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A mais antiga das artes IV
Há uns 600 mil anos, o gelo cobria todo o norte da Europa. Ao sul, da França Urais, estendia-se a Grande Tundra onde galopavam renas e bisontes, pastavam mamutes e rinocerontes lanudos. Atrás das imensas manadas andavam os homens; tribos nómades de caçadores que deviam levar uma vida semelhante à dos índios americanos da pradaria. Os animais forneciam tudo: peles para vestir e deitar, ossos para instrumentos e adornos, carne para comer, gordura para as lâmpadas. A idade áurea da caça e da pesca na Europa. Os caçadores magdalenienses (esse é o nome dado modernamente à sua cultura) faziam coisas quase inexplicáveis para um homem moderno. Metiam-se em profundas cavernas, ainda hoje dificilmente exploráveis com nossos recursos, carregando lenha, armas, e potes de tinta preta e tinta vermelha — fabricadas misturando gordura com carvão e terra vermelha. Às vezes, para atingir o ponto desejado — amplos salões subterrâneos — era preciso vadear rios perigosos, descer por escarpas íngremes, onde, certamente, muitos morreram. Aparentemente, a regra era: quanto mais oculto, melhor. Atingidas as vastas galerias e salões que tanto esforço custara descobrir, acendiam-se fogueiras e os feiticeiros pintavam nas paredes (com os dedos ou pincéis primitivos os animais que viviam lá fora na tundra. Mas só os animais de caça. Nada que não fosse útil era representado. Em seguida dançava-se e as figuras eram golpeadas com lanças e flechas — ritos propiciatórios da caça. Para o caçador, de alguma maneira obscura, o destino do animal a ser caçado era selado de antemão naquela caverna.
O descuido dos pintores com sua obra era total. Uma vez usada, a figura era desprezada: raspava-se ou pintava-se por cima, como se não existisse.
Mas o eixo do planeta continuou a deslocar-se em sua lenta progressão milenária. Na nova inclinação os gelos recuaram sob a luz do sol, a tundra desapareceu, os ricos campos de caça sumiram. Privadas de sua fonte de vida, as tribos definharam, dispersaram-se acompanharam as pequenas manadas restantes, cada vez mais para o norte. As cavernas foram fechadas pela terra, desmoronaram, ou foram levadas pelos rios. Quinze mil anos depois um garoto que brincava no mato, nos Pireneus, enfiou-se por um buraco no chão, viu alguns desenhos nas paredes e foi correndo chamar o pai. Assim ocorreu a descoberta da arte pré-histórica. Os desconhecidos autores dos desenhos das cavernas muito estranhariam o interesse por sua obra — eles que tão pouca importância lhe davam. Não sabiam, mas haviam produzido a primeira grande arte de nossa espécie. São desenhos de uma habilidade fabulosa. Poucos traços e os animais surgiam vivos das paredes, galopando, pastando, morrendo, lutando. Tal poder de síntese só seria conseguido muito mais tarde, na pintura chinesa e na japonesa,
A idade áurea da caça e do desenho fenecera sem deixar herança, como uma flor sem raízes. A vida cultural e, portanto, a tradição artística dependiam da existência das manadas. Acabadas estas, desfez-se a cultura magdaleniense, sem deixar herdeiros. Esses caçadores não foram os únicos a pintar em cavernas e lajes. Na Rodésia, no Saara, na Noruega, mesmo no Brasil, há pinturas rupestres de primitivos. Mas nada se compara à extraordinária e efémera floração da arte magdaleniense. Só com o aparecimento da agricultura tornaria a surgir pintura comparável à das cavernas de Lascaux (França) e Altamíra (Espanha).
A arte dos impérios camponeses
Entre seis e cinco mil anos atrás, nos férteis vales do Indo, Nilo e Tigre-Eufrates, surgiram as primeiras cidades. A agricultura recém-descoberta permitiu aos homens abandonar a vida nómade e fixar-se num território. Nas cidades a divisão do trabalho e da posse fêz aparecerem as classes sociais, entre elas a dos artesãos, gente especializada em esculpir, pintar, moldar, fundir. Ricos mercadores enco- mendavam objetos de luxo — o que fez surgirem as artes suntuárias e, certamente, a pintura de tecidos para roupa.
Mas a grande pintura, ainda dessa vez, desenvolveu-se ligada à magia. Se antes era preciso propiciar os espíritos da caça, agora tratava-se de cair nas boas graças dos espíritos da chuva, do vento, do granizo, da seca. Os sacerdotes tinham por nova função assegurar a fecundidade da terra e a benignidade do céu. Mesmo antes que nas primitivas cidades surgissem os palácios principescos, os primeiros edifícios foram templos e neles devem ter-se produzido os primeiros afrescos — nova técnica de pintura que surgiu com a arquitetura. Entretanto, o mais antigo fragmento conhecido dessa técnica pertenceu ao palácio real de Mari, na Mesopotâmia — uma cena de sacrifícios animais. Sua preservação é um verdadeiro milagre realizado pelas areias desérticas que o recobriram. O afresco é um método de pintura com resultados delicadíssimos. Os pigmentos são empastados com ovos e aplicados diretamente no estuque fresco — daí o nome.
Ao contrário do vigoroso naturalismo que fora a arte dos magdaleníenses, a pintura mural do Egito e da Mesopotâmia é hierática e solene. Não retrata o mundo, mas cosmogonias — tentativas de explicação da origem do Universo — e aventuras dos deuses. A vida diária nunca é representada. Apenas um pouco da vida da corte transparece aqui e ali, num pequeno trecho de parede, no coração das pirâmides que os faraós erigiam para preservar eternamente seus corpos. Uma ou outra cena de caça, pesca e dança, em que um povo moreno, de grandes olhos rasgados, pintado em cores chapadas e sempre de perfil, reverencia o príncipe-deus.
Na Mesopotâmia, a pintura — como o baixo-relêvo — reflete as condições da região: a guerra permanente da Idade do Bronze. Massacres e mais massacres são reproduzidos monotonamente para imortalizar a fama dos príncipes guerreiros. Duas vezes maior que as outras figuras, Sar o príncipe temível, pisa os vencidos ou diverte-se caçando leões. Mas pouco, muito pouco, nos restou da pintura mesopotâmica.
Na mesma época, no coração do Mediterrâneo, em Creta — importante centro comercial —, surge a pintura mais elegante e hedonista da antiguidade. No palácio real de Cnossos, metrópole dos mercadores, elegantíssimos touros e figuras de jovens atletas e cortesãos vivem alegres cenas de jogos e procissões. Graças ao comércio, a arte dos cretenses se dissemina pelas ilhas do Egeu e sul da Grécia.
Até que um dia guerreiros loiros — os dóricos —, descendo as montanhas da Tessália, varreram a influência cretense da península grega. Eles criaram a maior das civilizações da antiguidade — a helénica.
Paradoxalmente, nada nos resta de sua grande pintura nas paredes e pranchas de madeira, apenas descrições escritas que falam de uma arte realista. E as belas cerâmicas, onde os deuses são tratados com certa ironia. Contudo, através da influência grega na Itália, soube-se algo de sua arte mural.
A pintura romana também estava destinada à destruição total, não tivesse o Vesúvio soterrado Pompéia e Herculano sob lavas e cinzas. Mas não se pode afirmar que os afrescos destas cidades representassem a grande pintura da época. Pelo contrário, trata-se, provavelmente, de obra de segunda categoria. Ainda assim, pode-se ver, através dela, um domínio moderno da perspectiva e da noção de volume, que será perdido nas épocas sucessivas — a Românica e a Bizantina — para reaparecer na Europa Renascentista.
A Idade Média
O grande império mediterrâneo dos romanos veio abaixo no século V, devorado internamente pelo sistema escravocrata e externamente pelos bárbaros. No caos geral formaram-se Bizâncio e o Império do Ocidente. Em ambos, as artes são pálida sombra do que foram na Grécia.
Os dois impérios são cristãos. Em Bizâncio a arte volta a ser monumental e hierática como no velho Egito. O afresco é quase completamente substituído pelo mosaico representando os imperadores semidivinos confabulando pessoalmente com Jesus Cristo ou com a Virgem, é uma arte que tem por função mostrar ao povo a origem divina do poder imperial.
A pintura torna-se quase que só pintura de ícones — tábuas de madeira onde são representados os feitos dos santos —, executados pelos monges. Ao contrário dos egípcios, que só representavam de perfil, os bizantinos só desenham os rostos de frente. Os pigmentos das tintas eram dissolvidos em cola animal para aderirem à madeira. Ou então, misturados a resinas derretidas que penetravam a madeira, formando, quando secas, uma superfície brilhante.
No Império do Ocidente, aparece a arte Românica, que é de inicio a arte romana de generada _ e submetida a influências asiáticas Mas logo ela se torna uma pintura extremamente ingénua e popularesca, em que a tentativa de representar a natureza é substituída por uma figuração convencional estereotipada. Ainda assim, às vêzcs surgem delicadas figuras de santos, feitas por alguns mestres ingénuos. O Românico se extinguira com o florescer do Gótico (século XIII), período que corresponde a um progressivo enriquecimento das cidades e refinamento das artes. Mas a rígida escola bizantina sobreviverá mesmo à queda de Bizâncio, continuando a existir na Grécia, na Rússia e nos Balcãs. A arte dos ícones apenas recentemente deixou de existir. Antes de desaparecer fêz surgir de seu seio um grande mestre — Domenicos Theotocopulos, El Greco — que quando jovem estudou pintura com os monges gregos.
enc. conhecer abril
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
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A luta pela sobrevivencia
Laboriosas formigas correm de um lado para outro, transportam gigantescas folhas, grãos de terra e migalhas, constróem sua casa e alimentam sua rainha. "Parecem gente!" Ê o primeiro comentário de quem se detém a observá-las. Mas entre a ativídade da formiga e a do homem há uma distância incomensurável. As formigas de hoje executam exatamente as mesmas tarefas c da mesma forma que sempre. As que viviam na
antiga Grécia desempenhavam funções iguais às das que trabalham num laboratório moderno, dentro de estufas criadas para observar seu "curioso" comportamento.
Uma das diferenças essenciais entre o honiem e os outros animais encontra-se no método de trabalho para transformar cada vez mais profundamente â natureza que os rodeia. Servindo-se de sua capacidade, êle se distancia dos companheiros do reino animal: êle progride, aperfeiçoa seus recursos. Assim, o homem de hoje executa as tarefas vitais, como seus ancestrais dos tempos clássicos, porém com maior facilidade e menor esforço. Êle aperfeiçoou os instrumentos e meios de trabalho, inventou novos caminhos e descobriu novos recursos. O progresso marca a civilização humana através dos tempos.
Instrumentos, meios e fins
Sem a modificação e adaptação dos objetos da natureza para atender a suas necessidades, a vida humana não se teria desenrolado como mostra a realidade. As pedras, dispersas pela superfície da Terra, sempre estiveram à disposição de qualquer animal, mas só o homem descobriu que podia amontoá-las, construir uma casa; para êle, deixam de ser simples pedras para transformarem-se em objeto de trabalho. E para possibilitar a transformação de tantos objetos que a natureza lhe oferece, são necessários instrumentos: paus e pedras passam a desempenhar o papel de ferramentas, logo completadas pelos metais, pelo fogo e pela agua. Os toscos instrumentos do homem primitiv: caminham para a grandiosidade das complicadas máquinas de hoje.
A análise e o estudo dos recursos que c homem descobriu para explorar a natureza permitem marcar bem as épocas de evolução das sociedades. Tanto que os grandes períodos da História são divididos de acordo com c instrumentos de trabalho: Idade da Pedra Lascada, da Pedra Polida, do Bronze c assim por diante. O objeto final que se consegue por meio do trabalho não estabelece tanta diferença como os meios utilizados para chegar a esse fim. Tanto proporciona profeção a rústica habitação de pau-a-pique quanto um modeme edifício de concreto armado. O que estabelece a diferença é justamente o material utilizado e a forma de aproveitamento dos recursos naturais. E esses materiais, extraídos da natureza para em seguida serem transformados, recebem, o nome de matéria-prima: é a primeira forma em que aparecem os elementos que serão transformados pelo trabalho do homem. O petróleo extraído das profundezas da terra, ou a pedra que servirá para a ponta d& lança são igualmente matérias-primas.
Plantar para colher
Inicialmente, os alimentos estão à volta do homem, à sua disposição: para obtê-los, basta lutar e conseguir recolhê-los. Para superar os concorrentes — outros animais, outros homens — precisa de armas. Para apanhar os frutos, às vezes são curtos os próprios braços: o bastão surge como um prolongamento da mão, a pedra aparece como o melhor complemento para o punho fechado. Mas, para vencer grandes animais carnívoros, dois homens podem lutar melhor do que um sozinho. O instinto gregário manifesta-se desde o início. Os homens se associam para lutar, para construir habitações e, como nenhum outro animal, assimilam e aperfeiçoam as conquistas dos companheiros. Formam-se os primeiros agrupamentos, os bandos primitivos.
Mas também essa primeira fase evolui. O homem aprende a tirar da terra mais do que ela oferece espontaneamente: aprende que plantando dá. E para plantar, a organização é essencial. Ura só indivíduo não consegue cultivar uma boa porção de terreno c ao mesmo tempo cuidar das demais tarefas de luta com o meio: a caça, a pesca, a moradia. Como um início de divisão do trabalho, as mulheres dedicam-se a plantar, colher, cuidar da habitação c do vestuário. Os homens continuam a ocupar-sc do restante. Mas as condições de domínio da natureza já são melhores: se não houver boa caça, sempre haverá algum produto da colheita.
O animal carnívoro que é o homem descobre também que, embora não cace, pode garantir seu alimento, guardando para si animais menos ferozes: aprende a pastorear.
Coleta, agricultura e pastoreio sâo as fontes básicas de recursos do homem primitivo. E a economia de base primária.
A força do trabalho
Com o passar do tempo, os instrumentos se diversificam e se aperfeiçoam, cada grupo começa a produzir mais do que o essencial para sua subsistência. Surge o excedente de produção. Nem todo alimento é consumido, mas em outros grupos, onde ocorre o mesmo, existem produtos que o primeiro grupo não possui: nasce o comércio, a troca de bens excedentes. O homem descobre que pode mobilizar para a produção também a força animal e ampliar assim as trocas. Os mais bem sucedidos tendem a submeter os menos. Os grupos começam a lutar entre si, pela posse de territórios, pelo direito de explorar determinadas áreas.
Inicialmente, os prisioneiros de guerra são mortos, mas logo a seguir se percebe que é possível aproveitá-los, como mão-de-obra, transfor-mando-os em escravos. Com a escravidão, evolui um novo sistema de trabalho. A concentração de um grande contingente de força de trabalho disponível possibilita os empreendimentos gigantescos das civilizações da Antiguidade. A partir daí, podem ser erguidas as pirâmides do Egito, os palácios da índia, as construções colossais da Assíria o da Babilónia, da Grécia e de Roma.
Com grande massa de mão-de-obra disponível, os senhores da terra evidentemente não precisam dedicar-se ao seu cuidado, ao pastoreio, à construção das casas e dos caminhos. Do trabalhador braçal, separa-se o dirigente. Isolado das atividades concretas de produção, o administrador, o planejador e o estudioso vão dedicar-se a analisar, entender e procurar melhores fórmulas de aproveitar os recursos da natureza. Com o desenvolvimento das civilizações, surgem as atividades secundárias, que consistem na transformação das matérias-primas oferecidas pela natureza e elaboração de novas matérias-primas a partir dos recursos iniciais.
Com o evoluir da técnica, aprende-se a obter também a contribuição das forças da natureza: a água move engenhos, o fogo transforma metais. E de tantos complementos para a força de trabalho, nasce naturalmente a superprodução: o excedente de produtos. O comércio evolui c, com èlc, a prestação de serviços. Alguns homens dedicam-se apenas às tarefas de troca, sem ocupar-se de nenhuma atividade primária. Outros dedicam-se apenas às funções administrativas, às de planejamento, advogados, professores surgem e se especializam de construções, às de atendimento das pessoas. Curandeiros, construtores, médicos, engenheiros.
Estrutura-se e desenvolve-se a sociedade, fundamentada em três tipos básicos de atividade: as primárias, da terra; as secundárias, da indústria, e as terciárias, do comércio e serviços.
Unidos pelo trabalho
No entanto, desde as primeiras fases de divisão da propriedade da terra, nem todo trabalhador é escravo. Há também os que alugam seus serviços, em troca do direito de ter sua terra, sua casa: são os servos. À medida que evolui o comércio, a divisão do trabalho, entre livres e servos ou escravos, sofre grandes modificações. Para que a produção aumente e com isso favoreça a troca dos bens, os senhores começam a recompensar o trabalhador pelo resultado obtido. Surgem os salários e, a partir daí, desenvolve-se uma nova espécie de grupo social: o dos trabalhadores assalariados.
Livres da escravidão ou da servidão, os trabalhadores começam a agrupar-se, a unir-se para juntos defenderem sua posição. Desde a mais remota antiguidade, existiram associações de trabalhadores livres. Na Roma antiga, havia as de tocadores de flauta, de fundidores de ouro, ferreiros, sapateiros, curtidores, trabalhadores em bronze, oleiros. Or, artesãos, cm geral pobres e desprezados numa sociedade que ainda se servia, em grande escala, da mão-de-obra escrava, reuniam-se para realizar assembleias e celebrar sacrifícios' aos deuses. A partir dessas assembleias, regulamentaram-se os padrões de salários. É aproximadamente o mesmo
tipo de associação que, na Idade Média, vai desenvolver-se sob o nome de corporação e
que, nos tempos modernos, recebe as características de sindicato: associação de
trabalhadores livres em determinada . profissão, que se dispõem a lutar juntos para
conquistar e defender direitos e prerrogativas.
Em 1258, foi publicado na França o "Livro dos Ofícios" de Paris, de autoria de Etienne Boileau. Pela primeira vez na história*, os ofícios — evidentemente os que eram desempenhados em Paris, naquela época —. são regulamentados e as leis que os regem são escritas e ordenadas. É feita inclusive a regulamentação do trabalho feminino, discriminando os ofícios exercidos exclusivamente por mulheres: ofíuios cuia matéria-prima é a seda ou o fio de ouro, por exemplo.
De certa forma, as corporações do século XIII cumprem o objetivo de oferecer proteção aos trabalhadores, garantir segurança às classes, e zelar pela honradez profissional de seus membros.
A máquina derruba o velho esquema
A era da chamada revolução industrial foi verdadeiramente revolucionária em toclos os sentidos. Em particular na especialização do trabalho. Em muitos setores, a mão-dc-obra é complementada pela atuação de máquinas. O produto acabado, que antes requeria a ação de vinte trabalhadores, pode ser fabricado por apenas um. Com isso, a mão-de-obra supérflua se dispersa, migra, cria amplo mercado de oferta. E à medida que as antigas corporações entram em decadência, a técnica de produção, aprimorada com os novos recursos, permite a obtenção de melhor qualidade com menor volume de trabalhadores.
Aperfeiçoam-se os métodos de trabalho, começam a surgir as grandes indústrias, que requisitam considerável soma de capitais. Para isso, desenvolvem-se complexos sistemas de crédito e financiamento, e evolui mais uma forma de trabalho: a do burocrata. O aumento da produção traz novo impulso ao comércio. Parcialmente em função dele, desenvolvem-se os sistemas de comunicação. Os trabalhadores de todas as partes do mundo distanciam-se cada vez mais do bando primitivo.
Surgem o vapor, o petróleo, o átomo. O homem utiliza cada vez menos sua própria energia. À medida que a máquina se impõe, torna-se menos nítida a divisão entre trabalho braçal e trabalho intelectual. Para manejar as máquinas, é essencial o uso da inteligência e da habilidade adquirida através do aprendizado, pois qualquer máquina depende do homem. A distribuição das tarefas e o cumprimento das funções exigem qualificações cada vez mais específicas. Com tudo isso, renova-se a antiga estrutura da divisão do trabalho c da organização das corporações medievais.
Para reivindicar melhores condições, os trabalhadores se congregam, mas de uma forma nova: basta que parem todos, para que pare a máquina. Nasce a greve, como principal arma de conquista das reivindicações operárias. Por quase toda parte, organizam-se sindicatos.
As modernas agremiações de trabalhadores distanciam-se muito dás primeiras corporações de ofícios. A preocupação das corporações era assegurar o exercício da profissão aos que pagavam seus direitos; e, além disso, estipular os níveis do preço dos produtos. As condições de trabalho e remuneração ficavam a cargo de cada mestre.
Mas nos sindicatos de hoje o objetivo é, desde o início, lutar por melhores condições, como menor jornada de trabalho, garantia do emprego, direito de associação, organização do trabalho e melhor remuneração. Na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos, e por todos os países onde a indústria está em desenvolvimento cada vez mais intenso, formam-se uniões de trabalhadores.
Organização do trabalho no Brasil
Como nas outras partes do mundo, também no Brasil se revelou a necessidade de regulamentar o trabalho, num corpo de leis. Embora já houvesse legislações anteriores, é em 3943 que são todas reunidas, pela primeira vez, na Consolidação das Leis do Trabalho. Entre outras coisas foram regulamentados o funcionamento dos sindicatos, as condiçõe trabalho fabril e de proteção ao trabalhador, e as relações entre empregados e empregadores; duração de trabalho, períodos de descanso, mão-de-obra feminina, trabalho noturno, férias, condições de higiene; iluminaçao e segurança são alguns dos pontos considerados. De acordo com a profissão, são estabelecidos os requisitos e os direitos dos trabalhadores, organizados dentro de agremiações de classe, que são os sindicatos.
Embora de 1943 para cá tenham sido introduzidas algumas modificações na Consolidação, esta permanece em essência a mesma e ; regulamentação aborda aproximadamente os mesmos pontos. E es direitos e deveres de empregados e empregadores são julgados pela Justiça do Trabalho.
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A luta pela sobrevivencia
Laboriosas formigas correm de um lado para outro, transportam gigantescas folhas, grãos de terra e migalhas, constróem sua casa e alimentam sua rainha. "Parecem gente!" Ê o primeiro comentário de quem se detém a observá-las. Mas entre a ativídade da formiga e a do homem há uma distância incomensurável. As formigas de hoje executam exatamente as mesmas tarefas c da mesma forma que sempre. As que viviam na
antiga Grécia desempenhavam funções iguais às das que trabalham num laboratório moderno, dentro de estufas criadas para observar seu "curioso" comportamento.
Uma das diferenças essenciais entre o honiem e os outros animais encontra-se no método de trabalho para transformar cada vez mais profundamente â natureza que os rodeia. Servindo-se de sua capacidade, êle se distancia dos companheiros do reino animal: êle progride, aperfeiçoa seus recursos. Assim, o homem de hoje executa as tarefas vitais, como seus ancestrais dos tempos clássicos, porém com maior facilidade e menor esforço. Êle aperfeiçoou os instrumentos e meios de trabalho, inventou novos caminhos e descobriu novos recursos. O progresso marca a civilização humana através dos tempos.
Instrumentos, meios e fins
Sem a modificação e adaptação dos objetos da natureza para atender a suas necessidades, a vida humana não se teria desenrolado como mostra a realidade. As pedras, dispersas pela superfície da Terra, sempre estiveram à disposição de qualquer animal, mas só o homem descobriu que podia amontoá-las, construir uma casa; para êle, deixam de ser simples pedras para transformarem-se em objeto de trabalho. E para possibilitar a transformação de tantos objetos que a natureza lhe oferece, são necessários instrumentos: paus e pedras passam a desempenhar o papel de ferramentas, logo completadas pelos metais, pelo fogo e pela agua. Os toscos instrumentos do homem primitiv: caminham para a grandiosidade das complicadas máquinas de hoje.
A análise e o estudo dos recursos que c homem descobriu para explorar a natureza permitem marcar bem as épocas de evolução das sociedades. Tanto que os grandes períodos da História são divididos de acordo com c instrumentos de trabalho: Idade da Pedra Lascada, da Pedra Polida, do Bronze c assim por diante. O objeto final que se consegue por meio do trabalho não estabelece tanta diferença como os meios utilizados para chegar a esse fim. Tanto proporciona profeção a rústica habitação de pau-a-pique quanto um modeme edifício de concreto armado. O que estabelece a diferença é justamente o material utilizado e a forma de aproveitamento dos recursos naturais. E esses materiais, extraídos da natureza para em seguida serem transformados, recebem, o nome de matéria-prima: é a primeira forma em que aparecem os elementos que serão transformados pelo trabalho do homem. O petróleo extraído das profundezas da terra, ou a pedra que servirá para a ponta d& lança são igualmente matérias-primas.
Plantar para colher
Inicialmente, os alimentos estão à volta do homem, à sua disposição: para obtê-los, basta lutar e conseguir recolhê-los. Para superar os concorrentes — outros animais, outros homens — precisa de armas. Para apanhar os frutos, às vezes são curtos os próprios braços: o bastão surge como um prolongamento da mão, a pedra aparece como o melhor complemento para o punho fechado. Mas, para vencer grandes animais carnívoros, dois homens podem lutar melhor do que um sozinho. O instinto gregário manifesta-se desde o início. Os homens se associam para lutar, para construir habitações e, como nenhum outro animal, assimilam e aperfeiçoam as conquistas dos companheiros. Formam-se os primeiros agrupamentos, os bandos primitivos.
Mas também essa primeira fase evolui. O homem aprende a tirar da terra mais do que ela oferece espontaneamente: aprende que plantando dá. E para plantar, a organização é essencial. Ura só indivíduo não consegue cultivar uma boa porção de terreno c ao mesmo tempo cuidar das demais tarefas de luta com o meio: a caça, a pesca, a moradia. Como um início de divisão do trabalho, as mulheres dedicam-se a plantar, colher, cuidar da habitação c do vestuário. Os homens continuam a ocupar-sc do restante. Mas as condições de domínio da natureza já são melhores: se não houver boa caça, sempre haverá algum produto da colheita.
O animal carnívoro que é o homem descobre também que, embora não cace, pode garantir seu alimento, guardando para si animais menos ferozes: aprende a pastorear.
Coleta, agricultura e pastoreio sâo as fontes básicas de recursos do homem primitivo. E a economia de base primária.
A força do trabalho
Com o passar do tempo, os instrumentos se diversificam e se aperfeiçoam, cada grupo começa a produzir mais do que o essencial para sua subsistência. Surge o excedente de produção. Nem todo alimento é consumido, mas em outros grupos, onde ocorre o mesmo, existem produtos que o primeiro grupo não possui: nasce o comércio, a troca de bens excedentes. O homem descobre que pode mobilizar para a produção também a força animal e ampliar assim as trocas. Os mais bem sucedidos tendem a submeter os menos. Os grupos começam a lutar entre si, pela posse de territórios, pelo direito de explorar determinadas áreas.
Inicialmente, os prisioneiros de guerra são mortos, mas logo a seguir se percebe que é possível aproveitá-los, como mão-de-obra, transfor-mando-os em escravos. Com a escravidão, evolui um novo sistema de trabalho. A concentração de um grande contingente de força de trabalho disponível possibilita os empreendimentos gigantescos das civilizações da Antiguidade. A partir daí, podem ser erguidas as pirâmides do Egito, os palácios da índia, as construções colossais da Assíria o da Babilónia, da Grécia e de Roma.
Com grande massa de mão-de-obra disponível, os senhores da terra evidentemente não precisam dedicar-se ao seu cuidado, ao pastoreio, à construção das casas e dos caminhos. Do trabalhador braçal, separa-se o dirigente. Isolado das atividades concretas de produção, o administrador, o planejador e o estudioso vão dedicar-se a analisar, entender e procurar melhores fórmulas de aproveitar os recursos da natureza. Com o desenvolvimento das civilizações, surgem as atividades secundárias, que consistem na transformação das matérias-primas oferecidas pela natureza e elaboração de novas matérias-primas a partir dos recursos iniciais.
Com o evoluir da técnica, aprende-se a obter também a contribuição das forças da natureza: a água move engenhos, o fogo transforma metais. E de tantos complementos para a força de trabalho, nasce naturalmente a superprodução: o excedente de produtos. O comércio evolui c, com èlc, a prestação de serviços. Alguns homens dedicam-se apenas às tarefas de troca, sem ocupar-se de nenhuma atividade primária. Outros dedicam-se apenas às funções administrativas, às de planejamento, advogados, professores surgem e se especializam de construções, às de atendimento das pessoas. Curandeiros, construtores, médicos, engenheiros.
Estrutura-se e desenvolve-se a sociedade, fundamentada em três tipos básicos de atividade: as primárias, da terra; as secundárias, da indústria, e as terciárias, do comércio e serviços.
Unidos pelo trabalho
No entanto, desde as primeiras fases de divisão da propriedade da terra, nem todo trabalhador é escravo. Há também os que alugam seus serviços, em troca do direito de ter sua terra, sua casa: são os servos. À medida que evolui o comércio, a divisão do trabalho, entre livres e servos ou escravos, sofre grandes modificações. Para que a produção aumente e com isso favoreça a troca dos bens, os senhores começam a recompensar o trabalhador pelo resultado obtido. Surgem os salários e, a partir daí, desenvolve-se uma nova espécie de grupo social: o dos trabalhadores assalariados.
Livres da escravidão ou da servidão, os trabalhadores começam a agrupar-se, a unir-se para juntos defenderem sua posição. Desde a mais remota antiguidade, existiram associações de trabalhadores livres. Na Roma antiga, havia as de tocadores de flauta, de fundidores de ouro, ferreiros, sapateiros, curtidores, trabalhadores em bronze, oleiros. Or, artesãos, cm geral pobres e desprezados numa sociedade que ainda se servia, em grande escala, da mão-de-obra escrava, reuniam-se para realizar assembleias e celebrar sacrifícios' aos deuses. A partir dessas assembleias, regulamentaram-se os padrões de salários. É aproximadamente o mesmo
tipo de associação que, na Idade Média, vai desenvolver-se sob o nome de corporação e
que, nos tempos modernos, recebe as características de sindicato: associação de
trabalhadores livres em determinada . profissão, que se dispõem a lutar juntos para
conquistar e defender direitos e prerrogativas.
Em 1258, foi publicado na França o "Livro dos Ofícios" de Paris, de autoria de Etienne Boileau. Pela primeira vez na história*, os ofícios — evidentemente os que eram desempenhados em Paris, naquela época —. são regulamentados e as leis que os regem são escritas e ordenadas. É feita inclusive a regulamentação do trabalho feminino, discriminando os ofícios exercidos exclusivamente por mulheres: ofíuios cuia matéria-prima é a seda ou o fio de ouro, por exemplo.
De certa forma, as corporações do século XIII cumprem o objetivo de oferecer proteção aos trabalhadores, garantir segurança às classes, e zelar pela honradez profissional de seus membros.
A máquina derruba o velho esquema
A era da chamada revolução industrial foi verdadeiramente revolucionária em toclos os sentidos. Em particular na especialização do trabalho. Em muitos setores, a mão-dc-obra é complementada pela atuação de máquinas. O produto acabado, que antes requeria a ação de vinte trabalhadores, pode ser fabricado por apenas um. Com isso, a mão-de-obra supérflua se dispersa, migra, cria amplo mercado de oferta. E à medida que as antigas corporações entram em decadência, a técnica de produção, aprimorada com os novos recursos, permite a obtenção de melhor qualidade com menor volume de trabalhadores.
Aperfeiçoam-se os métodos de trabalho, começam a surgir as grandes indústrias, que requisitam considerável soma de capitais. Para isso, desenvolvem-se complexos sistemas de crédito e financiamento, e evolui mais uma forma de trabalho: a do burocrata. O aumento da produção traz novo impulso ao comércio. Parcialmente em função dele, desenvolvem-se os sistemas de comunicação. Os trabalhadores de todas as partes do mundo distanciam-se cada vez mais do bando primitivo.
Surgem o vapor, o petróleo, o átomo. O homem utiliza cada vez menos sua própria energia. À medida que a máquina se impõe, torna-se menos nítida a divisão entre trabalho braçal e trabalho intelectual. Para manejar as máquinas, é essencial o uso da inteligência e da habilidade adquirida através do aprendizado, pois qualquer máquina depende do homem. A distribuição das tarefas e o cumprimento das funções exigem qualificações cada vez mais específicas. Com tudo isso, renova-se a antiga estrutura da divisão do trabalho c da organização das corporações medievais.
Para reivindicar melhores condições, os trabalhadores se congregam, mas de uma forma nova: basta que parem todos, para que pare a máquina. Nasce a greve, como principal arma de conquista das reivindicações operárias. Por quase toda parte, organizam-se sindicatos.
As modernas agremiações de trabalhadores distanciam-se muito dás primeiras corporações de ofícios. A preocupação das corporações era assegurar o exercício da profissão aos que pagavam seus direitos; e, além disso, estipular os níveis do preço dos produtos. As condições de trabalho e remuneração ficavam a cargo de cada mestre.
Mas nos sindicatos de hoje o objetivo é, desde o início, lutar por melhores condições, como menor jornada de trabalho, garantia do emprego, direito de associação, organização do trabalho e melhor remuneração. Na França, na Inglaterra, nos Estados Unidos, e por todos os países onde a indústria está em desenvolvimento cada vez mais intenso, formam-se uniões de trabalhadores.
Organização do trabalho no Brasil
Como nas outras partes do mundo, também no Brasil se revelou a necessidade de regulamentar o trabalho, num corpo de leis. Embora já houvesse legislações anteriores, é em 3943 que são todas reunidas, pela primeira vez, na Consolidação das Leis do Trabalho. Entre outras coisas foram regulamentados o funcionamento dos sindicatos, as condiçõe trabalho fabril e de proteção ao trabalhador, e as relações entre empregados e empregadores; duração de trabalho, períodos de descanso, mão-de-obra feminina, trabalho noturno, férias, condições de higiene; iluminaçao e segurança são alguns dos pontos considerados. De acordo com a profissão, são estabelecidos os requisitos e os direitos dos trabalhadores, organizados dentro de agremiações de classe, que são os sindicatos.
Embora de 1943 para cá tenham sido introduzidas algumas modificações na Consolidação, esta permanece em essência a mesma e ; regulamentação aborda aproximadamente os mesmos pontos. E es direitos e deveres de empregados e empregadores são julgados pela Justiça do Trabalho.
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A Fé
Numa pacífica tribo de índios, preparam-se os homens para a grande cerimonia. Cada um melhor que o outro, esmeram-se todos em pintar as faces, vestir trajes coloridos, pendurar pelo corpo objetos considerados mágicos. Vai realizar-se a "dança da chuva": os instrumentos espalham sons misteriosos, e o feiticeiro, mascarado, toma o centro da roda que começa a se agitar. Batem palmas, pulam, contorcem-se ao ritmo da música; invocam o deus da chuva, há tanto tempo ausente de suas plantações.
Toca o sino da igreja matriz, numa cidadezinha do Nordeste brasileiro castigada pela seca. No interior do templo, soam os cantos em louvor a Deus. Envergando os paramentos bordados, o padre celebra o ritual da missa. Na igreja, repleta, os fiéis oram e pedem as bênçãos divinas e o alívio da longa seca.
Entre ambas as cerimónias, existe uma base comum: a firme crença numa força sobrenatural, que tem o poder de alterar a vida sobre a Terra, regendo o destino das coisas e dos homens. Tanto para o homem primitivo que dança em torno do feiticeiro, quanto para os católicos durante a missa, o ritual sagrado cumpre uma função:liga o homem aos poderes sobrenaturais.
O sentido de vínculo está contido na própria palavra religião, de origem latina (do verbo religare, isto é, atar, unir).
Muitas tribos vivem ainda hoje regidas por uma organização social bastante simples, E desde os tempos mais longínquos sempre houve homens que viveram assim. São os grupos chamados "primitivos". Entre eles, as relações económicas, sociais e políticas têm características muito especiais. E a religião é marcada por tudo isso. Ao estudar os costumes desses povos, os antropólogos constatam que sua religião nasce do sentimento de impotência diante das forças da natureza: a chuva, que ajuda as plantações, também pode precipitar-se e originar catástrofes; o rio que sobe em sua cheia, o Sol que ilumina o dia, a Lua com suas mudanças; o pé de milho que explode da semente e cresce e se ergue e se multiplica — tudo na natureza envolve mistérios.
Pouco a pouco vão sendo elaboradas explicações para esses fenómenos, que recebem nomes, transformam-se em seres benéficos ou benfazejos. Essas forças abstraias recebem forma: são peixes, são aves, são outros animais ou são pessoas. O incompreensível desaparecimento dos mortos, sobretudo dos que desfrutaram posições poderosas, como os reis, chefes tribais ou feiticeiros, origina o culto aos antepassados.
As religiões tribais ainda hoje existem. É o caso dos papuas da Nova Guiné; dos melanésios do arquipélago de Bismarck; dos bosquímanos no sul da África, e de muitos outros povos "primitivos". E em geral é evidente o objetivo intrínseco da manifestação religiosa de tornar os seres divinos propícios, favoráveis aos desejos de quem os invoca por meio de cerimonias, orações e sacrifícios. E se a adoração não chega a conquistar as entidades sagradas, que ao menos as concilie com os homens.
O totemismo é uma forma de crença bastante comum a esses povos, e aparece bem determinado entre as tribos australianas. O clã, isto é, um grupo de pessoas ligadas por laços de parentesco, considera-se subordinado a coisas sagradas: aos totens, que se apresentam sob a forma de animais (canguru, búfalo, águia), de vegetais (árvores, plantas), ou ainda elementos naturais (a chuva, os astros.). Ao mesmo tempo que é venerado, o totem é um símbolo que identifica os clãs; a águia pertence a um, o carvalho a outro, etc.
Além do totem, outras forças sao fundamentais nessas crenças das sociedades mais simples. O mana, por exemplo.
"O mana é uma força, uma influência de ordem imaterial e, em certo sentido, sobrenatural; mas é pela força física que êle se revela, ou então por toda espécie de poder e superioridade que o homem possui, podendo existir em qualquer espécie de coisa", assim o definiu Codrington, missionário inglês que estudou as crenças australianas. A mesma ideia de mana aparece entre os índios norte-americanos, com o nome de wakan, orenda ou manitu.
Entre as sociedades primitivas é também comum a ideia de tabu. Esta palavra, de origem polinésía, indica proibição e tem por fim isolar o sagrado do profano, vetar ao homem o acesso às coisas e seres divinizados. Como instituição social, o tabu é encontrado praticamente em todo o agrupamento humano. Aquele que viola os princípios estabelecidos é banido ou castigado pelo resto da comunidade. Assim, as crenças comuns são conservadas e preservadas de qualquer deturpação.
Também são comuns, entre povos menos evoluídos, as crenças animistas, que atribuem espírito à natureza e seus elementos, fenómenos geográficos, animais ou plantas. O animismo envolve também a ideia de que os mortos surgem sob a forma de espírito no mundo dos vivos; e, nessas condições, podem protegê-los ou fazer-lhes mal. Existem ainda hoje na Indonésia crenças animistas que conferem alma ao arroz, que não pode ser ofendido com palavras ou atitudes
Outra forma de veneração às forças sobrenaturais é o fetichismo (do latim factitius, Esto é, coisa feita), pelo qual certos objetos. frequentemente talhados em madeira, ) tidos como dotados de poder, acreditando-se que sirvam de morada aos espíritos.
Os deuses à imagem do homem
De modo geral, pode-se dizer que todos os povos evoluíram a patir de princípios bastante semelhantes. Assim, a crença nas forças da natureza e a transformação destas em divindades aparecem em todas as antigas religiões. Egípcios, assírios, gregos e romanos tiveram seu deus do Sol ou da Lua, das florestas ou dos rios, conglomerados em verdadeiras "comunidades" divinas. Cada deus, como os homens, tinha seus traços físicos definidos, seu caráter próprio com qualidades e defeitos, sua história particular. E chegava mesmo a comportar-se como homem, manifestando sentimentos como raiva, desejo de vingança, etc.
Partindo de bases semelhantes, as religiões foram-se diferenciando e aperfeiçoando à medida que se consolidava a estrutura diferente de cada grupo humano. De início, um ponto comum a todas elas foi o politeísmo (do grego foly, muito; theos, deus), fé em muitos deuses, correspondentes às inúmeras forças desconhecidas, ou aos espíritos de homens considerados especialmente sábios.
O caminho da unidade
A partir do politeísmo, grande parte das religiões que já se tinham delineado evoluíram no sentido de realizar uma síntese: a união de todas as divindades.
Foi uma evolução lenta e progressiva. De início, um deus do múltiplo panteão passou a desfrutar posição privilegiada entre os demais. Foi o caso de Amon, no antigo Egito, e de Zeus, no Olimpo grego. Em seguida, o deus que mais se destacava tornou-se o centro de adoração, embora se admitisse a existência de muitos deuses: é a monolatria, que precede o monoteísmo.
Foi a partir desse ponto — o monoteísmo — que se originaram o cristianismo, dominante em quase todo o mundo ocidental, e o islamismo, comum ao mundo árabe. Hoje, estas duas religiões e o judaísmo constituem as três principais religiões monoteístas, que giram em torno de uma ideia básica: a existência de um Deus único.
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A Fé
Numa pacífica tribo de índios, preparam-se os homens para a grande cerimonia. Cada um melhor que o outro, esmeram-se todos em pintar as faces, vestir trajes coloridos, pendurar pelo corpo objetos considerados mágicos. Vai realizar-se a "dança da chuva": os instrumentos espalham sons misteriosos, e o feiticeiro, mascarado, toma o centro da roda que começa a se agitar. Batem palmas, pulam, contorcem-se ao ritmo da música; invocam o deus da chuva, há tanto tempo ausente de suas plantações.
Toca o sino da igreja matriz, numa cidadezinha do Nordeste brasileiro castigada pela seca. No interior do templo, soam os cantos em louvor a Deus. Envergando os paramentos bordados, o padre celebra o ritual da missa. Na igreja, repleta, os fiéis oram e pedem as bênçãos divinas e o alívio da longa seca.
Entre ambas as cerimónias, existe uma base comum: a firme crença numa força sobrenatural, que tem o poder de alterar a vida sobre a Terra, regendo o destino das coisas e dos homens. Tanto para o homem primitivo que dança em torno do feiticeiro, quanto para os católicos durante a missa, o ritual sagrado cumpre uma função:liga o homem aos poderes sobrenaturais.
O sentido de vínculo está contido na própria palavra religião, de origem latina (do verbo religare, isto é, atar, unir).
Muitas tribos vivem ainda hoje regidas por uma organização social bastante simples, E desde os tempos mais longínquos sempre houve homens que viveram assim. São os grupos chamados "primitivos". Entre eles, as relações económicas, sociais e políticas têm características muito especiais. E a religião é marcada por tudo isso. Ao estudar os costumes desses povos, os antropólogos constatam que sua religião nasce do sentimento de impotência diante das forças da natureza: a chuva, que ajuda as plantações, também pode precipitar-se e originar catástrofes; o rio que sobe em sua cheia, o Sol que ilumina o dia, a Lua com suas mudanças; o pé de milho que explode da semente e cresce e se ergue e se multiplica — tudo na natureza envolve mistérios.
Pouco a pouco vão sendo elaboradas explicações para esses fenómenos, que recebem nomes, transformam-se em seres benéficos ou benfazejos. Essas forças abstraias recebem forma: são peixes, são aves, são outros animais ou são pessoas. O incompreensível desaparecimento dos mortos, sobretudo dos que desfrutaram posições poderosas, como os reis, chefes tribais ou feiticeiros, origina o culto aos antepassados.
As religiões tribais ainda hoje existem. É o caso dos papuas da Nova Guiné; dos melanésios do arquipélago de Bismarck; dos bosquímanos no sul da África, e de muitos outros povos "primitivos". E em geral é evidente o objetivo intrínseco da manifestação religiosa de tornar os seres divinos propícios, favoráveis aos desejos de quem os invoca por meio de cerimonias, orações e sacrifícios. E se a adoração não chega a conquistar as entidades sagradas, que ao menos as concilie com os homens.
O totemismo é uma forma de crença bastante comum a esses povos, e aparece bem determinado entre as tribos australianas. O clã, isto é, um grupo de pessoas ligadas por laços de parentesco, considera-se subordinado a coisas sagradas: aos totens, que se apresentam sob a forma de animais (canguru, búfalo, águia), de vegetais (árvores, plantas), ou ainda elementos naturais (a chuva, os astros.). Ao mesmo tempo que é venerado, o totem é um símbolo que identifica os clãs; a águia pertence a um, o carvalho a outro, etc.
Além do totem, outras forças sao fundamentais nessas crenças das sociedades mais simples. O mana, por exemplo.
"O mana é uma força, uma influência de ordem imaterial e, em certo sentido, sobrenatural; mas é pela força física que êle se revela, ou então por toda espécie de poder e superioridade que o homem possui, podendo existir em qualquer espécie de coisa", assim o definiu Codrington, missionário inglês que estudou as crenças australianas. A mesma ideia de mana aparece entre os índios norte-americanos, com o nome de wakan, orenda ou manitu.
Entre as sociedades primitivas é também comum a ideia de tabu. Esta palavra, de origem polinésía, indica proibição e tem por fim isolar o sagrado do profano, vetar ao homem o acesso às coisas e seres divinizados. Como instituição social, o tabu é encontrado praticamente em todo o agrupamento humano. Aquele que viola os princípios estabelecidos é banido ou castigado pelo resto da comunidade. Assim, as crenças comuns são conservadas e preservadas de qualquer deturpação.
Também são comuns, entre povos menos evoluídos, as crenças animistas, que atribuem espírito à natureza e seus elementos, fenómenos geográficos, animais ou plantas. O animismo envolve também a ideia de que os mortos surgem sob a forma de espírito no mundo dos vivos; e, nessas condições, podem protegê-los ou fazer-lhes mal. Existem ainda hoje na Indonésia crenças animistas que conferem alma ao arroz, que não pode ser ofendido com palavras ou atitudes
Outra forma de veneração às forças sobrenaturais é o fetichismo (do latim factitius, Esto é, coisa feita), pelo qual certos objetos. frequentemente talhados em madeira, ) tidos como dotados de poder, acreditando-se que sirvam de morada aos espíritos.
Os deuses à imagem do homem
De modo geral, pode-se dizer que todos os povos evoluíram a patir de princípios bastante semelhantes. Assim, a crença nas forças da natureza e a transformação destas em divindades aparecem em todas as antigas religiões. Egípcios, assírios, gregos e romanos tiveram seu deus do Sol ou da Lua, das florestas ou dos rios, conglomerados em verdadeiras "comunidades" divinas. Cada deus, como os homens, tinha seus traços físicos definidos, seu caráter próprio com qualidades e defeitos, sua história particular. E chegava mesmo a comportar-se como homem, manifestando sentimentos como raiva, desejo de vingança, etc.
Partindo de bases semelhantes, as religiões foram-se diferenciando e aperfeiçoando à medida que se consolidava a estrutura diferente de cada grupo humano. De início, um ponto comum a todas elas foi o politeísmo (do grego foly, muito; theos, deus), fé em muitos deuses, correspondentes às inúmeras forças desconhecidas, ou aos espíritos de homens considerados especialmente sábios.
O caminho da unidade
A partir do politeísmo, grande parte das religiões que já se tinham delineado evoluíram no sentido de realizar uma síntese: a união de todas as divindades.
Foi uma evolução lenta e progressiva. De início, um deus do múltiplo panteão passou a desfrutar posição privilegiada entre os demais. Foi o caso de Amon, no antigo Egito, e de Zeus, no Olimpo grego. Em seguida, o deus que mais se destacava tornou-se o centro de adoração, embora se admitisse a existência de muitos deuses: é a monolatria, que precede o monoteísmo.
Foi a partir desse ponto — o monoteísmo — que se originaram o cristianismo, dominante em quase todo o mundo ocidental, e o islamismo, comum ao mundo árabe. Hoje, estas duas religiões e o judaísmo constituem as três principais religiões monoteístas, que giram em torno de uma ideia básica: a existência de um Deus único.
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Suplementaçao vitaminica-mineral
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SUPLEMENTAÇÃO
VITAMÍNICA E MINERAL NOVOS CONCEITOS EM MEDICINA.
DR.EFRAIN OLSZEWER.
Presidente de honra da AMBO(Assoc. Med. Brasileira de Oxidologia) Consultor Científico do Instituto Americano de Medicina Preventiva e da The Rheumatoid Foundation
VITAMINA
Denominação dada por Casimir Funk em 1912 indicando que seriam princípios ativos que deveriam estar deficientes nas doenças carenciais como o beribéri e o escorbuto.
As vitaminas devem ser compreendidas como princípios nutritivos essenciais à manutenção das funções metabólicas. Não sendo contudo, sintetizados pelo organismo, precisam ser fornecidas por fontes exógenas quer na forma pré-formada ou como seus precursores químicos.
Devem ser classificadas como princípios de grande atividade, uma vez que agem em quantidades diminutas e porque participam obrigatoriamente em numerosos processos orgânicos. Pelas suas indicações clássicas utilizaríamos as vitaminas nas carências primárias e secundárias:
As primárias evidentemente seriam consequentes a uma carência vita-mínica fatal como a xeroftalmia(vitamina A), o beribéri (tiamina), a pelagra (ácido nicotínico) e o escorbuto (vitamina C).
As formas secundárias são constituídas por carências que surgem como circunstâncias diversas:
1. Alterações da absorção decorrentesde afecções hepáticas e gastrointestinais diversas;
2. Transtornos de utilização por faltade transformação da pró-vitaminaem vitamina ou desta nos seus produtos de metaboli/ação, indispensáveis ao exercício do seu papelfisiológico, como pode ocorrer nacirrose hepática, nas hepatites, nohipotireoidismo e nas lesões destrutivas do intestino;
Multivitaminicos
A característica mais importante de um multivitamínico, éde possuir todos os elementos necessários para o organismo,nas doses adequadas para poder atingir seus objetivos, sem neutralizar o efeito entre eles quando administrados fora das doses normalmente protocoladas. Se o objetivo é fazer uma suplementação nutricional ou uma complemêntação alimentar, ou finalmente atingir um efeito antioxidante é necessário utilizar as formas ativas de cada vitamina, assim como as ligações toleráveis para o organismo dos sais minerais, Controlando a interação entre eles, para poder atingir o sucesso terapêutico.
ACIDO FOLICO
É uma vitamina essencial para todas as células, colabora na síntese dos ácidos nucleicos, colina e em todas as enzimas necessárias para a multiplicação celular.Regula o desenvolvimento das células neurológicas do feto e sua administração tem demonstrado reduzir a incidência de lesões no tubo neural.Essencial para a maturação do glóbulo vermelho associado a vitamina B12, assim como na construção dos aminoãcidos.
BIOTINA
Participa no metabolismo dos ácidos graxos, assim como na síntese de proteínas e carboidratos, ajuda na manutenção do metabolismo destesnutrientes.
Age como coenzima hepática em diferentes processos metabólicos. Ajuda a preservar o fun-
cionamento de glândulas sudoríparas, glândulas sexuais masculinas, tecido neurológico e medula óssea.
Calcio
É o quinto mineral mais abundante no corpo humano; representa entre 1000 a 1200 gramas do peso corporal. O cálcio mantém a integridade do sistema esquelético, que usa 99% do cálcio corporal.
Participa na coagulação do sangue, na geração e transmissão de impulsos nervosos, na contração das fibras musculares, e na ativação de sistemas enzimáticos assim como na liberação de alguns hormônios.
E necessária a presença da vitamina D para potencializar a absorção do cálcio
cobre
E um nutriente essencial para o organismo humano, cuja deficiência ocorre somente em casos de má nutrição proteica, no Sprue e outras raras doenças que provocam perda de cobre pela urina.
O cobre é necessário para agir junto com o ferro para formar os glóbulos vermelhos, e representa um componente importante na mielina que recobre os nervos.
Participa no metabolismo do colágeno que é a proteína estrutural mais abundante no organismo, assim como participa na formação dos pigmentos da pele.
O consumo excessivo de álcool e de alimentos ricos em frutose determina estados de deficiência de cobre, e a administração de molibdênio pode precipitar uma maior perda de cobre pela urina.
O zinco em sua forma iônica é competidor nos receptores celulares do cobre, de onde a administração de cobre é de uma parte por cada 20 partes de zinco em média.
O cobre forma parte da enzima superóxido dismutase citoplasmática que precisa do cobre e do zinco para inibir os produtos oxidativos provenientes do metabolismo de oxigénio.
Cromo
Encarregado de regular os níveis de glicose plasmática, trabalha junto com insulina para permitir a entrada da glicose no interior dos tecidos.
É um mineral muito importante por regular a tolerância ao açúcar.
Os níveis de cromo diminuem na criança, em pacientes com diabetes, e nas doenças coronari-anas (associadas a patologia aterosclerótica).
É importante destacar que o cromo trivalente é a única forma terapêutica tolerada pelo organismo; a forma hexavalente é tóxica.
Pacientes que têm alto consumo de açúcar precisam de um aporte maior de cromo, porque estes pacientes apresentam uma perda maior deste mineral pela urina.
Estanho
Considerado como necessario para o desenvolvimento adequado das celulas
Ferro
É necessário para produzir hemoglobina, que é o pigmento encarregado de transportar oxigénio pelos glóbulos vermelhos, assim como da mioglobina que é um pigmento similar depositado nos músculos.
Fosforo
Junto com o cálcio melhora a resistência óssea e dos dentes, ambos contém 85% do fósforo que existe no organismo. O resto do fósforo é utilizado em uma série de reações químicas principalmente para formação de energia, via o metabolismo dos: carboidratos, gorduras e formação de proteínas.
O metabolismo normal do fósforo precisa de uma boa quantidade de vitamina D; assim, quando caem os níveis de fósforo, maior quantidade de vitamina D é produzida para melhorar a reabsorção do fósforo.
Iodo
É melhor conhecido pela sua deficiência, produzindo alterações bociogênicas a nível da glândula tireóide. Tem se associado o uso de iodo na proteção contra os efeitos tóxicos de materiais radioativos, fato comprovado em Chernobil. Participa diretamente no metabolismo dos hormônios tireoideanos. Diminui as dores etensão nas mulheres com doença fibrocistica da mama e principalmente na fase pré-menstrual. É um mineral ricamente distribuído nos oceanos.
Magnesio
Aproximadamente mais da metade das 25 gramas de magnésio que o organismo do adulto contém, encontra-se localizada em 1% dos fluídos corporais, e o resto nos músculos, tecidos moles e ossos.
O magnésio é pobremente absorvido no trato gastrointestinal de modo que 60-70% do mesmo é excretado pelas fezes, porém, em dietas baixas em magnésio o organismo absorve até 75% do que é administrado. magnésio é um importante cofator ou coenzima de mais de 300 reações enzimáticas, participa na produção de energia, no metabolismo da glicose, na oxidação dos ácidos graxos e na ativação dos aminoácidos. Participa na síntese e na transmissão do código genético do DNA e RNA, e na formação do AMP cíclico.
Tem importante ação vasodilatadora, anti-arritmogênica, relaxante muscular e ação sedativa. Quando o ácido fólico é administrado no organismo, é necessário administrar uma dose maior de magnésio, porém uma dieta rica em gorduras reduz a absorção de magnésio porque as gorduras c o magnésio se juntam para formar compostos tipo espuma que o trato gastrointestinal não consegue absorver. A deficiência de vitamina E pode provocar uma deficiência de magnésio tecidual. O consumo elevado de açucares aumenta a necessidade de magnésio no organismo.
Manganês
É necessário para metabolizar adequadamente as gorduras ingeridas, participa no metabolismo ósseo e dos tecidos conectivos para produzir energia, assim como participa no processo de multiplicação celular permitindo uma melhor disposição do colesterol dos ácidos nucleicos. Os pacientes deficientes cm ferro terão uma maior absorção de manganês que pode determinar problemas tóxicos, tipo Síndrome de Parkinson-like, porém, quando existe muito ferro, diminui a absorção de manganês, de onde se conclui, que o manganês tem efeito antioxidante por regular as concentrações plasmáticas livres de ferro.
Forma parte da atividade da enzima superóxido dismutase mitocondrial, principal fonte de produção de ATP e dos Radicais Livres provenientes do oxigénio no metabolismo aeróbico.
Molibdênio
Participa no metabolis mo do ferro no fígado, age como cofator de muitas enzimas, porém sua participação mais importante é no controle da gota, por ajudar o organismo a metabolizar
e remover o ácido úrico. Molibdênio pode aumentar a excreção de cobre.
Níquel
Em 1970 foi definido que o níquel em pequeníssimas quantidades é essencial para o organismo, participando como cofator ou coenzima nas milhares de reações que existem dentro do organismo para obter a homeostase. Quanto maiores as necessidades de ferro no organismo, maiores sao as necessidades de níquel . Nos pacientes com psoríase tem se encontrado níveis baixos de níquel.
Potássio
É o maior íon que se encontra dentro das células, porém se mantém em constante equilíbrio com a pequena quantidade de potássio que se encontra fora da célula, e este potássio extracelular é de uma importância crítica ao contribuir para a passagem dos impulsos nervosos através do corpo, controlando as contrações musculares, inclusive do músculo cardíaco, e ajudando a manter os níveis pressóricos. Os rins controlam a eliminação do potássio, porém, o mesmo se elimina em pequenas quantidades pelo suor e pelo trato gastrointestinal.
Selenio
A importância deste oligoelemento para humanos é conhecida desde 1979, porque cientistas da China descobriram que podiam tratar uma miocardiopatia (Doença de Keshan) que afetava principalmente homens jovens e crianças, com a administração de selênio. A partir desse momento foi determinado seu alto potencial antioxidante, por formar parte da porção ativa da enzima glutationa peroxidase, que é a enzima endógena que inibe os peróxidos lipídicos.
O selênio potencializa a vitamina E, sendo esta, uma segunda via alternativa para inibir a peroxidação dos lipídios. Tanto a vitamina E, como a vitamina C, melhoram o poder de absorção de selênio dentro do organismo, e a deficiência destas vitaminas determina uma absorção deficiente de selênio, concomitante com a perda de seu poder antioxidante.
Silício
É muito parecido com o elemento carbono, porém sua participação dentro do organismo parece ser muito importante, porque liga as subunidades fibrosas da elastina e do colágeno dando sua força e resistência. Participa no metabolismo ósseo, e alguns dados sugerem que ajuda a clarificação óssea após traumas.
O uso de altas doses de fibras, molibdênio, magnésio e flúor alteram sua absorção, podendo provocar deficiências, sem caraterísticas clínicas conhecidas (pode determinar deficiência na formação óssea, e tecidos fibrosos fracos).
Vanádio
Somente em 1974 foi estabelecido que o vanádio seria necessário para manter um equilíbrio no estado de saúde, participando dos diferentes processos metabólicos necessários para formação de energia, agindo como cofator ou ajudando a acelerar as reaçòes no metabolismo dos carboidratos e gorduras, assim como fortalecendo os ossos e dentes.
Para sua absorção utiliza os mesmos meios de transporte que o ferro.
Vitamina B12
(COBALAMINA, CIANOCOBALAMINA)
Age como coenzima em todas as células e na síntese de ácidos nucleicos. Ajuda na síntese de proteínas e gorduras. Essencial para manutenção da saúde das células neurológicas e os tecidos membranosos, além de ser importante e fundamental para a maturação dos glóbulos vermelhos. Age como coenzima para o metabolismo do fígado, rim, coração, nervos, ossos e pele.
A deficiência da vitamina B12 provoca a anemia perniciosa.
Vitamina K
Pertence ao grupo das filoquinonas nas plantas e da menaquinonas nos animais, e é uma vitamina lipossolúvel. A
deficiência em humanos praticamente é desconhecida porque a vitamina K é sintetizada através das bactérias existentes no trato gastrointestinal. Quando existem situações que diminuem a absorção de gorduras pelo intestino, pode haver deficiência de vitamina K. Esta situação também pode acontecer, quando são administrados antibióticos em alta concentração e por períodos prolongados de tempo.
A função mais importante da vitamina K é manter os sistemas de coagulação em perfeito funcionamento, e participa ainda no processo normal de calcificação óssea agindo como cofator de enzimas de carboxilação.
Possui algumas propriedades antioxidantes.
Vitamina B1
(CLORIDRATO DE TIAMINA)
Vitamina hidrossolúvel, que deve ser administrada diariamente; mantém o funcionamento energético normal do organismo e participa da descarboxilação dos alfa cetoácidos e da atividade da transcetolasa no ciclo da pentosa fosfato.
Os níveis de tiamina podem ser medidos pela estimulação da tiamina pirofosfato transcetolasa do eritrócito, e os níveis aceitáveis encontram-se abaixo de 10% .
Vamos ter uma grande riqueza de vitamina B 1no levedo, no ovo, no amendoim, no girassol e principalmente no germe de trigo.
Vitamina B2
(RIBOFLAVINA)
Colabora no metabolismo dos ácidos graxos, age junto com a vitamina A na preservação das membranas mucosas, ajudando a preservar a saúde da pele, olhos e sistema nervoso central. Age como coenzima celular ajudando a transformação de proteínas em energia, e colabora também no metabolismo dos carboidratos.
Participa na formação de hormônio de crescimento, insulina e tiroxina. Ajuda no crescimento e desenvolvimento fetal, interagindo com a vitamina E. As fontes principais se encontram nas carnes (fígado), amêndoas e levedo
Vitamina B3
(NIACINA, ACIDONICOTÍNICO, NICOTINAMIDA)
A nicotinamida é a amida do acido nicotínico; agem como coenzima no metabolismo de proteínas, gorduras e carboidratos. Participa diretamente na formação de sais biliares ajudando a digestão dos ácidos graxos que permitem uma melhor absorção das vitaminas lipossolúveis.
Igual a ribofíavina (B2), colabora na formação do hormônio de crescimento, insulina e da tiroxina. A administração da vitamína B3 produz uma diminuição dos níveis de colesterol e triglicerídios circulantes, e no estudo realizado pelo grupo Coronary Drug Project, consegue melhorar a sobrevida dos pacientes (que utilizam a vitamina B3) comparado com outros hipocolesterolemiantes.
Vitamina B5
(ACIDO PANTOTÊNICO OU SOB A FORMA DE PANTOTENATO DE CÁLCIO)
Participa na formação da acetil CoA, e dos grupos acil. A sua deficiência está associada a câimbras, fadiga, insónia e parestesias.
Pesquisas realizadas têm relacionado a vitamina B5com aumento na qualidade de vida na fase do envelhecimento, participa como antioxidante contra os peróxidos lipídicos e também contra os oxidantes produzidos pelos poluentes ambientais.
Junto com outras vitaminas do complexo, A, C. E, zinco e selênio, diminui a formação de lipofucsina que é um metabólito final da peroxidação lipídica, e ajuda a converter a lecitina e colina em acetilcolina.
Diminui a auto-oxidação da L-dopa como acetilcolina. Participa inibindo os radicais livres no sistema nervoso central durante os processos de isquemia e hipóxia cerebral
Vitamina B 6
(PIRIDOXALFOSFATO,PIRIDOXINA,PIRIDOXAMINAFOSFATO)
Participa no metabolismo das proteínas, facilitando a conversão de metionina em cisteína. Esta última, forma parte da enzima glutationa peroxidase (que inibe a formação de peróxidos lipídicos). Na deficiência de vitamina B6 se forma cistina que pode agir como agente de lesão química endotelial, favorecendo a evolução de aterosclerose.
É utilizada na profilaxia da Síndrome do Túnel Carpiano (Doença de Dupuytren), e na Síndrome de tensão pré-menstrual. Mais de 60 enzimas dentro do organismo dependem da presença da vitamina B6 para poder funcionar adequadamente.
Vitamina C
É uma coenzima essencial na produção do colágeno, hormônios esteróides, pigmentos e certos componentes das células e dos tecidos membranosos. Protege a vitamina A e a vitamina E dos processos oxidativos e age como varredor dos radicais hidroxila.
Regula o metabolismo dos aminoácidos, e melhora a capacidade elástica das artérias, principalmente as de pequeno calibre. A sua deficiência esta associada a fragilidade capilar, uma das caraterísticas do escorbuto.
Pelas suas propriedades antioxidantes protege as membranas celulares de processos lesivos, como os poluentes, venenos e outras substâncias.
Aumenta a absorção de ferro, acelera os processos de cicatrização e ajuda a proteger as células contra o processo de stress.
Melhora o potencial imunológico, aumentando a capacidade fagocitária dos leucócitos, por aumentar o ascorbato leucocitário. Inibe a formação de nitritos em nitrosaminas (estas últimas substâncias são conhecidas em promover mutações genéticas nos tecidos).
A vitamina C ajuda na produção de hormônios adrenais e do sistema reprodutivo.
Participa no metabolismo das gorduras, podendo ter efeito protetor sobre os fenómenos oxidativos do colesterol, fenómeno este, que acelera a arteriosclerose.
A vitamina C não é sintetizada no organismo.
Vitamina D
(ERGOCALCIFEROL)
Vitamina lipossolúvel, onde o sol participa através dos raios ultravioletas para sintetizá-la no organismo humano.
Estimula a absorção intestinal de cálcio, porém, como cálcio e ferro competem entre eles para sua absorção, altas doses de vitamina D, podem determinar uma deficiência de ferro.
A vitamina D, aumenta a absorção intestinal de magnésio que é um dos "sócios" do cálcio para a manutenção do sistema ósseo.
Age ao nível renal permitindo uma reabsorção de fosfatos, outro elemento que age como "sócio" do cálcio na manutenção do tecido ósseo. A função mais importante é agir principalmente mantendo a integridade óssea e aumentando a absorção de minerais requeridos para manter a estrutura do esqueleto.
Vitamina E
(ACETATO DE dl-ALFA TOCOFEROL)
Poderoso antioxidante que inibe a formação dos peróxidos lipídicos (estes são auto-sustentáveis pelo metabolismo das prostaglandinas).
Ajuda a regenerar outras vitaminas lipossolúveis e a vitamina C quando são utilizados na luta contra os processos oxidativos.
A vitamina E é essencial para o funcionamento da maior parte dos sistemas do organismo, porque ajuda a manter a integridade das membranas celulares.
Tem efeito protetor para o organismo, contra agentes tóxicos que podem ser criados pelo metabolismo e degradação dos elementos do organismo. Ajuda no crescimento norma) dos tecidos em geral e também no desenvolvimento dos tecidos musculares do organismo, assim como o protege frente aos processos nocivos resultantes do stress. E urn agente desintoxicante e previne os processos oxidativos; inibe o acúmulo de metabólitos da peroxidação lipídica (como a lipofucsina) e do material ceróide. A vitamina E, agindo dessa maneira, pode ser utilizada na profilaxia do envelhecimento.
VITAMINA A
É essencial para a visão, pele e membranas mucosas, crescimento celular, reprodução e a manutenção do sistema imunológico.
A Vitamina A c atual-mente usada como descrição mais genérica dos compostos que apresentam as propriedades biológicas do retinol. O retinol é então denominado dessa forma por sua relação com a retina do olho, é lipossolúvel, e é a vitamina essencial para manter a visão noturna. As melhores fontes alimentares de vitamina A estão no fígado e nos peixes. O caroteno (pró-vitamina A) é fonte notavelmente potente de vitamina A, sendo o beta-caroteno o mais ativo carotenóide encontrado principalmente na cenoura, espinafre, abóbora, brócoli, etc. Existem mais de 500 variedades de beta-caroteno, sendo a maior parte não assimilável pelo organismo humano.
Sabe-se que cada 6 mcg de betacaroteno vão se converter em 1 mcg de retinol e o betacaroteno tem poderoso efeito antioxidante varrendo o oxigénio singlet ('Oi), espécie tóxica de oxigénio, entre outros. O betacaroteno deve ser considerado como um componente aporte, já que o mesmo não é tóxico para o organismo, fato que o diferencia da vitamina A, que pode acumular-se principalmente a nível hepático quando administrada em doses maiores que 20.000 U.T. por períodos prolongados de tempo.
Os níveis plasmáticos aceitáveis de betacaroteno giram em torno de 40 mcg/dl, entretanto os de vitamina A giram em torno de 20 mcg/dl.
Zinco
Neste último caso geralmente é associado a vitamina A, porque participa na produção de proteínas e ajuda a copiar o código genético que passa de célula a célula. Participa como colaborador em mais de uma dúzia de Sua participação é necessária para o crescimento adequado da pele, cabelo, unhas, e no processo de cicatrização. reações enzimáticas, sendo uma delas a enzima gustin que participa na manutenção do sentido do gosto.
Age como desintoxicante, principalmente na eliminação do álcool, e removendo o excesso de dióxido de carbono.
Participa do núcleo ativo da enzima superoxido dismutase (SOD), sendo sua presença de extrema importância para que a enzima SOD possa realizar suas atividades antioxidantes nos produtos do metabolismo oxidativo do oxigénio.
Tem uma interação com uma série de minerais; o mais importante é o cobre, já que o aumento de zinco diminui o cobre e vice-versa, e já que ambos passam pelo mesmo canal iônico celular.
..
“Prodome”
SUPLEMENTAÇÃO
VITAMÍNICA E MINERAL NOVOS CONCEITOS EM MEDICINA.
DR.EFRAIN OLSZEWER.
Presidente de honra da AMBO(Assoc. Med. Brasileira de Oxidologia) Consultor Científico do Instituto Americano de Medicina Preventiva e da The Rheumatoid Foundation
VITAMINA
Denominação dada por Casimir Funk em 1912 indicando que seriam princípios ativos que deveriam estar deficientes nas doenças carenciais como o beribéri e o escorbuto.
As vitaminas devem ser compreendidas como princípios nutritivos essenciais à manutenção das funções metabólicas. Não sendo contudo, sintetizados pelo organismo, precisam ser fornecidas por fontes exógenas quer na forma pré-formada ou como seus precursores químicos.
Devem ser classificadas como princípios de grande atividade, uma vez que agem em quantidades diminutas e porque participam obrigatoriamente em numerosos processos orgânicos. Pelas suas indicações clássicas utilizaríamos as vitaminas nas carências primárias e secundárias:
As primárias evidentemente seriam consequentes a uma carência vita-mínica fatal como a xeroftalmia(vitamina A), o beribéri (tiamina), a pelagra (ácido nicotínico) e o escorbuto (vitamina C).
As formas secundárias são constituídas por carências que surgem como circunstâncias diversas:
1. Alterações da absorção decorrentesde afecções hepáticas e gastrointestinais diversas;
2. Transtornos de utilização por faltade transformação da pró-vitaminaem vitamina ou desta nos seus produtos de metaboli/ação, indispensáveis ao exercício do seu papelfisiológico, como pode ocorrer nacirrose hepática, nas hepatites, nohipotireoidismo e nas lesões destrutivas do intestino;
Multivitaminicos
A característica mais importante de um multivitamínico, éde possuir todos os elementos necessários para o organismo,nas doses adequadas para poder atingir seus objetivos, sem neutralizar o efeito entre eles quando administrados fora das doses normalmente protocoladas. Se o objetivo é fazer uma suplementação nutricional ou uma complemêntação alimentar, ou finalmente atingir um efeito antioxidante é necessário utilizar as formas ativas de cada vitamina, assim como as ligações toleráveis para o organismo dos sais minerais, Controlando a interação entre eles, para poder atingir o sucesso terapêutico.
ACIDO FOLICO
É uma vitamina essencial para todas as células, colabora na síntese dos ácidos nucleicos, colina e em todas as enzimas necessárias para a multiplicação celular.Regula o desenvolvimento das células neurológicas do feto e sua administração tem demonstrado reduzir a incidência de lesões no tubo neural.Essencial para a maturação do glóbulo vermelho associado a vitamina B12, assim como na construção dos aminoãcidos.
BIOTINA
Participa no metabolismo dos ácidos graxos, assim como na síntese de proteínas e carboidratos, ajuda na manutenção do metabolismo destesnutrientes.
Age como coenzima hepática em diferentes processos metabólicos. Ajuda a preservar o fun-
cionamento de glândulas sudoríparas, glândulas sexuais masculinas, tecido neurológico e medula óssea.
Calcio
É o quinto mineral mais abundante no corpo humano; representa entre 1000 a 1200 gramas do peso corporal. O cálcio mantém a integridade do sistema esquelético, que usa 99% do cálcio corporal.
Participa na coagulação do sangue, na geração e transmissão de impulsos nervosos, na contração das fibras musculares, e na ativação de sistemas enzimáticos assim como na liberação de alguns hormônios.
E necessária a presença da vitamina D para potencializar a absorção do cálcio
cobre
E um nutriente essencial para o organismo humano, cuja deficiência ocorre somente em casos de má nutrição proteica, no Sprue e outras raras doenças que provocam perda de cobre pela urina.
O cobre é necessário para agir junto com o ferro para formar os glóbulos vermelhos, e representa um componente importante na mielina que recobre os nervos.
Participa no metabolismo do colágeno que é a proteína estrutural mais abundante no organismo, assim como participa na formação dos pigmentos da pele.
O consumo excessivo de álcool e de alimentos ricos em frutose determina estados de deficiência de cobre, e a administração de molibdênio pode precipitar uma maior perda de cobre pela urina.
O zinco em sua forma iônica é competidor nos receptores celulares do cobre, de onde a administração de cobre é de uma parte por cada 20 partes de zinco em média.
O cobre forma parte da enzima superóxido dismutase citoplasmática que precisa do cobre e do zinco para inibir os produtos oxidativos provenientes do metabolismo de oxigénio.
Cromo
Encarregado de regular os níveis de glicose plasmática, trabalha junto com insulina para permitir a entrada da glicose no interior dos tecidos.
É um mineral muito importante por regular a tolerância ao açúcar.
Os níveis de cromo diminuem na criança, em pacientes com diabetes, e nas doenças coronari-anas (associadas a patologia aterosclerótica).
É importante destacar que o cromo trivalente é a única forma terapêutica tolerada pelo organismo; a forma hexavalente é tóxica.
Pacientes que têm alto consumo de açúcar precisam de um aporte maior de cromo, porque estes pacientes apresentam uma perda maior deste mineral pela urina.
Estanho
Considerado como necessario para o desenvolvimento adequado das celulas
Ferro
É necessário para produzir hemoglobina, que é o pigmento encarregado de transportar oxigénio pelos glóbulos vermelhos, assim como da mioglobina que é um pigmento similar depositado nos músculos.
Fosforo
Junto com o cálcio melhora a resistência óssea e dos dentes, ambos contém 85% do fósforo que existe no organismo. O resto do fósforo é utilizado em uma série de reações químicas principalmente para formação de energia, via o metabolismo dos: carboidratos, gorduras e formação de proteínas.
O metabolismo normal do fósforo precisa de uma boa quantidade de vitamina D; assim, quando caem os níveis de fósforo, maior quantidade de vitamina D é produzida para melhorar a reabsorção do fósforo.
Iodo
É melhor conhecido pela sua deficiência, produzindo alterações bociogênicas a nível da glândula tireóide. Tem se associado o uso de iodo na proteção contra os efeitos tóxicos de materiais radioativos, fato comprovado em Chernobil. Participa diretamente no metabolismo dos hormônios tireoideanos. Diminui as dores etensão nas mulheres com doença fibrocistica da mama e principalmente na fase pré-menstrual. É um mineral ricamente distribuído nos oceanos.
Magnesio
Aproximadamente mais da metade das 25 gramas de magnésio que o organismo do adulto contém, encontra-se localizada em 1% dos fluídos corporais, e o resto nos músculos, tecidos moles e ossos.
O magnésio é pobremente absorvido no trato gastrointestinal de modo que 60-70% do mesmo é excretado pelas fezes, porém, em dietas baixas em magnésio o organismo absorve até 75% do que é administrado. magnésio é um importante cofator ou coenzima de mais de 300 reações enzimáticas, participa na produção de energia, no metabolismo da glicose, na oxidação dos ácidos graxos e na ativação dos aminoácidos. Participa na síntese e na transmissão do código genético do DNA e RNA, e na formação do AMP cíclico.
Tem importante ação vasodilatadora, anti-arritmogênica, relaxante muscular e ação sedativa. Quando o ácido fólico é administrado no organismo, é necessário administrar uma dose maior de magnésio, porém uma dieta rica em gorduras reduz a absorção de magnésio porque as gorduras c o magnésio se juntam para formar compostos tipo espuma que o trato gastrointestinal não consegue absorver. A deficiência de vitamina E pode provocar uma deficiência de magnésio tecidual. O consumo elevado de açucares aumenta a necessidade de magnésio no organismo.
Manganês
É necessário para metabolizar adequadamente as gorduras ingeridas, participa no metabolismo ósseo e dos tecidos conectivos para produzir energia, assim como participa no processo de multiplicação celular permitindo uma melhor disposição do colesterol dos ácidos nucleicos. Os pacientes deficientes cm ferro terão uma maior absorção de manganês que pode determinar problemas tóxicos, tipo Síndrome de Parkinson-like, porém, quando existe muito ferro, diminui a absorção de manganês, de onde se conclui, que o manganês tem efeito antioxidante por regular as concentrações plasmáticas livres de ferro.
Forma parte da atividade da enzima superóxido dismutase mitocondrial, principal fonte de produção de ATP e dos Radicais Livres provenientes do oxigénio no metabolismo aeróbico.
Molibdênio
Participa no metabolis mo do ferro no fígado, age como cofator de muitas enzimas, porém sua participação mais importante é no controle da gota, por ajudar o organismo a metabolizar
e remover o ácido úrico. Molibdênio pode aumentar a excreção de cobre.
Níquel
Em 1970 foi definido que o níquel em pequeníssimas quantidades é essencial para o organismo, participando como cofator ou coenzima nas milhares de reações que existem dentro do organismo para obter a homeostase. Quanto maiores as necessidades de ferro no organismo, maiores sao as necessidades de níquel . Nos pacientes com psoríase tem se encontrado níveis baixos de níquel.
Potássio
É o maior íon que se encontra dentro das células, porém se mantém em constante equilíbrio com a pequena quantidade de potássio que se encontra fora da célula, e este potássio extracelular é de uma importância crítica ao contribuir para a passagem dos impulsos nervosos através do corpo, controlando as contrações musculares, inclusive do músculo cardíaco, e ajudando a manter os níveis pressóricos. Os rins controlam a eliminação do potássio, porém, o mesmo se elimina em pequenas quantidades pelo suor e pelo trato gastrointestinal.
Selenio
A importância deste oligoelemento para humanos é conhecida desde 1979, porque cientistas da China descobriram que podiam tratar uma miocardiopatia (Doença de Keshan) que afetava principalmente homens jovens e crianças, com a administração de selênio. A partir desse momento foi determinado seu alto potencial antioxidante, por formar parte da porção ativa da enzima glutationa peroxidase, que é a enzima endógena que inibe os peróxidos lipídicos.
O selênio potencializa a vitamina E, sendo esta, uma segunda via alternativa para inibir a peroxidação dos lipídios. Tanto a vitamina E, como a vitamina C, melhoram o poder de absorção de selênio dentro do organismo, e a deficiência destas vitaminas determina uma absorção deficiente de selênio, concomitante com a perda de seu poder antioxidante.
Silício
É muito parecido com o elemento carbono, porém sua participação dentro do organismo parece ser muito importante, porque liga as subunidades fibrosas da elastina e do colágeno dando sua força e resistência. Participa no metabolismo ósseo, e alguns dados sugerem que ajuda a clarificação óssea após traumas.
O uso de altas doses de fibras, molibdênio, magnésio e flúor alteram sua absorção, podendo provocar deficiências, sem caraterísticas clínicas conhecidas (pode determinar deficiência na formação óssea, e tecidos fibrosos fracos).
Vanádio
Somente em 1974 foi estabelecido que o vanádio seria necessário para manter um equilíbrio no estado de saúde, participando dos diferentes processos metabólicos necessários para formação de energia, agindo como cofator ou ajudando a acelerar as reaçòes no metabolismo dos carboidratos e gorduras, assim como fortalecendo os ossos e dentes.
Para sua absorção utiliza os mesmos meios de transporte que o ferro.
Vitamina B12
(COBALAMINA, CIANOCOBALAMINA)
Age como coenzima em todas as células e na síntese de ácidos nucleicos. Ajuda na síntese de proteínas e gorduras. Essencial para manutenção da saúde das células neurológicas e os tecidos membranosos, além de ser importante e fundamental para a maturação dos glóbulos vermelhos. Age como coenzima para o metabolismo do fígado, rim, coração, nervos, ossos e pele.
A deficiência da vitamina B12 provoca a anemia perniciosa.
Vitamina K
Pertence ao grupo das filoquinonas nas plantas e da menaquinonas nos animais, e é uma vitamina lipossolúvel. A
deficiência em humanos praticamente é desconhecida porque a vitamina K é sintetizada através das bactérias existentes no trato gastrointestinal. Quando existem situações que diminuem a absorção de gorduras pelo intestino, pode haver deficiência de vitamina K. Esta situação também pode acontecer, quando são administrados antibióticos em alta concentração e por períodos prolongados de tempo.
A função mais importante da vitamina K é manter os sistemas de coagulação em perfeito funcionamento, e participa ainda no processo normal de calcificação óssea agindo como cofator de enzimas de carboxilação.
Possui algumas propriedades antioxidantes.
Vitamina B1
(CLORIDRATO DE TIAMINA)
Vitamina hidrossolúvel, que deve ser administrada diariamente; mantém o funcionamento energético normal do organismo e participa da descarboxilação dos alfa cetoácidos e da atividade da transcetolasa no ciclo da pentosa fosfato.
Os níveis de tiamina podem ser medidos pela estimulação da tiamina pirofosfato transcetolasa do eritrócito, e os níveis aceitáveis encontram-se abaixo de 10% .
Vamos ter uma grande riqueza de vitamina B 1no levedo, no ovo, no amendoim, no girassol e principalmente no germe de trigo.
Vitamina B2
(RIBOFLAVINA)
Colabora no metabolismo dos ácidos graxos, age junto com a vitamina A na preservação das membranas mucosas, ajudando a preservar a saúde da pele, olhos e sistema nervoso central. Age como coenzima celular ajudando a transformação de proteínas em energia, e colabora também no metabolismo dos carboidratos.
Participa na formação de hormônio de crescimento, insulina e tiroxina. Ajuda no crescimento e desenvolvimento fetal, interagindo com a vitamina E. As fontes principais se encontram nas carnes (fígado), amêndoas e levedo
Vitamina B3
(NIACINA, ACIDONICOTÍNICO, NICOTINAMIDA)
A nicotinamida é a amida do acido nicotínico; agem como coenzima no metabolismo de proteínas, gorduras e carboidratos. Participa diretamente na formação de sais biliares ajudando a digestão dos ácidos graxos que permitem uma melhor absorção das vitaminas lipossolúveis.
Igual a ribofíavina (B2), colabora na formação do hormônio de crescimento, insulina e da tiroxina. A administração da vitamína B3 produz uma diminuição dos níveis de colesterol e triglicerídios circulantes, e no estudo realizado pelo grupo Coronary Drug Project, consegue melhorar a sobrevida dos pacientes (que utilizam a vitamina B3) comparado com outros hipocolesterolemiantes.
Vitamina B5
(ACIDO PANTOTÊNICO OU SOB A FORMA DE PANTOTENATO DE CÁLCIO)
Participa na formação da acetil CoA, e dos grupos acil. A sua deficiência está associada a câimbras, fadiga, insónia e parestesias.
Pesquisas realizadas têm relacionado a vitamina B5com aumento na qualidade de vida na fase do envelhecimento, participa como antioxidante contra os peróxidos lipídicos e também contra os oxidantes produzidos pelos poluentes ambientais.
Junto com outras vitaminas do complexo, A, C. E, zinco e selênio, diminui a formação de lipofucsina que é um metabólito final da peroxidação lipídica, e ajuda a converter a lecitina e colina em acetilcolina.
Diminui a auto-oxidação da L-dopa como acetilcolina. Participa inibindo os radicais livres no sistema nervoso central durante os processos de isquemia e hipóxia cerebral
Vitamina B 6
(PIRIDOXALFOSFATO,PIRIDOXINA,PIRIDOXAMINAFOSFATO)
Participa no metabolismo das proteínas, facilitando a conversão de metionina em cisteína. Esta última, forma parte da enzima glutationa peroxidase (que inibe a formação de peróxidos lipídicos). Na deficiência de vitamina B6 se forma cistina que pode agir como agente de lesão química endotelial, favorecendo a evolução de aterosclerose.
É utilizada na profilaxia da Síndrome do Túnel Carpiano (Doença de Dupuytren), e na Síndrome de tensão pré-menstrual. Mais de 60 enzimas dentro do organismo dependem da presença da vitamina B6 para poder funcionar adequadamente.
Vitamina C
É uma coenzima essencial na produção do colágeno, hormônios esteróides, pigmentos e certos componentes das células e dos tecidos membranosos. Protege a vitamina A e a vitamina E dos processos oxidativos e age como varredor dos radicais hidroxila.
Regula o metabolismo dos aminoácidos, e melhora a capacidade elástica das artérias, principalmente as de pequeno calibre. A sua deficiência esta associada a fragilidade capilar, uma das caraterísticas do escorbuto.
Pelas suas propriedades antioxidantes protege as membranas celulares de processos lesivos, como os poluentes, venenos e outras substâncias.
Aumenta a absorção de ferro, acelera os processos de cicatrização e ajuda a proteger as células contra o processo de stress.
Melhora o potencial imunológico, aumentando a capacidade fagocitária dos leucócitos, por aumentar o ascorbato leucocitário. Inibe a formação de nitritos em nitrosaminas (estas últimas substâncias são conhecidas em promover mutações genéticas nos tecidos).
A vitamina C ajuda na produção de hormônios adrenais e do sistema reprodutivo.
Participa no metabolismo das gorduras, podendo ter efeito protetor sobre os fenómenos oxidativos do colesterol, fenómeno este, que acelera a arteriosclerose.
A vitamina C não é sintetizada no organismo.
Vitamina D
(ERGOCALCIFEROL)
Vitamina lipossolúvel, onde o sol participa através dos raios ultravioletas para sintetizá-la no organismo humano.
Estimula a absorção intestinal de cálcio, porém, como cálcio e ferro competem entre eles para sua absorção, altas doses de vitamina D, podem determinar uma deficiência de ferro.
A vitamina D, aumenta a absorção intestinal de magnésio que é um dos "sócios" do cálcio para a manutenção do sistema ósseo.
Age ao nível renal permitindo uma reabsorção de fosfatos, outro elemento que age como "sócio" do cálcio na manutenção do tecido ósseo. A função mais importante é agir principalmente mantendo a integridade óssea e aumentando a absorção de minerais requeridos para manter a estrutura do esqueleto.
Vitamina E
(ACETATO DE dl-ALFA TOCOFEROL)
Poderoso antioxidante que inibe a formação dos peróxidos lipídicos (estes são auto-sustentáveis pelo metabolismo das prostaglandinas).
Ajuda a regenerar outras vitaminas lipossolúveis e a vitamina C quando são utilizados na luta contra os processos oxidativos.
A vitamina E é essencial para o funcionamento da maior parte dos sistemas do organismo, porque ajuda a manter a integridade das membranas celulares.
Tem efeito protetor para o organismo, contra agentes tóxicos que podem ser criados pelo metabolismo e degradação dos elementos do organismo. Ajuda no crescimento norma) dos tecidos em geral e também no desenvolvimento dos tecidos musculares do organismo, assim como o protege frente aos processos nocivos resultantes do stress. E urn agente desintoxicante e previne os processos oxidativos; inibe o acúmulo de metabólitos da peroxidação lipídica (como a lipofucsina) e do material ceróide. A vitamina E, agindo dessa maneira, pode ser utilizada na profilaxia do envelhecimento.
VITAMINA A
É essencial para a visão, pele e membranas mucosas, crescimento celular, reprodução e a manutenção do sistema imunológico.
A Vitamina A c atual-mente usada como descrição mais genérica dos compostos que apresentam as propriedades biológicas do retinol. O retinol é então denominado dessa forma por sua relação com a retina do olho, é lipossolúvel, e é a vitamina essencial para manter a visão noturna. As melhores fontes alimentares de vitamina A estão no fígado e nos peixes. O caroteno (pró-vitamina A) é fonte notavelmente potente de vitamina A, sendo o beta-caroteno o mais ativo carotenóide encontrado principalmente na cenoura, espinafre, abóbora, brócoli, etc. Existem mais de 500 variedades de beta-caroteno, sendo a maior parte não assimilável pelo organismo humano.
Sabe-se que cada 6 mcg de betacaroteno vão se converter em 1 mcg de retinol e o betacaroteno tem poderoso efeito antioxidante varrendo o oxigénio singlet ('Oi), espécie tóxica de oxigénio, entre outros. O betacaroteno deve ser considerado como um componente aporte, já que o mesmo não é tóxico para o organismo, fato que o diferencia da vitamina A, que pode acumular-se principalmente a nível hepático quando administrada em doses maiores que 20.000 U.T. por períodos prolongados de tempo.
Os níveis plasmáticos aceitáveis de betacaroteno giram em torno de 40 mcg/dl, entretanto os de vitamina A giram em torno de 20 mcg/dl.
Zinco
Neste último caso geralmente é associado a vitamina A, porque participa na produção de proteínas e ajuda a copiar o código genético que passa de célula a célula. Participa como colaborador em mais de uma dúzia de Sua participação é necessária para o crescimento adequado da pele, cabelo, unhas, e no processo de cicatrização. reações enzimáticas, sendo uma delas a enzima gustin que participa na manutenção do sentido do gosto.
Age como desintoxicante, principalmente na eliminação do álcool, e removendo o excesso de dióxido de carbono.
Participa do núcleo ativo da enzima superoxido dismutase (SOD), sendo sua presença de extrema importância para que a enzima SOD possa realizar suas atividades antioxidantes nos produtos do metabolismo oxidativo do oxigénio.
Tem uma interação com uma série de minerais; o mais importante é o cobre, já que o aumento de zinco diminui o cobre e vice-versa, e já que ambos passam pelo mesmo canal iônico celular.
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“Prodome”
Revoluçao, busca de novos caminhos
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Revoluçao
A busca de novos caminhos
Ao longo do processo de evolução da sociedade humana, presenciamos uma luta contínua pelo controle do poder. Em todas as épocas, manifestaram-se movimentos que levam ao poder — ou afastam dele. — faraós, reis e imperadores. Na maioria não constituem, propriamente, o que chamamos hoje de revolução — são considerados apenas rebeliões ou insurreições.
A revolução, segundo o conceito atual, é um movimento que provoca mudanças bruscas, às vezes violentas, na estrutura política, económica e social de um Estado. Só na Idade Moderna surge com essas características bem definidas. O movimento considerado como padrão desse conceito é o processo revolucionário francês, que se manifestou entre 1787 e 1794, e atingiu seu ponto máximo em 1789. Por isso é também chamada "Revolução de 1789". Sua importância como marco está no fato de ter tido repercussão mundial, por sua violência e por suas causas, comuns a praticamente todos os outros movimentos que irromperam no fim do século XVIII. Os modelos de ação e ideo logia, lançados por ela, orientam os movimentos posteriores, que ocorrem por toda a Europa em 1830 e 1848. É nesse período que se formam as diferentes correntes políticas que serão responsáveis pelas revoluções modernas e contemporâneas.
Correntes da politica
Após a queda de Napoleão, o Congresso de Viena (1815) restabelece os regimes absolutistas. E logo se formam os grupos de oposição a eles. As tendências da oposição são justamente as que. marcaram as três grandes fases da Revolução Francesa: moderada-liberal, constituída pela aristocracia liberal e a alta classe média; radical-democrata, representada pela pequena burguesia e intelectuais; e a socialista, constituída pela recém-formada classe de operários industriais.
A primeira tendência inspirava-se nos ideais da fase de 1789-1791, em favor da monarquia constitucional parlamentar e do voto censitário, isto é, de acordo com a renda dos eleitores. Suas reivindicações estão contidas na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, que é um mainfesto contra o poder da nobreza e da monarquia absoluta. Nele se defende, contudo, a propriedade privada, que é considerada "um direito natural, sagrado, inalienável e inviolável" e aceita-se a existência da distinção de classes.
A segunda tendência origina-se no regime de 1792-1793, tendo como objetivo político uma república democrática. Seus princípios baseiam-se na Constituição Jacobina, que previa o sufrágio universal, o direito de insurreição e estabelecia os fundamentos de uma assistência social às camadas miseráveis da população, cabendo ao governo fornecerlhes trabalho e auxílio direto. Estabelecia, ainda, a instrução pública para todos. Foi a primeira constituição realmente democrática promulgada por um Estado moderno.
A terceira tendência surge das rebeliões posteriores ao período termidoriano da Revolução, principalmente da "Conspiração dos Iguais", liderada por Babeuf em 1794. Considerava a igualdade política inseparável da igualdade social e acreditava na possibilidade de um domínio direto do povo sobre os órgãos do Estado. Preconizava uma economia controlada e a reorganização sistemática da vida social, por meio da propriedade coletiva e do ensino público obrigatório, para a transformação da mentalidade das massas. Representa o início de uma linha socialista de pensamento..
Apesar das diferenças nas linhas políticas, todas essas tendências uniam-se diante do inimigo comum, a monarquia absolutista. Embora se guiassem por princípios estabelecidos na Revolução de 1789, as revoluções do século XIX eram planejadas e cuidadosamente estudadas, baseando-se nos modelos por aquela oferecidos.
As sociedades secretas
O período de 1815 a 1830 é marcado pelas conspirações seguidas de tentativas de estabelecer a "monarquia constitucional em toda a Europa. A oposição à restauração do absolutismo resumia-se, em geral, a grupos formados por intelectuais e pessoas ricas, seguidores da linha radical-democrática. Mas suas reivindicações limitavam-se ao plano político; não apresentavam programa algum de modificações sociais em outros setores. Com exceção da Inglaterra, onde a situação política e económica era peculiar, não havia diferenças flagrantes entre as correntes oposicionistas europeias. Os revolucionários consideravam-se como grupos decididos à luta pela emancipação da massa que, embora lhes fosse favorável, nada faria para participar ativamente da luta. Encaravam a re-v volução como um fenómeno europeu, um movimento global indivisível, e não local ou nacional. Adotavam, inclusive, a mesma forma de organização: a sociedade secreta insurrecional.
A mais conhecida dessas sociedades foi a dos "carbonários", assim chamados por ser constituída de lenhadores carvoeiros (carbo-nari, em italiano), que se reuniam nos bosquês. Esse grupo formou-se na Itália, depois de 1806, e estendeu-se por toda a Europa a partir de 1815. Alcança seu apogeu no período de 1820 a 1821, sendo que muitos de seus organismos foram virtualmente destruídos em 1823. Mas permanece como linha de organização revolucionária muito importante, até depois dos movimentos de 1830. Era formado por grupos heterogéneos; no entanto, estavam todos unidos pelo ideal comum de oposição ao absolutismo.
A vitória dos movimentos revolucionários, ainda que passageira, dependia da adesão da classe militar. Na França e na Rússia, por exemplo, onde não foi conseguida, fracassaram. Já na Espanha, Nápoles e Sardenha, onde foram apoiados pelos militares, são vitoriosos; e conseguem forçar os soberanos absolutistas a promulgar constituições ou restabelecer as que haviam sido abolidas. A adesão da classe militar a esse movimento explica-se por sua composição, pois nela havia grande número de oficiais não-aristocratas.
Por volta de 1823, entretanto, todos os regimes constitucionais haviam sido derrotados, devido à intervenção estrangeira: da França na Espanha e da Áustria na Sardenha e Nápoles. Somente a revolução grega de 1821 conseguiu manter-se, isso porque não apenas desencadeou a revolta popular geral, mas contou também com o apoio de grandes potências. A Rússia, a Inglaterra e a França, empenhadas no enfraquecimento do Império Otomano, do qual a Grécia fazia parte, não hesitaram em ajudar o movimento rebelde.
A fase revolucionária
Por toda a Europa rebentam movimentos revolucionários em 1830 e 1848, num clima de inquietação social e económica provocado pelas transformações que marcaram o fim do século XVIII e princípios do XIX. São repercussões de uma nova revolução, mas esta de natureza bem diferente: a chamada Revolução Industrial.
No plano político, as transformações de estrutura que caracterizam a nova era industrial tornam possível a revolução de massas, no modelo da de 1789; a atividade das sociedades secretas torna-se desnecessária. Por outro lado, o desenvolvimento urbano atraí para as cidades a mão-de-obra dos campos. Dessa forma, passa a delinear-se uma nova estrutura, mais adequada à realidade industrial. As linhas políticas dividiram a Europa em duas grandes, regiões; na área a oeste do Reno, predominam as tendências liberais. A leste do Reno a situação continua como antes: todos os movimentos contra o absolutismo, que ainda perdura, são derrotados pelos austríacos e russos.
Contra a monarquia
Uma reação nacionalista contra o inter-nacionalismo carbonário ganhou terreno e captou grande parte da esquerda europeia, após 1830. Os liberais ainda aceitavam uma possibilidade de conciliação. Acreditavam que se o monarca aceitasse pautar seu governo por uma constituição democrática, era bastante viável e até mesmo desejável que ele se mantivesse no poder.
Mas os radicais não aceitavam a confiança dos liberais nos príncipes e potentados. Achavam que os povos deveriam preparar-se para conquistar a liberdade por seus próprios esforços e não esperar que alguém lha quisesse outorgar. O mesmo sentimento era professado pelos socialistas, herdeiros do chamado babeuf ismo, a linha liderada por Babeuf na terceira fase da Revolução Francesa.
O princípio da revolução social dividiu os radicais da classe média, na França, homens de negócios e intelectuais, que se opunham aos governos liberais moderados. Na Inglaterra, a maior parte da oposição liberal' colocou-se contra os movimentos das classes trabalhadoras.
Apesar de divididos pelas condições locais, pelas nacionalidades e pelas classes, os movimentos de 1830 e 1848 conservavam muitas coisas em comum. Continuavam sendo, cm sua maior parte, organizações em que predominavam a classe média e os intelectuais. Ao estourarem as revoluções, o povo muitas vezes unia-se a elas; mas em geral não participava ativamente da elaboração do movimento. E o padrão de estratégia e tática mantinha-sc o mesmo, com base na experiência herdada da Revolução de 1789, quaisquer que fossem suas linhas, moderadas ou radicais, conforme a situação política e social de cada país.
As palavras de ordem da Revolução Francesa mobilizavam grandes setores da população. Isso era compreensível, uma vez que seus princípios — liberais e igualitários — não se haviam concretizado ainda na maior parte da Europa. Em 1848, somente a alta burguesia participava do setor governamental; e, mesmo assim, apenas em alguns países. A monarquia absoluta e a aristocracia ainda perduravam em muitos lugares. Portanto, permanecia ainda como reivindicação atua] a liberdade de expressão, a igualdade de oportunidades, que eram o objetivo da luta em 1789.
Dessa forma, todo o cenário político europeu foi, pelo menos até 1848, dominado por objetivos e métodos surgidos na grande Revolução Francesa. Pouco a pouco, os métodos e mesmo os objetivos foram sofrendo transformações. No final do século XIX e no decorrer do século XX, os movimentos revolucionários, em todo o mundo, assumiriam novas características. Para isto, contribuiriam as grandes transformações no campo económico e social, derivadas da industrialização crescente, e a queda da monarquia, na maior parte dos países.
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Revoluçao
A busca de novos caminhos
Ao longo do processo de evolução da sociedade humana, presenciamos uma luta contínua pelo controle do poder. Em todas as épocas, manifestaram-se movimentos que levam ao poder — ou afastam dele. — faraós, reis e imperadores. Na maioria não constituem, propriamente, o que chamamos hoje de revolução — são considerados apenas rebeliões ou insurreições.
A revolução, segundo o conceito atual, é um movimento que provoca mudanças bruscas, às vezes violentas, na estrutura política, económica e social de um Estado. Só na Idade Moderna surge com essas características bem definidas. O movimento considerado como padrão desse conceito é o processo revolucionário francês, que se manifestou entre 1787 e 1794, e atingiu seu ponto máximo em 1789. Por isso é também chamada "Revolução de 1789". Sua importância como marco está no fato de ter tido repercussão mundial, por sua violência e por suas causas, comuns a praticamente todos os outros movimentos que irromperam no fim do século XVIII. Os modelos de ação e ideo logia, lançados por ela, orientam os movimentos posteriores, que ocorrem por toda a Europa em 1830 e 1848. É nesse período que se formam as diferentes correntes políticas que serão responsáveis pelas revoluções modernas e contemporâneas.
Correntes da politica
Após a queda de Napoleão, o Congresso de Viena (1815) restabelece os regimes absolutistas. E logo se formam os grupos de oposição a eles. As tendências da oposição são justamente as que. marcaram as três grandes fases da Revolução Francesa: moderada-liberal, constituída pela aristocracia liberal e a alta classe média; radical-democrata, representada pela pequena burguesia e intelectuais; e a socialista, constituída pela recém-formada classe de operários industriais.
A primeira tendência inspirava-se nos ideais da fase de 1789-1791, em favor da monarquia constitucional parlamentar e do voto censitário, isto é, de acordo com a renda dos eleitores. Suas reivindicações estão contidas na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, que é um mainfesto contra o poder da nobreza e da monarquia absoluta. Nele se defende, contudo, a propriedade privada, que é considerada "um direito natural, sagrado, inalienável e inviolável" e aceita-se a existência da distinção de classes.
A segunda tendência origina-se no regime de 1792-1793, tendo como objetivo político uma república democrática. Seus princípios baseiam-se na Constituição Jacobina, que previa o sufrágio universal, o direito de insurreição e estabelecia os fundamentos de uma assistência social às camadas miseráveis da população, cabendo ao governo fornecerlhes trabalho e auxílio direto. Estabelecia, ainda, a instrução pública para todos. Foi a primeira constituição realmente democrática promulgada por um Estado moderno.
A terceira tendência surge das rebeliões posteriores ao período termidoriano da Revolução, principalmente da "Conspiração dos Iguais", liderada por Babeuf em 1794. Considerava a igualdade política inseparável da igualdade social e acreditava na possibilidade de um domínio direto do povo sobre os órgãos do Estado. Preconizava uma economia controlada e a reorganização sistemática da vida social, por meio da propriedade coletiva e do ensino público obrigatório, para a transformação da mentalidade das massas. Representa o início de uma linha socialista de pensamento..
Apesar das diferenças nas linhas políticas, todas essas tendências uniam-se diante do inimigo comum, a monarquia absolutista. Embora se guiassem por princípios estabelecidos na Revolução de 1789, as revoluções do século XIX eram planejadas e cuidadosamente estudadas, baseando-se nos modelos por aquela oferecidos.
As sociedades secretas
O período de 1815 a 1830 é marcado pelas conspirações seguidas de tentativas de estabelecer a "monarquia constitucional em toda a Europa. A oposição à restauração do absolutismo resumia-se, em geral, a grupos formados por intelectuais e pessoas ricas, seguidores da linha radical-democrática. Mas suas reivindicações limitavam-se ao plano político; não apresentavam programa algum de modificações sociais em outros setores. Com exceção da Inglaterra, onde a situação política e económica era peculiar, não havia diferenças flagrantes entre as correntes oposicionistas europeias. Os revolucionários consideravam-se como grupos decididos à luta pela emancipação da massa que, embora lhes fosse favorável, nada faria para participar ativamente da luta. Encaravam a re-v volução como um fenómeno europeu, um movimento global indivisível, e não local ou nacional. Adotavam, inclusive, a mesma forma de organização: a sociedade secreta insurrecional.
A mais conhecida dessas sociedades foi a dos "carbonários", assim chamados por ser constituída de lenhadores carvoeiros (carbo-nari, em italiano), que se reuniam nos bosquês. Esse grupo formou-se na Itália, depois de 1806, e estendeu-se por toda a Europa a partir de 1815. Alcança seu apogeu no período de 1820 a 1821, sendo que muitos de seus organismos foram virtualmente destruídos em 1823. Mas permanece como linha de organização revolucionária muito importante, até depois dos movimentos de 1830. Era formado por grupos heterogéneos; no entanto, estavam todos unidos pelo ideal comum de oposição ao absolutismo.
A vitória dos movimentos revolucionários, ainda que passageira, dependia da adesão da classe militar. Na França e na Rússia, por exemplo, onde não foi conseguida, fracassaram. Já na Espanha, Nápoles e Sardenha, onde foram apoiados pelos militares, são vitoriosos; e conseguem forçar os soberanos absolutistas a promulgar constituições ou restabelecer as que haviam sido abolidas. A adesão da classe militar a esse movimento explica-se por sua composição, pois nela havia grande número de oficiais não-aristocratas.
Por volta de 1823, entretanto, todos os regimes constitucionais haviam sido derrotados, devido à intervenção estrangeira: da França na Espanha e da Áustria na Sardenha e Nápoles. Somente a revolução grega de 1821 conseguiu manter-se, isso porque não apenas desencadeou a revolta popular geral, mas contou também com o apoio de grandes potências. A Rússia, a Inglaterra e a França, empenhadas no enfraquecimento do Império Otomano, do qual a Grécia fazia parte, não hesitaram em ajudar o movimento rebelde.
A fase revolucionária
Por toda a Europa rebentam movimentos revolucionários em 1830 e 1848, num clima de inquietação social e económica provocado pelas transformações que marcaram o fim do século XVIII e princípios do XIX. São repercussões de uma nova revolução, mas esta de natureza bem diferente: a chamada Revolução Industrial.
No plano político, as transformações de estrutura que caracterizam a nova era industrial tornam possível a revolução de massas, no modelo da de 1789; a atividade das sociedades secretas torna-se desnecessária. Por outro lado, o desenvolvimento urbano atraí para as cidades a mão-de-obra dos campos. Dessa forma, passa a delinear-se uma nova estrutura, mais adequada à realidade industrial. As linhas políticas dividiram a Europa em duas grandes, regiões; na área a oeste do Reno, predominam as tendências liberais. A leste do Reno a situação continua como antes: todos os movimentos contra o absolutismo, que ainda perdura, são derrotados pelos austríacos e russos.
Contra a monarquia
Uma reação nacionalista contra o inter-nacionalismo carbonário ganhou terreno e captou grande parte da esquerda europeia, após 1830. Os liberais ainda aceitavam uma possibilidade de conciliação. Acreditavam que se o monarca aceitasse pautar seu governo por uma constituição democrática, era bastante viável e até mesmo desejável que ele se mantivesse no poder.
Mas os radicais não aceitavam a confiança dos liberais nos príncipes e potentados. Achavam que os povos deveriam preparar-se para conquistar a liberdade por seus próprios esforços e não esperar que alguém lha quisesse outorgar. O mesmo sentimento era professado pelos socialistas, herdeiros do chamado babeuf ismo, a linha liderada por Babeuf na terceira fase da Revolução Francesa.
O princípio da revolução social dividiu os radicais da classe média, na França, homens de negócios e intelectuais, que se opunham aos governos liberais moderados. Na Inglaterra, a maior parte da oposição liberal' colocou-se contra os movimentos das classes trabalhadoras.
Apesar de divididos pelas condições locais, pelas nacionalidades e pelas classes, os movimentos de 1830 e 1848 conservavam muitas coisas em comum. Continuavam sendo, cm sua maior parte, organizações em que predominavam a classe média e os intelectuais. Ao estourarem as revoluções, o povo muitas vezes unia-se a elas; mas em geral não participava ativamente da elaboração do movimento. E o padrão de estratégia e tática mantinha-sc o mesmo, com base na experiência herdada da Revolução de 1789, quaisquer que fossem suas linhas, moderadas ou radicais, conforme a situação política e social de cada país.
As palavras de ordem da Revolução Francesa mobilizavam grandes setores da população. Isso era compreensível, uma vez que seus princípios — liberais e igualitários — não se haviam concretizado ainda na maior parte da Europa. Em 1848, somente a alta burguesia participava do setor governamental; e, mesmo assim, apenas em alguns países. A monarquia absoluta e a aristocracia ainda perduravam em muitos lugares. Portanto, permanecia ainda como reivindicação atua] a liberdade de expressão, a igualdade de oportunidades, que eram o objetivo da luta em 1789.
Dessa forma, todo o cenário político europeu foi, pelo menos até 1848, dominado por objetivos e métodos surgidos na grande Revolução Francesa. Pouco a pouco, os métodos e mesmo os objetivos foram sofrendo transformações. No final do século XIX e no decorrer do século XX, os movimentos revolucionários, em todo o mundo, assumiriam novas características. Para isto, contribuiriam as grandes transformações no campo económico e social, derivadas da industrialização crescente, e a queda da monarquia, na maior parte dos países.
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