segunda-feira, 2 de março de 2009

Constelaçao Zodiacal

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A Constelaçao

Para nós, o sol é um globo de gás incandescente, em redor do qual, segundo as leis de Kleper, gira a Terra; para os antigos, ele era a mais alta divindade, o deus Sol, com seu coche puxado por esplêndidos e fogosos ginetes, ao passo que a Via Láctea era a esteira traçada pelas rodas, na abóbada celeste. Para nós, as estrelas representam sóis distantes de que, por meio da análise espectral e das leis de radiação, conhecemos o porvir e o fim. Para os homens primitivos, elas eram heróis e heroínas, deuses e deusas. Algumas das fábulas que lêem as crianças não passam de antiquíssimas lendas, mais ou menos transformadas, do reino estelar. Quem não se lembra do Chapeuzinho Vermelho e do Lobo Mau? Também eles fazem parte de uma velha fábula dos povos nórdicos. Chapeuzinho Vermelho é o sol hibernal, deslizante sob o horizonte e devorado pelo Lobo, que se oculta nos medonhos bosques rembertos de gelo. Trans­pira, da lenda, a fria, longa e tenebrosa noite polar. Uma outra graciosa fábula nos fala do lobo e dos sete cabritinhos; ela é encontrada no mundo todo, embora apresentada em centenas de formas diferentes. Os sete cabritinhos são o pequeno e gracioso grupo de estreias da constelação do Touro; às vezes, a Lua delas se aproxima e, ocultando-as, devora-as. Várias lendas, entre outros povos, referem-se a esse fato: para os Gregos, as Píêiades eram sete meninas (filhas de Atlas) perseguidas por Orion, o atrevido caçador selvagem. Júpiter, o pai dos deuses, intervinha, afinal, levando as gra­ciosas meninas Plêiades para um céu onde, ainda hoje, o selvagem Orion as olha de lado.
Os nomes das constelações remontam aos antigos Gregos, mas, sem dúvida, já desde milhares de anos, os Caldeus, os Babilónios e os Chineses tinham dado nomes distintos às estrelas, segundo a concepção que eles tinha.m do Universo. Muita coisa ficou perdida entre as vicissitudes dos povos, mas o céu dos deuses, na Grécia, é suficiente para demonstrar como, muito tempo antes da existência de uma ciência estelar, a maravilhosa abóbada celeste já comovia profundamente o coração e o cérebro dos homens. E" uma velha crença relata que mártires e heróis "vao para o céu"; não só, mas ali permanecem na qualidade de luminosas constelações. A abóbada celeste se transforma num campo pontilhado de sublimes figuras: ali, combate o soberbo caçador Orion, trans­portado para o céu, porque libertava os homens dos animais ferozes. Cintilam seu cinto e suas armas, o cão o segue (Sírius, a estrela mais brilhante), ao passo que o Touro selvagem lhe vai ao encontro ferozmente. Quem observa a constelação de Orion terá, certamente, a impressão de um homem em movimento. A mais conhecida constelação do céu nórdico é o Grande Carro ou a Ursa Maior. Para os velhos Germânicos, era o Carro de Votã, o mais poderoso dos deuses.
Para melhor distingui-las, cada estrela de uma conste­lação está assinalada, nos mapas, com letras do alfabeto grego; a mais luminosa é designada pela primeira letra: "alfa"; a que lhe segue em esplendor, com a segunda: "beta", e assim por diante. As estrelas mais importantes visíveis na Europa possuem. nomes particulares, e aqui citaremos somente os mais conhecidos, aqueles que se não podem abso­lutamente ignorar. Alcion, estrela das Plêiades; Aldebarã, estrela do Touro; Antares, estrela do Escorpião; Altair, estrela da Águia; Benetnash, estrela da Ursa Maior; Castor, estrela dos Gémeos; Deneb, estrela do Cisne; Polar, estrela da Ursa Menor; Pólux, estrela dos Gémeos; Sírius, estrela do Cão Maior; Schedir, estrela de Cassiopeia; Zuben Elschemali, estrela da Balança.
Algumas denominações, como a de Castor e Pólux, para as estrelas principais dos Gémeos, derivam da mitologia grega; outras, como Schedir, Aldebarã, Zuben Elschemali são de origem árabe (IX e X séculos). Enquanto, no Ocidente, a astronomia era algo abandonada, no Oriente, era tida em grande conta, mas muitos dos antigos nomes já desapare­ceram. A estrela Polar era denominada, pelos Germanqs do Norte, "Nordhurstjarna", isto é, indicadora do Norte; as três estrelas da cintura de Orion, "Friggjarokr", ou seja, "roca de fiar de Frigga".

Para orientar-se facilmente pelo céu, são úteis as cartas giratórias ou "planisférios", reguláveis para cada hora do ano e que permitem estabelecer, com uma certa exatidão, o nascer e o ocaso dos astros. Há cem anos atrás, todo agri­cultor conhecia as constelações, e os velhos calendários davam amplas explicações sobre o céu; infelizmente, também esses preciosos auxiliares acabaram desaparecendo.
Para identificar as estrelas e as constelações, é neces­sário, antes de tudo, guardar bem na mente? aprendendo a localizar, no céu, aquelas constelações que são sempre visíveis, isto é, chamadas "estrelas circumpolares". Elas esião todas não muito distantes do pólo celeste, isto é, da estrela polar; se, do ponto em que nos encontramos, olharmos para o norte ã meia altura, entre o horizonte e o zénite, devemos encontrar a bem conhecida indicadora do Norte. Partindo, agora, deste astro, procuremos identificar as constelações. Também pes­soas que não possuem muita intimidade com a deusa Urânia (a Musa da Astronomia e da Geometria) localizarão logo o Grande Carro ou Ursa Maior. No mapa, as estrelas principais desta constelação se acham ligadas por meio de linhas, e disso resulta uma figura característica, que cada qual poderá guardar na memória e reconhecê-la no firmamento. Para cada constelação, podemos imaginar as estrelas ligadas entre si: a figura assim delineada simplifica bastante a busca. Encontrado, pois, o Grande Carro, podemos proceder à busca do Pequeno Carro, também chamado Ursa Menor. Esta constelação possui figura semelhante à do Grande Carro, somente que aqui o timão está voltado em sentido oposto. Imaginemos, agora, prolongar a linha que liga as duas estrelas que representam as duas rodas traseiras do Grande Carro (que chamaremos de "alfa" e "beta", como na figura) por um comprimento que mede cinco vezes o espaço que separa ambas as estrelas; naquele ponto, a linha encontrará a estrela polar, que é a estrela principal da Ursa Menor. Observado um momento o mapa, encontram-se logo estas duas constelações e temos, assim, a base para novas orientações. Especial atenção merecem as constelações do Zodíaco. O Zodíaco é a faixa ou zona celeste, de 18° de largura, dividida em 12 partes iguais de 30° cada uma, configuradas por 12 imagens de uso antiquíssimo, conhecidas sob os nomes de: ARIES, TOURO, GÉMEOS, CÂNCER, LEÃO, VIRGEM, BALANÇA, ESCORPIÃO, SAGITÁRIO, CAPRICÓRNIO, AQUÁRIO e PEIXES. Estes signos zodiacais não possuem o mesmo significado das constelações zodiacais: são termos fora de uso, com que o astrónomo nada tem que ver. Em tempos remotíssimos, os Babilónios e seus predecessores deno­minavam as constelações do curso do Sol e isso tinha profundo significado, porque compreendia também o culto das estrelas e a astrologia. Segundo pesquisas efetuadas, as imagens do zodíaco chegadas até nós remontam aos tempos dos astrónomos gregos dos séculos VI e V a. C; parece-nos que, anterior­mente, elas tinham outros signos. Schneider, em seu livro "Progressos na Cultura da Humanidade", conta que os primeiros traços do Zodíaco se encontravam em Babilónia, no ano 2700 a. C; sobre o sinete de Parah, reconhece-se o Touro, ao qual está unido um Escorpião, e o Leão ali aparece com chifres. Os signos são explicados pelo autor na seguinte forma: o Touro, ferido pelo Escorpião, indica o ano que está declinando; o Leão, com a força e plenitude de vida, que os chifres tornam mais acentuadas, simboliza o verão. Em seguida, sempre segundo Sehneider, acrescenta-se o Sagitário, "o assassino do herói solar", como sinal do outono, e os Gémeos, irmãos do Sol como símbolo da primavera. Naqueles dias distantes, os signos e as constelações concordavam. Por causa de lentíssimas mudanças na posição do globo terrestre, a respeito de estrelas distantes, variam os pontos de inter­secção do equador celeste com a eclíptica, variando, assim também, a posição do equinócio de primavera e do outono e solstício de verão e de inverno. O Sol, nos diversos meses do ano, não mais se encontra nas constelações em que se achava quando os Babilónios criaram seu zodíaco. Esses sinais não possuem, hoje, mais nenhuma importância, têm significado somente para a astrobiologia; em consequência, as datas assinaladas nos prospectos zodiacais são apenas aproximativas. Como todos devem saber, hoje, graças à habilidade de alguns espertos, os símbolos e os signos do zodíaco encontram larga aceitação.
Retornemos às constelações do Zodíaco. A faixa zodiacal corta o equador celeste em dois pontos opostos (equinócios). Esta estrada, ou zona, que é o trajeto anual do Sol, é deno­minada linha eclíptica, porque basta que a Lua ali se encontre e que ocupe um lugar em sua órbita — que a atravessa — para que ocorra um eclipse. Observemos, então, o movimento do astro diurno: em 21 de março, ele se encontra no equinócio de outuno, ali onde o equador celeste e a eclíptica se cruzam na constelação dos Peixes. Em fins de abril, o Sol se acha ao centro da vizinha constelação do Zodíaco, em Aries; era fins de maio, no Touro, enquanto, em 21 de junho, atinge os Gémeos. Inicia-se o inverno no sentido astronómico, porque o Sol se encontra em sua mínima altura sobre o equador e esta volta no giro solar se chama "solstício". Depois disso, sobe novamente, atravessando, em julho e agosto, as conste­lações dos Gémeos, do Câncer e do Leão, para atingir, em 23 de setembro, o equador celeste na constelação da Virgem. É o equinócio de primavera. Nos meses de outubro e novem­bro, o sol abaixa-se sempre mais sob o plano do equador, passando pelas constelações da Virgem, da Balança e do Escorpião, atingindo, em 21 de dezembro, na constelação do Sagitário, seu ponto mais alto; temos, assim, o segundo "solstício" e começa o verão. O astro se apressa, agora, em ir ao encontro da primavera para alcançar, em seguida, a altura do equador celeste na constelação dos Peixes. Poder-se-á verificar facilmente tal percurso anual do Sol, acompanhando-o nos mapas astronómicos; na verdade, ele nada mais é do que o reflexo da rotação terrestre em redor do poderoso astro de fogo.

As principais constelações, por grupos, são estas:
1.°) — Região polar boreal. Ursa Menor, Cassiopeia, Girafa, Ursa Maior, Dragão e Cefeu.
2.°) — Região boreal média. Ándrôrneda, Triângulo, Perseu, Cocheiro, Gémeos, Lince, Câncer, Leão Menor, Cabe­leira de Berenice, Cães de Caça, Boieiro, Coroa Boreal;, Hércules, Lira, Raposa Menor, Flecha, Cisne e Lagarto.
3.°) — Região equatorial. Peixes, Baleia, Carneiro (Aries), Touro, Eridano, Orion, Unicóisaio, Cão. Menor, Hidra, Sextante, Leão, Virgem, Balança, Seípente, Ofiúco, Escudo de Sobiesky, Águia, Delfim, Cavalo Menor, Aquário e Pégaso.
4.°) — Região austral média. Fénix, Escultor, Forno, Buril, Lebre, Pomba, Cão Maior, Navio, Popa, Querena, Velas, Bússola, Máquina Pneumática, Taça, Corvo, Centauro, Compasso, Esquadro, Lobo, Escorpião, Sagitário, Telescópio Austral, Capricórnio, Microscópio, Peixe Austral, Indiano e Grou.
5.°) — Região polar austral. Tocano, Hidra Macho, Retículo, Dourada, Cavalete, Peixe-Voador, Camaleão, Cruz do Sul (o muito nosso Cruzeiro do Sul), Mosca, Triângulo Austral, Pássaro Indiano, Altar, Pavão e Gitante.

Enc. Conhecer/ abril
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Formas de Saudaçao

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Comportamento

Para os ocidentais, cuspir em alguém é ofensa grave. E cer­tamente não ficaria impune. Mas, para um homem bem educado de algumas tribos africanas, a cusparada é um modo muito gentil de cumprimento, é até uma homenagem, feita por um guerreiro consagrado a um jovem que o admira. Este a re­cebe com gratidão, prova de que é aceito como igual.
Se essas tribos tivessem, de algum modo, influenciado a hu--manidade, provavelmente sua típica saudação estaria mais di­vulgada e não causaria espanto aos ocidentais. Como o aperto de mão, por exemplo. Este cumprimento originou-se em tempos primitivos, quando um homem estendia a mão a outro para de­monstrar que estava desarmado e era de paz. Já o hábito de tirar o chapéu ao cruzar com um conhecido, ou na presença de uma dama, vem da Idade Média: o cavaleiro, envolto em ferro dos pés à cabeça, erguia o elmo ou abria a viseira para dar-se a conhecer perante um amigo.
Assim, de cultura para cultura, varia o conjunto de regras que norteiam o bom comportamento do indivíduo em seu grupo social, ou seja, a etiqueta.

Gestos para saudar
Seguindo a evolução dos cumprimentos, per­cebe-se que muitos deles se originaram em de­monstrações de atitudes pacíficas, como o do cavaleiro medieval e o dos africanos de Ghana e da Costa do Ouro. Estes últimos descobrem os ombros, deixando cair seus mantos coloridos. Na origem, o gesto era para mostrar que não havia arma oculta nas dobras do manto.
Nem todos os cumprimentos, contudo, cor­respondem ao mesmo desejo de provar intenções de paz. Mas uma coisa é certa: desejando ou não, é sempre demonstração de respeito. Um cavalheiro da China imperial adotava seis tipos de saudações diferentes. Para um amigo, levan­tava as mãos e introduzia-as em suas longas man­gas. Entretanto,- para o imperador ou então para ouvir algum decreto imperial, curvava-se até o chão.
O francês da corte de Luís XIV também dis­tinguia seus cumprimentos: para um homem im­portante, levantava o chapéu; para uma dama, tirava-o completamente; e, para um homem de condição social inferior, apenas tocava na aba do
chapéu.
Entre amigos mais chegados, é costume, no Ocidente, abraçar para cumprimentar. Originá­rio das tribos primitivas, o abraço permaneceu também modernamente entre os andamaneses
do Leste da Índia, os nativos da Austrália e os habitantes da Terra do Fogo.
Mas há grupos que acham muito mais afe-tuoso esfregar os narizes que abraçar. E o que fa­zem os polinésios, malaios, mongóis, lapões e esquimós.
Escravos e subalternos, em algumas socieda­des primitivas, não tinham permissão para tais cumprimentos. Na presença do senhor ou do chefe, eram obrigados a prostrar-se. Nessa atitu­de foram imortalizados em algumas antigas es­culturas egípcias e assírias. Embora o costume tenha desaparecido, permaneceram resquícios entre os árabes, que tocam o solo com as mãos e depois as levam aos lábios e à testa, E também os habitantes de Tonga,' no arquipélago da Poli-nésia, guardaram vestígios dessa velha reverên­cia: tocam o chão no lugar onde o seu chefe pisou.

O beijo da saudação
O historiador grego Heródoto (século V a.C.) refere-se em sua obra ao cumprimento dos per­sas. Beijavam-se eles na boca, quando eram da mesma condição social, ou na face, quando a condição era diferente. Na Grécia beijava-se a mão, o peito ou o joelho de um superior. E os primeiros cristãos trocavam beijos como sinal de companheirismo.
Com o passar dos anos, porém, o beijo cristão foi restringido, por imposição da Igreja, a pessoas do mesmo sexo. Hoje, o primitivo beijo cristão transformou-se num ato de reconhecimento das auto­ridades eclesiásticas, que oferecem o anel ao ósculo dos fiéis.
Fora de implicações religiosas, o beijo passou a costume social, no Ocidente. No cerimonial de certas cortes, soberanos beijam-se nas faces; súditos, nas mãos. E nas cortes em que o beijo desapareceu, tanto das faces como dasjnãos, deixou ainda vestígios em frases como o alemão Kuss d'Hand e o espanhol Beso a usteâ Ias manos, ambas querendo dizer "Beijo-lhe as mãos".


O choro da alegria
Choro demonstra alegria para muitos povos primitivos, que com lágrimas celebram o reencontro com um amigo. Se se trata de um amigo enlutado, o pranto significará pesar. Entre os nativos da Austrália, é misturado a sangue e abraços: o parente mais pró­ximo do visitante estreita-o contra o peito, enquanto a parenta mais chegada enlaça os joelhos do hóspede com um abraço e com o outro arranha a própria face até sangrar.
Na Nova Zelândia, choro de luto e alegria faz parte do tangi, cerimonia celebrada quando da visita de parentes que vêm de re­giões longínquas, tenham ou não amigos mortos.


Palavras gentis
Um basuto, negro da África centro-meridional, saúda seu chefe respeitosamente dizendo-lhe: Toma s&vatal, o que significa: "Salve besta selvagem!" Já um negro conguês, ao regressar de viagem, di­rige a suas esposas a seguinte palavra: Okowe, ao que elas, de joe­lhos, humildemente respondem: Kal Kal Ambas as saudações nada significam: são apenas interjeições intraduzíveis.
Muçulmanos são mais sóbrios. Sua forma de saudação é uma espécie de senha, usada apenas entre companheiros de crença ou de idioma: Salãm câaikum (esteja em paz), respondida com Wa-alaikum as-salãm (E contigo a paz do Senhor). O mesmo dizem os judeus, desde os tempos bíblicos: Chalom aleikkem e Aleikhem Chalom. A significação é a mesma que em árabe e até há seme­lhança linguística.
Na Grécia antiga dizia-se sempre "Seja alegre", e em Roma a saudação era Salve! (Saúde!) no encontro, e Vale (Esteja bem) na despedida.
Os ocidentais modernos perguntam "Como vai", um tipo de frase estereotipada, respondida frequentemente com a mesma pergunta. Igualmente sem grande significado e traduzidas em todas as línguas ocidentais são as saudações "Bom dia", "Boa tarde", "Boa noite", "Bem-vindo" e "Adeus". Nesta última fórmula é claramente repre­sentado o elemento religioso (a Deus), bem como na tradução inglesa Good hye, contração da frase God be with you (Deus esteja contigo).
A despedida cortês também assume diferentes aspectos, segundo o lugar. Os habitantes da Nova Guiné, por exemplo, demonstram lamentar a partida de um hóspede gemendo e emplastrando-se de lama. Os tibetanos mostram-lhe a língua, querendo com isso mos­trar que apreciaram muito sua visita e sua conversa.

Os filósofos ditam a norma
Dizia Confúcio (551-479 a.C.) que o homem superior é sábio, moderado, prudente, corajoso, decente no falar e no agir. É afável, mas não bajulador. Não fere pássaros pousados, não pesca com rede, não se traja de púrpura. Nunca faz aos outros o que não de­seja que lhe façam. Durante cerca de 2 400 anos, o chinês procurou seguir estes preceitos.
Sócrates (469-399 a.C.) tinha um ideal parecido. O protótipo do cavalheiro para êle é o homem inteligente, sensato, corajoso, ge­neroso e equilibrado, no qual as virtudes intelectuais e morais se combinam harmoniosamente. Traja-se com simplicidade, caminha devagar e sobriamente, não fala alto, não ri às gargalhadas, não alardeia conhecimentos nem triunfos.
Também não divergia muito o ideal de Cícero (106-43 a.C): simplicidade e sobriedade, dignidade e decoro, diplomada e distinção. Não se vangloriar, não demonstrar conhecimentos de língua grega perante os incultos, não contratar na rua, e jamais dançar em público,
"exceto quando embriagado ou louco". Respeitar os mais velhos e reverenciar todos os homens.

Da nobreza à plebe
A palavra gentleman (cavalheiro) provém do latim gentilts (que pertence a uma gens = tribo) e do inglês man (homem). Significa, portanto, chefe de tribo, de boa família. Nesse sentido foi usado, durante muito tempo, como título de nobreza na Grã-Bretanha.
Na obra inglesa Títulos de Honra (1672) discute-se o título de gentleman como equivalente a nohilis e descrevem-se as várias for­mas de nobilizar, nos países europeus. William Harrison, um século mais tarde, dizia: "são gentlemen os que, pela raça, pelo sangue, ou pelas virtudes, se fazem nobres e conhecidos". Mas, apesar disso, não bastavam qualidades morais. Era preciso também um título de nobreza, um brasão ou escudo de armas.
Usada num sentido amplo, sem implicações com genealogias, mas no sentido em que os franceses chamam "noblesse oblige" (a no­breza obriga), gentleman ou cavalheiro tem várias acepções, segundo o contexto. Significa ora um homem de louvável conduta moral ou social, ora um indivíduo de vasta cultura, forte personalidade e belas maneiras. E, nas camadas populares, passou a equivaler sim­plesmente a homem.

Amor com educação
No século XII organizou-se, na Europa ocidental, uma corpora­ção fechada, na qual os membros só eram admitidos após uma ceri­mónia de iniciação e a demonstração de possuírem esprit de corps (espírito de equipe). Essa corporação, chamava-se Cavalaria. Regía-a um severo código de etiqueta, que vigorava já desde o século XI. Prescrevia para o perfeito cavaleiro a bravura, a lealdade, a invio­labilidade da palavra empenhada, a defesa dos fracos e dos oprimi­dos, da Igreja e do trono, da dama e da lei.
A dama era a criatura mais sublime, tratada com respeito e timidez. A ela o cavalheiro dedicava toda a sua vida, mesmo que seu amor não fosse correspondido. Além da vida, dedicava-lhe tam­bém poesias, seguindo a escola literária que se irradiou da Provença (Sul da França) para toda a Europa ocidental.
Com o declínio da sociedade feudal e suas instituições — entre as quais a Cavalaria —, o ideal de boas maneiras foi modificando-se e nacionalizando, tomando feições próprias em cada país.


À imagem da França
Em 1528, na Itália, o cortesão e diplomata Castiglione publicou o mais importante manual de etiqueta do período pós-medieval: ) Cortesão. Recomendava ao cavalheiro perfeito estudar muito, pra­ticar esporte, aperfeiçoar-se na dança, tocar alaúde, conversar bri­lhantemente, combater a presunção, a bisbilhotice, a malícia e o pedantismo. Mas, diante do prestígio da França, os homens de toda a Europa logo abandonaram Castiglione para seguir as regras fran­cesas. Até a Inglaterra, que resistiu o quanto pôde, acabou cedendo e enviando alguns de seus jovens súditos às escolas de boas ma­neiras parisienses.
A etiqueta francesa não era fácil. Pelo episódio seguinte, pode ter-se ideia do respeito dos franceses ao protocolo. Estando enfermo o Cardeal Richelíeu, prímeiro-ministro de Luís XIII, o rei foi visi­tá-lo. Mas rezava o protocolo que ninguém, nem mesmo doente, podia deixar de levantar-se na presença do monarca enquanto este estivesse em pé. Assim, para satisfazer ao rei, que desejava ver o cardeal, e, ao mesmo tempo, não .quebrar a etiqueta, Luís XIII foi conduzido aos aposentos de Richelieu recostado num divã e dali não se levantou até o final da entrevista.
Atualmente a etiqueta formal, rígida, à maneira francesa, man-teve-se apenas em cerimónias como funerais, festas de grande gala e no protocolo oficial das cortes e dos palácios governamentais. A tendência para maior liberdade na convivência social, especialmente entre os jovens, iniciou-se depois da I Guerra Mundial e tem au­mentado sem cessar. Entretanto, a juventude atual é cada vez mais livre, e assim ela pode criar sua própria etiqueta ou até suprimi-la.

Enc. Conhecer abril

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A bicicleta

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bicicleta

A bicicleta é assim: ficamos em equilíbrio sobre ela e esquecemos o resto. . . Ela pode subir e des­cer por qualquer estrada. Em caso contrário, nós a apanhamos e vamos andando, empurrando-a para frente, indiferente ao resto. Enfim, a bici­cleta é um sapato, um patim, ela é nós mesmos, o nosso pé transformado em roda. . .

Vamos falar do "cavalo de aço", o mais conhecido e o mais popular dos veículos, companheiro ideal dos rapa­zes, meio de transporte indispensável para os trabalha­dores de cidades planas, como há muitas na Europa, instrumento capaz de qualquer resistência nas mais bri­lhantes competições.
Sua estrutura é uma obra-prima de simplicidade e de racionalidade: um quadro que serve para reunir duas rodas, das quais a traseira é motriz ao passo que a dian­teira é orientadora. Uma concepção tão elementar assim não nos deve levar a crer que a bicicleta tenha surgido de repente, devido a uma genial intuição de um cons­trutor. Muito ao contrário, sua metamorfose foi' até bastante demorada!
O "celerífero", construído pelo Senhor De Siorac, que pode ser considerado como o ancestral da bicicleta e que apareceu em França cerca do ano 1790, era um modelo pesadíssimo, todo de madeira. Esta do 1790 é uma data que encontramos mencionada mais frequen­temente como ano de nascimento da bicicleta, mas exis­tem muitas outras versões igualmente aceitáveis. Muitos, por exemplo, fazem suas origens retroceder até ao ano de 1693 e atribuem a criação do primeiro rudimentar biciclo a um certo Ozanan, professor de letras na Sor-bonne.
Contudo, o "celerífero" do 1790 realizava a ideia de unir duas rodas, uma diante da outra, por meio de uma pequena trave, a cavalo da qual, apoiando os pés no chão, podia-se avançar celeremente, caminhando.
Esta novidade espantosa foi considerada, naquele tempo, uma extravagância e, mesmo excitando a curio­sidade, foi recebida como uma brincadeira divertida. Era, na realidade, um meio de locomoção bastante incómodo, porque devia estar sempre mantido em equilíbrio por quem o cavalgava, não podia obedecer à direção, já que não possuía guidão.
Vinte anos depois, um agrimensor alemão tentou aper­feiçoar a geringonça. Atrelou as duas rodas a um cava­lete de madeira, munido de um esteio e de uma haste que servia de guidão, acrescentando-lhe um selim. Corria o ano de 1815, quando aquele alemão, que se chamava Drais (e por isso o veículo foi chamado "drainienne"), foi visto percorrer as ruas de Mannheim a cavalo de seu aparelho, tocando com os pés, alternadamente, no chão. como se estivesse caminhando a passos largos.

Mas,esta nova versão, tal como acontecera com o "celerífero”', não foi levada a sério: os transeuntes riam.de Drais, consi­derando-o um excêntrico. Ele resolveu, então, realizar uma viagem sensacional: de Karlsruhe foi, com sua "Drai­sienne", até Estrasburgo, em apenas 4 horas, ao invés de 15 ou 16, que era o exigido para quem fosse a pé.
Se esta proeza valeu para abalar a alegre indife­rença do público, não conseguiu, todavia, difundir o uso do veículo, pois o pobre Drais morreu, em 1851, na mais negra miséria. Entretanto, quando a notícia de sua via-gem-recorde chegou à França, Inglaterra e Estados Uni­dos, todos os moços elegantes começaram a exibir-se sobre o novo veículo, apelidado, a princípio, de "Cavalo--brinquedo" e, depois, "Cavalo-janota", justamente porque somente os mais ricos "filhinhos de papai" podiam usá-lo.
Um importante aperfeiçoamento se verificou lá pelo ano de 1855, não se sabe ao certo se graças ao alemão Fisher, de Schweinfurt, ou do francês Michaux, de Paris. A novidade consistia num pedal, fixo na roda dianteira. ísso permitia converter o impulso alternado dos pés no chão pelo ordenado movimento contínuo dos pós sobre os pedais.
O veículo adquiriu, outrossim, maior velocidade, gra­ças à maior dimensão da roda anterior. Nasceu, destarte, o biciclo, construído de ferro. O Michaux, que parece ter sido um ferreiro, em 1861, em Paris, colocou os pedais na roda anterior. Os biciclos começaram, finalmente, a entrar em uso. Mas esse veículo tinha o inconveniente de ser muito pesado, inconveniente acrescido pela esca-brosidade das estradas rurais e da desconexa pavimen­tação das cidades. Contudo, um grande passo à frente foi registrado quando o círculo de ferro das rodas foi dotado de um aro de borracha maciça. Não era muito, dirá alguém, mas já era alguma coisa.

Nos anos seguintes, dada a mania de obter um meio sempre mais veloz, caíram no excesso de construir rodas dianteiras cada vez maiores, emparelhadas com rodas traseiras cada vez mais pequenas. Estes grotescos veí­culos requeriam qualidades acrobáticas para subir ao selim ou para dele descer. Além disso, o equilíbrio do aparelho ficava seriamente comprometido pela posição do homem, que se situava tão alto, na roda dianteira, que bastava qualquer pequena brecada para que ele caísse de nariz ao chão. Foi o francês Sargent que pen­sou em equilibrar melhor o veículo, dotando-o de duas rodas iguais, de média grandeza, mas se atribui ao inglês Starley o mérito de haver tornado o biciclo menor e mais veloz, colocando os pedais no centro, entre as duas rodas, sobre um quadro rígido. A transmissão do movimento à roda traseira ele a obteve utilizando a corrente inven­tada pelo suíço Renold, que nessa ocasião se havia mu­dado para a Inglaterra. Apareceu assim, em 1896, um biciclo ainda imperfeito, porém muito mais prático, dotado de uma roda denteada, grande, nos pedais, e de uma roda denteada, menor, na roda traseira. Estas duas rodas subsidiárias tinham o objetivo de multiplicar, com o auxílio da corrente, o número de voltas e, daí, a energia dispendida nos pedais.
Muito prático, já dissemos, o biciclo de Starley, mas ainda bastante pesado e cansativo, seja pelos atritos das engrenagens, seja pelas duras vibrações ao contacto com o solo. Estes inconvenientes não foram eliminados senão quando se conseguiu adotar pneumáticos e câmaras de ar.
O advento dos primeiros foi apressado por um rapaz, filho de um veterinário inglês, um certo Dunlop. Este, apaixonado pelo ciclismo, mas aborrecido com os tram­bolhões que o veículo provocava, pensou em guarnecer as rodas com câmaras de ar. Estuda e reestuda, e acabou confeccionando, afinal, um tubo de borracha fina e fle­xível que, preenchido de ar por meio de compressão, pudesse ser colocado em redor das rodas. Com a ajuda do pai, conseguiu fabricar, em 1890, os primeiros pneu­máticos (o ar era impulsionado para dentro por uma bomba, e uma válvula lhe impedia a saída). A câmara de ar foi, a seguir, protegida por eventuais furos, medi­ante um cobertor feito de tela de borracha. Nesse ínte­rim, a indústria mecânica de precisão já produzira as primeiras câmaras de ar em esferas que foram adaptadas à bicicleta, de maneira que, ao fim do século passado, esse modelo, cómodo e difundido, já era popular.
Na Itália, a bicicleta apareceu mais tarde do que nos demais países. A exposição de Milão, em 1881, apre­sentou a novidade, que encontrou logo simpatizantes. Quatro anos depois, na mesma cidade, nascia a primeira fábrica, a Bianchi, que ainda hoje mantém no mundo todo o prestígio de suas bicicletas.
Cada fábrica importante que trabalha para a indústria ciclística é, ao mesmo tempo, exportadora e importadora, pois as várias partes de que se compõem esse veículo de uso universal são construídas em séries, por firmas alta­mente especializadas, em diferentes nações. Assim, a fabricação dos tubos de aço trafilado a frio c executada, em grande parte, na Waldless, enquanto as oficinas mecâ­nicas italianas Vilar Perosa (Turim), fornecem, à maior parte das bicicletas do mundo suas câmaras de ar. Ana­logamente, quase todas as .peças de aço temperado que formam o guidão são preparadas por casas especializadas como a Solingen, alemã, ao passo que as correntes têm como berço de origem a Inglaterra e os Estados Unidos, que são também exportadores de robustos selins, deven­do-se incluir, outrossim, entre os grandes centros produ­tores, Suécia e a Suíça.

Uma fábrica que constrói bicicletas de marca concei­tuada encontra, por isso, sua tarefa facilitada. Os tubos são cortados por meio de serras circulares, conjugados entre si por cachimbos ou peças adequadas, e soldados autogênicamente. Por meio de máquinas dobradoras, são retorcidos os tubos que servem para guídão ou os cavaletes para bicicletas de mulheres. O trabalho se reduz, portanto, à montagem, à envernização, às expe­riências, operações que podem ser executadas em secções especiais.
Nestes últimos 'anos, os melhoramentos da bicicleta, em todas as suas partes, sucederam-se incessantemente: quadros cada vez melhor desenhados, sempre mais ro­bustos, sempre mais leves e correspondentes às atuais exigências de economia e resistência; freios sempre mais eficientes; dínamos e faróis menos estorvantes; câmbios de velocidade múltiplos e dispositivos automáticos; pneu­máticos pesados, para fins turísticos, e super-leves para, corrida.

Também o movimento ciclístico está em contínua as­censão, favorecido pelo interesse das massas. Além da Itália, também na França, Bélgica, Suíça, Holanda e em outros países, o ciclismo ocupa um lugar proeminente nas manifestações esportivas. O número de sociedades e veló-dromos filiados à União Ciolistica Internacional, que lhes disciplina a atividade, aumenta de ano para ano, como o das competições sobre estradas e pistas. As grandes competições em etapas, de caráter internacional (como o Giro dltália e o Tour de France) atraem cada vez mais a atenção e o interesse do grande público. A técnica ciclístíca está em crescente progresso e as médias horá­rias são muito superiores às do passado. Aqui no Brasil, a difusão desse útil esporte cresce também intensamente.

Que dizer, então, da Holanda, onde até a própria rainha se utiliza desse popular veículo e onde as bici­cletas inundam as ruas e têm preferência no trânsito? Em certas cidades da Europa, a média de difusão das bicicletas chega à beleza de uma para cada seis ou sete habitantes! Popularíssimo, pois, o "cavalo de aço". E, embora nestes últimos tempos ele esteja sofrendo forte concorrência desse outro utilíssimo aparelho que é a Lambretta, que leva grande vantagem devido ao motor, a bicicleta não se espantou e adotou da mesma forma um motor à sua propulsão e prossegue, impertérrita, em sua marcha. E sua popularidade não será jamais ofuscada devido à sua extrema facilidade, à sua leveza, à sim­plicidade de suas linhas e ao pouco volume que ocupa, pois pode ser guadada em qualquer canto de sala.
Os próprios exércitos modernos estão procurando ado-tar esse pequeno veículo, criando tropas motorizadas, especialmente em serviços de ligação.

Em vários países europeus, vem sendo estudado, desde há muito tempo, um tipo de bicicleta que corresponda aos particulares requisitos de solidez e de pouco peso, ao mesmo tempo, para poder ser transportada ao ombro e permitir facilidade de manejo e movimentos. A solu­ção foi encontrada com a substituição do quadro rígido por outro desmontável, que permite dobrar a metade da frente sobre a traseira, formando um conjunto que pode ser levado às costas tal, qual uma mochila. Para pre­venir o grave inconveniente de furos no pneumático, fo­ram adotados borrachas maciças ou semi-maciças, pro­videnciando-se, ainda, a respeito das consequentes per­das de velocidades com dispositivos capazes de supri­mi-la, por meio de molas no quadro. O peso da bicicleta completamente equipada era de 30 quilos e o rendimento médio de velocidade de 28 a 30 quilómetros. Entretanto, com os modernos engenhos bélicos e a velocidade exigida nas guerras modernas, parece que a popular bicicleta tem que continuar sendo um veículo exclusivamente pacífico e esportivo. E será muito melhor assim.

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Fontes

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