo­luções do século XIX eram planejadas e cuidadosamente estudadas, baseando-se nos modelos por aquela oferecidos.



As sociedades secretas
O período de 1815 a 1830 é marcado pe­las conspirações seguidas de tentativas de estabelecer a "monarquia constitucional em toda a Europa. A oposição à restauração do absolutismo resumia-se, em geral, a grupos formados por intelectuais e pessoas ricas, se­guidores da linha radical-democrática. Mas suas reivindicações limitavam-se ao plano político; não apresentavam programa algum de modificações sociais em outros setores. Com exceção da Inglaterra, onde a situação política e económica era peculiar, não havia diferenças flagrantes entre as correntes opo­sicionistas europeias. Os revolucionários consideravam-se como grupos decididos à lu­ta pela emancipação da massa que, embora lhes fosse favorável, nada faria para parti­cipar ativamente da luta. Encaravam a re-v volução como um fenómeno europeu, um movimento global indivisível, e não local ou nacional. Adotavam, inclusive, a mesma for­ma de organização: a sociedade secreta insurrecional.
A mais conhecida dessas sociedades foi a dos "carbonários", assim chamados por ser constituída de lenhadores carvoeiros (carbo-nari, em italiano), que se reuniam nos bosquês. Esse grupo formou-se na Itália, de­pois de 1806, e estendeu-se por toda a Eu­ropa a partir de 1815. Alcança seu apogeu no período de 1820 a 1821, sendo que mui­tos de seus organismos foram virtualmen­te destruídos em 1823. Mas permanece co­mo linha de organização revolucionária mui­to importante, até depois dos movimentos de 1830. Era formado por grupos hetero­géneos; no entanto, estavam todos unidos pelo ideal comum de oposição ao absolu­tismo.
A vitória dos movimentos revolucionários, ainda que passageira, dependia da adesão da classe militar. Na França e na Rússia, por exemplo, onde não foi conseguida, fra­cassaram. Já na Espanha, Nápoles e Sar­denha, onde foram apoiados pelos militares, são vitoriosos; e conseguem forçar os sobe­ranos absolutistas a promulgar constitui­ções ou restabelecer as que haviam sido abo­lidas. A adesão da classe militar a esse mo­vimento explica-se por sua composição, pois nela havia grande número de oficiais não-aristocratas.
Por volta de 1823, entretanto, todos os regimes constitucionais haviam sido derro­tados, devido à intervenção estrangeira: da França na Espanha e da Áustria na Sardenha e Nápoles. Somente a revolução grega de 1821 conseguiu manter-se, isso porque não apenas desencadeou a revolta popular geral, mas contou também com o apoio de grandes potências. A Rússia, a Inglaterra e a França, empenhadas no enfraquecimento do Império Otomano, do qual a Grécia fa­zia parte, não hesitaram em ajudar o mo­vimento rebelde.

A fase revolucionária
Por toda a Europa rebentam movimentos revolucionários em 1830 e 1848, num clima de inquietação social e económica provoca­do pelas transformações que marcaram o fim do século XVIII e princípios do XIX. São repercussões de uma nova revolução, mas esta de natureza bem diferente: a cha­mada Revolução Industrial.
No plano político, as transformações de estrutura que caracterizam a nova era in­dustrial tornam possível a revolução de mas­sas, no modelo da de 1789; a atividade das sociedades secretas torna-se desnecessária. Por outro lado, o desenvolvimento urbano atraí para as cidades a mão-de-obra dos cam­pos. Dessa forma, passa a delinear-se uma nova estrutura, mais adequada à realidade industrial. As linhas políticas dividiram a Europa em duas grandes, regiões; na área a oeste do Reno, predominam as tendências liberais. A leste do Reno a situação conti­nua como antes: todos os movimentos con­tra o absolutismo, que ainda perdura, são derrotados pelos austríacos e russos.

Contra a monarquia
Uma reação nacionalista contra o inter-nacionalismo carbonário ganhou terreno e captou grande parte da esquerda europeia, após 1830. Os liberais ainda aceitavam uma possibilidade de conciliação. Acreditavam que se o monarca aceitasse pautar seu go­verno por uma constituição democrática, era bastante viável e até mesmo desejável que ele se mantivesse no poder.
Mas os radicais não aceitavam a con­fiança dos liberais nos príncipes e potenta­dos. Achavam que os povos deveriam prepa­rar-se para conquistar a liberdade por seus próprios esforços e não esperar que alguém lha quisesse outorgar. O mesmo sentimento era professado pelos socialistas, herdeiros do chamado babeuf ismo, a linha liderada por Babeuf na terceira fase da Revolução Francesa.


O princípio da revolução social dividiu os radicais da classe média, na França, ho­mens de negócios e intelectuais, que se opu­nham aos governos liberais moderados. Na Inglaterra, a maior parte da oposição libe­ral' colocou-se contra os movimentos das clas­ses trabalhadoras.
Apesar de divididos pelas condições lo­cais, pelas nacionalidades e pelas classes, os movimentos de 1830 e 1848 conservavam muitas coisas em comum. Continuavam sen­do, cm sua maior parte, organizações em que predominavam a classe média e os inte­lectuais. Ao estourarem as revoluções, o po­vo muitas vezes unia-se a elas; mas em ge­ral não participava ativamente da elabora­ção do movimento. E o padrão de estratégia e tática mantinha-sc o mesmo, com base na experiência herdada da Revolução de 1789, quaisquer que fossem suas linhas, modera­das ou radicais, conforme a situação política e social de cada país.
As palavras de ordem da Revolução Fran­cesa mobilizavam grandes setores da popu­lação. Isso era compreensível, uma vez que seus princípios — liberais e igualitários — não se haviam concretizado ainda na maior parte da Europa. Em 1848, somente a alta burguesia participava do setor governamental; e, mesmo assim, apenas em alguns paí­ses. A monarquia absoluta e a aristocracia ainda perduravam em muitos lugares. Por­tanto, permanecia ainda como reivindicação atua] a liberdade de expressão, a igualdade de oportunidades, que eram o objetivo da luta em 1789.
Dessa forma, todo o cenário político euro­peu foi, pelo menos até 1848, dominado por objetivos e métodos surgidos na grande Re­volução Francesa. Pouco a pouco, os méto­dos e mesmo os objetivos foram sofrendo transformações. No final do século XIX e no decorrer do século XX, os movimentos revolucionários, em todo o mundo, assumi­riam novas características. Para isto, contri­buiriam as grandes transformações no cam­po económico e social, derivadas da indus­trialização crescente, e a queda da monar­quia, na maior parte dos países.

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Fontes

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enciclopedias Barsa, conhecer, Delta, entre outras, almanaques, jornais,
bulas...